|
Luiz Thadeu Nunes e
Silva (*)
Por onde ando, vivo repetindo,
como um mantra, que estou gostando de envelhecer. Já escrevi crônicas,
palestrei para diferentes plateias, em conversa com amigos em mesa de bar,
sempre falo que no outono da vida estou mais confortável comigo. Que gostaria
de ser esse Luiz Thadeu que sou hoje. Tenho mais segurança e estou mais à
vontade com a versão atual. Muitos me questionaram sobre isso, outros me olham
de soslaio, como a dizer: “inocente, não sabe de nada”.
Mas faço questão de fazer uma ressalva:
que estou gostando de envelhecer pois a outra opção é a finitude; o encontro
com a libitina.
Como envelhecer implica em uma
série de mudanças no corpo, comigo não seria diferente. “Quem passou dos 50
anos e não tem dores, morreu”, li em um cartaz no balcão da drogaria. Aliás,
drogaria, juntamente com supermercado, são os lugares que mais visito. Como só
vou ao mesmo supermercado, já tenho até uma afilhada, que todas as vezes que me
avista, levanta-se do caixa e me pede a benção. Mas essa é uma história que
cabe em outra crônica.
Esses dias apareceu uma dor nova,
concorrendo com as já existentes. Há dias que um desconforto nas costas,
próximo aos rins, me tirava do sério. Se sento, dói; se ando, dói; se deito,
dói. Com as dores antigas já tinha feito um pacto de boa convivência, com essa
a coisa era diferente.
Após um dia de trabalho
exaustivo, liguei para Rodrigo, o primogênito, se ele poderia acompanhar-me à
emergência do hospital. Marcamos para irmos na manhã seguinte. Conforme
combinado, apanhei-o no trabalho e fomos. Hospital cheio. Passei pela triagem,
falei para a enfermeira de minha mazela: aferiu pressão, perguntou quais
fármacos faço uso. Tudo registrado, me encaminhou para o balcão onde apresentei
carteira de identidade e do plano de saúde. Colocaram pulseira com nome
completo, CPF, data de nascimento. Sou encaminhado para outro setor, seguindo a
linha verde no piso. Aguardo minha vez de ser atendido.
“Sr. Luiz Thadeu, sala 04”, ouço
a voz que me conduz até a médica.
Entro e encontro uma jovem
médica.
-Bom dia, doutora, gosto de ser
atendido por médicas, acho as mulheres mais minuciosas, mais atentas.
-Obrigado. O que lhe traz até
aqui, seu Luiz Thadeu?
-Dores intermitentes nas costas
na altura dos rins.
-Quando começaram as dores?
-Três ou quatro dias.
-Deite aqui, deixe examiná-lo.
Ela aperta minha barriga
-Dói quando aperto ou quando
deixo de pressionar?
-Quando deixa de pressionar.
-Pode ser apendicite.
-Vou lhe requisitar exames de
sangue e tomografia para ver o que descobrimos.
Sou encaminhado para o setor de
observação. Logo vem a técnica e pulsa minha veia, colhendo sangue para exames.
Tempos depois o técnico em imagens chama meu nome, levando-me para a sala da
tomografia.
No período de minha
convalescência, após o grave acidente automobilístico que sofri em julho de
2003, todas as vezes que entro em um hospital, como paciente, as lembranças de
minha via crucis voltam.
Feito a tomografia, volto para
sala de observação.
Aguardo os resultados e sou
encaminhado novamente para a sala da médica.
-Graças a Deus os resultados dos
exames foram bons, não era nada demais. Sua coluna está desgastada por causa da
idade. No mais, os seus exames estão ótimos.
Agradeci a atenção diferenciada
da Dra. Geyse Aquino, que se mostrou humana, gentil e acolhedora. Quão bom
encontrar profissionais da saúde com esse perfil.
Após cinco horas sem me
alimentar, perguntei se poderia comer sem restrição.
-Sim, disse a médica.
Como não existe peça de reposição
dos órgãos, o melhor é preservar os existentes.
Envelhecer é bom, mas dá
trabalho.
Voltei para casa livre, leve e
solto. Saúde é nosso bem maior.
(*) Luiz Thadeu Nunes e Silva é Jornalista, escritor, Globetrotter e Autor
do livro “Das muletas fiz asas”.
Instagram: @luiz.thadeu
Facebook: Luiz Thadeu Silva |