| Imagem extraída do Google |
Luiz Thadeu Nunes e
Silva (*)
Encerramos janeiro, primeiro mês
do ano. É fevereiro: mês da alegria, da esbórnia, da carne, das festas
momescas. Foi ontem, em que a dúvida era saber qual a roupa vestir para a
virada do ano; quase ninguém mais lembra que roupa usou no réveillon. Muitos
fizeram planos de futuro, na esperança de um 2026 melhor. Deus criou o tempo,
os homens inventaram o calendário, na vã esperança de cronometrar o tempo.
Mudou o ano, mas tudo continua igual.
Somos escravos das horas; cada
dia estamos cada vez mais açambarcados de afazeres, coisas que elegemos como
prementes. As tecnologias nos tornam mais ansiosos. Nunca teremos tempo para
tudo.
Esses dias vi uma frase fabulosa:
“Sabe qual a diferença entre tempo e dinheiro?”. Sabemos quanto dinheiro temos.
O tempo, não. O tempo ė o único ativo que gastamos sem termos ideia de quanto
nos resta. E, por isso, ele escape tão facilmente entre compromissos, silêncios
e desejos adiados. Erroneamente, achamos que temos tempo de sobra: de ligar, de
voltar, de recomeçar……a verdade que nunca saberemos quanto tempo temos pela
frente. A ninguém foi dado o conhecimento de quanto tempo nos resta, e isso
torna a vida fascinante, bela e surpreendente. A passagem do tempo ė
silenciosa, e não avisa ninguém quando acaba. Ele só vai diminuindo, de forma
quase imperceptível, enquanto seguimos ocupados demais. O tempo não dá macha
ré, só anda para frente.
E, um belo dia, talvez tarde
demais, percebemos que o tempo era o bem mais precioso que tínhamos. Que cada
momento vivido e vivenciado: um café na companhia de amigos, uma mesa de bar, a
cama com a pessoa amada, cada abraço que deixamos, eram momentos únicos e
inesquecíveis, que não voltam mais. O tempo é hoje, agora, onde se esteja, para
viver intensamente. Por isso, se hoje você não tem tempo para realização de
pequenos desejos, pare tudo e encontre-o. Aprenda a usar o tempo com sabedoria,
de preferência com pessoas que somem, de boa energia, que lhe escute, goste de
sua companhia e lhe respeite.
O tempo urge, segue seu curso,
impávido, sem prestar contas a ninguém. Aprendi com a vida que a coisa mais
importante da vida ė o tempo da existência.
Vejo no meu entorno todos com
pressa, muitas das vezes inócuas, deixando o melhor da vida. A pressa
contemporânea não é apenas um traço comportamental, é um sintoma psíquico
profundo. Corre-se não porque o tempo falta, mas porque sentir exige uma pausa
que muitos já não suportam. A aceleração tornou-se uma estratégia defensiva, um
modo eficaz de escapar da realidade. Quando tudo se move rápido demais, nada se
aprofunda, e quando nada se aprofunda, a dor permanece difusa, mas silenciosa.
Correr tornou-se sinônimo de
importância. Quanto mais acelerada a agenda, mais legitimada parece a
existência. A lentidão, por outro lado, passou a ser confundida com fracasso,
improdutividade ou fraqueza. No entanto, é justamente na lentidão que o humano
se revela, pois sentir requer tempo, e pensar exige demora. A pressa, ao
contrário, dissolve a experiência antes que ela se transforme em consciência.
Há uma dimensão psicológica clara
nesse fenômeno. A aceleração contínua impede o processamento emocional. Não se
elabora o luto, não se digere a frustração, não se escuta o próprio medo. Tudo
é substituído por tarefas, metas, notificações. O sofrimento não desaparece,
apenas se desloca, retorna como ansiedade crônica, irritabilidade difusa,
cansaço sem causa aparente. O corpo começa a dizer aquilo que a mente não teve
tempo de escutar.
Em tempos de correria, luxo,
mesmo, ė ter tempo para realizar desejos.
(*)
Luiz Thadeu Nunes e Silva, é Engenheiro Agrônomo, jornalista, escritor e Globetrotter. Autor do livro “Das muletas fiz asas”.
Instagram: @luiz.thadeu
Facebook: Luiz Thadeu Silva
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