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(*) Luiz Thadeu Nunes e
Silva
O tempo é precioso e
gratuito. Você não pode possuí-lo, mas pode usá-lo.
Você pode gastá-lo. Mas você não
pode mantê-lo, mesmo não sabendo quanto tempo você tem.
Uma vez que você o perdeu, nunca
poderá recuperá-lo.
Saber gerenciar a passagem do
tempo é ter sabedoria para saber que tudo tem seu tempo.
Em tempos que estamos vivendo
mais, a coisa mais moderna que existe hoje é saber envelhecer. E não estamos
falando apenas da passagem do tempo.
Estou falando da capacidade de
continuar aprendendo. De ter fome e sede pelo novo. Da desconstrução do que não
serve mais para a construção do que precisamos para se adaptar ao novo.
De rever certezas. De descobrir
novos interesses.
De aceitar que ainda existem
ideias capazes de ampliar o nosso olhar.
Durante muito tempo, associamos o
novo apenas à tecnologia.
Talvez o verdadeiro avanço seja
outro. Continuar disponível para o conhecimento. Aguçar o olhar para algo que
embase um novo propósito, uma nova caminhada.
Porque envelhecer não significa
viver preso ao que já sabemos.
Significa permitir que a
experiência caminhe ao lado da curiosidade. Da necessidade de aprender.
“Não há tempo consumido
nem tempo a economizar.
O tempo é todo vestido
de amor e tempo de amar.
O meu tempo e o teu, amada,
transcendem qualquer medida.
Além do amor, não há nada,
amar é o sumo da vida”, cito o
mineiro Carlos Drummond de Andrade.
No outono da vida, descobri que o
futuro não pertence apenas aos mais jovens.
Pertence também àqueles que nunca
deixaram de aprender. Que nunca deixam de sonhar.
O tempo acrescenta anos, e
também: experiências, vivências, conhecimentos, lembranças e memórias.
O conhecimento continua
atualizando a maneira de compreender a vida.
“Mas é preciso escolher. Porque o
tempo foge. Não há tempo para tudo. Não poderei escutar todas as músicas que
desejo, não poderei ler todos os livros que desejo, não poderei abraçar todas
as pessoas que desejo. É necessário aprender a arte de “abrir mão” – a fim de
nos dedicarmos àquilo que é essencial”, escreveu o paulista Rubem Alves.
Falando sobre o tempo, escrevi na
semana passada: “A vida é mistério. Nunca saberemos de onde viemos, por que
viemos. Quando vamos, para onde vamos”.
Viver, nada mais é do que
administrar perdas. Perdemos colágeno, cabelo, viço e, também, pessoas.
Perdemos tempo com coisas inócuas. Olho para trás e vejo quanto tempo perdi
fazendo papel de besta. Se reciclasse todo esse papel, arrecadaria alguns
tostões.
“Você acorda todo dia com um
roteiro que não escreveu. Segue regras que não escolheu. E chama isso de vida”,
escreveu o franco-argelino Albert Camus. Presente de um amigo, estou lendo “O
Estrangeiro”, de Camus, publicado em Paris em 1942 pela editora Gallimard.
Toda vida também é escrita em
capítulos. Alguns trazem alegria, outros deixam marcas; mas cada página
acrescenta algo à pessoa que estamos nos tornando”.
O tempo não mora nos ponteiros do
relógio; ele habita o vão entre o que a gente planeja e o que a vida entrega. É
um sopro leve que desorganiza gavetas, pinta fios de prata nos cabelos e
transforma em saudade aquilo que ontem era apenas um dia comum.
Passamos os dias correndo atrás
do vento, tentando encaixar a vida em planilhas, alarmes e agendas. O relógio
dita a hora de acordar. O calendário marca os anos que voam. A pressa rouba o
gosto do café.
Mas o tempo ri dessa nossa mania
de querer controlá-lo. Ele é teimoso e não obedece a botões de avanço
rápido.
Caro leitor, amiga leitora,
lembre-se de que o tempo é nosso maior ativo. Gaste-o da melhor maneira
possível, pois ele é finito.
Feliz Dia dos Pais!
(*)
Instagram: @luiz.thadeu
Facebook: Luiz Thadeu Silva