sábado, 8 de agosto de 2026

"Ah! O tempo!

 

Imagem do Google

(*) Luiz Thadeu Nunes e Silva

 

O tempo é precioso e gratuito.  Você não pode possuí-lo, mas pode usá-lo. 

Você pode gastá-lo. Mas você não pode mantê-lo, mesmo não sabendo quanto tempo você tem.

Uma vez que você o perdeu, nunca poderá recuperá-lo. 

Saber gerenciar a passagem do tempo é ter sabedoria para saber que tudo tem seu tempo.

Em tempos que estamos vivendo mais, a coisa mais moderna que existe hoje é saber envelhecer. E não estamos falando apenas da passagem do tempo.

Estou falando da capacidade de continuar aprendendo. De ter fome e sede pelo novo. Da desconstrução do que não serve mais para a construção do que precisamos para se adaptar ao novo. 

De rever certezas. De descobrir novos interesses.

De aceitar que ainda existem ideias capazes de ampliar o nosso olhar.

Durante muito tempo, associamos o novo apenas à tecnologia.

Talvez o verdadeiro avanço seja outro. Continuar disponível para o conhecimento. Aguçar o olhar para algo que embase um novo propósito, uma nova caminhada. 

Porque envelhecer não significa viver preso ao que já sabemos.

Significa permitir que a experiência caminhe ao lado da curiosidade. Da necessidade de aprender. 

“Não há tempo consumido

nem tempo a economizar.

O tempo é todo vestido

de amor e tempo de amar.

O meu tempo e o teu, amada,

transcendem qualquer medida.

Além do amor, não há nada,

amar é o sumo da vida”, cito o mineiro Carlos Drummond de Andrade. 

No outono da vida, descobri que o futuro não pertence apenas aos mais jovens.

Pertence também àqueles que nunca deixaram de aprender. Que nunca deixam de sonhar. 

O tempo acrescenta anos, e também: experiências, vivências, conhecimentos, lembranças e memórias. 

O conhecimento continua atualizando a maneira de compreender a vida.

“Mas é preciso escolher. Porque o tempo foge. Não há tempo para tudo. Não poderei escutar todas as músicas que desejo, não poderei ler todos os livros que desejo, não poderei abraçar todas as pessoas que desejo. É necessário aprender a arte de “abrir mão” – a fim de nos dedicarmos àquilo que é essencial”, escreveu o paulista Rubem Alves. 

Falando sobre o tempo, escrevi na semana passada: “A vida é mistério. Nunca saberemos de onde viemos, por que viemos. Quando vamos, para onde vamos”. 

Viver, nada mais é do que administrar perdas. Perdemos colágeno, cabelo, viço e, também, pessoas. Perdemos tempo com coisas inócuas. Olho para trás e vejo quanto tempo perdi fazendo papel de besta. Se reciclasse todo esse papel, arrecadaria alguns tostões. 

“Você acorda todo dia com um roteiro que não escreveu. Segue regras que não escolheu. E chama isso de vida”, escreveu o franco-argelino Albert Camus. Presente de um amigo, estou lendo “O Estrangeiro”, de Camus, publicado em Paris em 1942 pela editora Gallimard.

Toda vida também é escrita em capítulos. Alguns trazem alegria, outros deixam marcas; mas cada página acrescenta algo à pessoa que estamos nos tornando”. 

O tempo não mora nos ponteiros do relógio; ele habita o vão entre o que a gente planeja e o que a vida entrega. É um sopro leve que desorganiza gavetas, pinta fios de prata nos cabelos e transforma em saudade aquilo que ontem era apenas um dia comum. 

Passamos os dias correndo atrás do vento, tentando encaixar a vida em planilhas, alarmes e agendas. O relógio dita a hora de acordar. O calendário marca os anos que voam. A pressa rouba o gosto do café.

Mas o tempo ri dessa nossa mania de querer controlá-lo. Ele é teimoso e não obedece a botões de avanço rápido. 

Caro leitor, amiga leitora, lembre-se de que o tempo é nosso maior ativo. Gaste-o da melhor maneira possível, pois ele é finito. 

Feliz Dia dos Pais! 

(*) 

Luiz Thadeu Nunes e Silva é escritor e Globetrotter, visitou 162 países em todos os continentes. É autor do livro “Das muletas fiz asas”.

Instagram: @luiz.thadeu

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