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Luiz Thadeu Nunes e
Silva (*)
Os dias seguem no varal do tempo,
sem dar satisfação. Maio se foi, junho está à porta. Sigo observando meu
entorno, sem compreender muito. O tempo não precisa que eu entenda nada.
Sou apenas um caminhante, que
anda no traçado do tempo, em busca de mim mesmo. Sem saber nada e, muito a
aprender. Mesmo curioso com a vida, “todas as vezes que penso que sei as
respostas, ela embaralha tudo”, cito Luiz Fernando Veríssimo.
A vida não acontece em linha
reta; ela dá voltas. E nas voltas que dá, todo mundo tem sua vez de ficar de
cabeça para baixo.
Me nutro de Clarice Lispector:
“Depois do medo, vem o mundo”. Sigo com medo, empurrado pelo tempo. Às vezes
tenho medo de seguir em frente, de ir sozinho, em busca do melhor. Depois, com
calma, percebo que seguir em frente é a opção certa.
“Se a vida não for fácil pra
você, trate de ficar forte”, ecoa o conselho de minha saudosa mãe, Maria da
Conceição, para quem a vida nunca foi mamão com açúcar.
Diante de inúmeras situações que
não posso mudar, tento acionar o botão do silêncio. Em um mundo cada vez mais
barulhento, o silêncio é um luxo reservado a poucos.
Silêncio, essa presença tão mal
compreendida pela modernidade tagarela, não é ausência, é potência em repouso.
Nele habita uma forma de linguagem mais sutil do que qualquer gramática, mais
honesta do que qualquer retórica. Ao saber distinguir entre o silêncio
autêntico e o simples mutismo, há algo decisivo: que o ser genuíno da fala se
preserva frequentemente na contenção, e que o discurso mais pleno é aquele que
sabe o que não deve dizer. O silêncio, quando verdadeiro, é um templo, e sua
arquitetura se ergue sobre o não dito, sobre o intervalo entre o impulso de
falar e a escolha de calar, intervalo em que o pensamento, não domesticado pelo
signo, permanece vivo em toda a sua ambiguidade fecunda. Se falar é prata, o
silêncio é ouro. Observo no meu entorno, todos corridos, apressados; não
entendo aonde querem chegar.
Bestialmente aceleramos o tempo;
parece que estamos constantemente em busca de um senso de propósito e
realização. É comum ouvir amigos dizerem que precisam estar sempre ocupados com
alguma atividade importante, seja ela no trabalho ou em seus hobbies e/ou
projetos pessoais. Isso me leva a pensar que, a todo momento, estamos fazendo
algo importante e que, na busca em ressignificar nossa existência. Ledo engano.
Além de assoberbados, estamos exaustos.
Ando enfadado de mim.
Na terça-feira, 26/05, a convite
do escritor carioca, Paulo Panesi, participei de uma live, com Vera Costa,
colega da faculdade de Agronomia e amiga de jornada, moradora de Barreirinhas,
santuário ecológico. Falamos do tempo como um ativo a nosso favor. E como
aproveitar os dias, sem pressa, pois a vida acontece durante nossas tempestades
diárias.
Bem-abençoado todo aquele que tem
tempo para realizar pequenos desejos.
É tempo de sair do trilho e
entrar na trilha. O trilho é seguro, mas alguém já trilhou por ali. O trilho
são padrões, cresças herdadas. Comportamentos repetidos. Tudo previsível. Tudo
conhecido. A trilha exige presença, coragem e decisão. Na trilha não há
garantia. Nela você precisa ouvir a si mesmo. Talvez seja por isso que na
trilha a vida ganha profundidade.
Existem momentos em que o trilho
é necessário, mas a vida perde sentido quando não temos coragem de sair dele. É
neste momento que a trilha chama.
Porque chega uma hora em que a
trilha chama, é quando a vida acontece.
"Não tenho pressa. Pressa de
quê? Não têm pressa o sol e a lua: estão certos.
Ter pressa é crer que a gente
passa adiante das pernas, ou que, dando um pulo, salta por cima da sombra. Não;
não sei ter pressa.
Se estendo o braço, chego exatamente
aonde o meu braço chega - nem um centímetro mais longe. Toco só onde toco, não
aonde penso.
Só me posso sentar onde estou. E
isto faz rir como todas as verdades absolutamente verdadeiras, mas o que faz
rir a valer é que nós pensamos sempre noutra coisa, e vivemos vadios da nossa
realidade. “E estamos sempre fora dela porque estamos aqui”, Alberto Caeiro.
“O caminho se faz caminhando”,
cito Antônio Machado, poeta espanhol.
Avante! Sempre em frente.
(*)
Luiz Thadeu Nunes e Silva é Jornalista, escritor e Globetrotter, autor do livro “Das muletas fiz asas”
Instagram: @luiz.thadeu
Facebook: Luiz Thadeu Silva
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