| Desenho gerado através de IA |
Luiz Thadeu Nunes e
Silva (*)
Domingo, 16 de agosto. Final de
tarde. Após dia quente, normal na Ilha do Amor, recebi mensagem de Rodrigo, meu
filho, dizendo que estava a caminho, para nos encontrarmos na praça. Na praça
da Lagoa da Jansen, que fica em frente ao meu condomínio.
Desço e encontro: Ana Paula,
Rodrigo e Heitor, neto querido de um ano e meio, que está começando a andar e
precisa de espaço. A praça é território da alegria. Quando arrefece o calor, é
na praça que país levam filhos e tutores seus pets. Algazarra garantida.
Crianças e adolescentes com suas bicicletas, patinetes motorizados, patins,
skates. Cuidado redobrado com Heitor, que corre ziguezagueado, sem medo do seu
entorno. Em uma cidade carente de praças e áreas verdes, tenho o privilégio de
morar em frente a um espaço razoavelmente bem cuidado pelo poder público. Não
conheço nenhuma praça em São Luís que seja lavada regularmente pela prefeitura
como a da Lagoa da Jansen. Além de policiada.
Acomodado no banco, eis que de
repente um garoto, de no máximo 12 anos, passa em alta velocidade em sua
bicicleta. Um aparelho celular cai. Ana Paula apanha o aparelho e chama o
menino, para informá-lo que deixara o celular para trás. O garoto acelerou; perdemo-lo
de vista.
Logo em seguida, outro garoto,
agora mais devagar, se aproxima. Pergunto se ele conhecia o garoto que havia
deixado o celular que caiu. “Sim”, respondeu ele. Ana Paula entrega-lhe o
aparelho.
Não demorou muito, o primeiro
garoto retornou com o celular em mãos. “Vocês passaram no teste”, diz ele. “Que
teste?”, pergunto.
“Nós estamos fazendo um
experimento, deixamos o celular cair de propósito para saber se vão nos
devolver”, diz ele, e completa: “O celular é só a carcaça, não funciona”. E sai
em nova disparada.
Fiquei surpreso e intrigado. Não
sei o nome do garoto. Não sei se o teste é para um estudo sobre honestidade ou
para fazer uma estatística sobre quem devolve ou não o aparelho de celular.
Quem sabe um trabalho para a escola.
Testes de honestidade em praças
públicas são experimentos sociais comuns na internet e nas TVs. Neles,
criadores de conteúdo deixam objetos de valor (como celulares, carteiras ou
notebooks) sozinhos em bancos de praças e calçadões para gravar a reação dos
pedestres com câmeras escondidas. A maioria das pessoas costuma ignorar o
objeto ou devolvê-lo.
Geralmente alguém finge deixar
cair dinheiro ou uma carteira no chão da praça.
Um item caro, como um notebook ou
celular, fica sobre um banco sem vigilância aparente. Uma equipe grava de longe
para ver se quem passa devolve o item ou tenta furtar. Em muitos vídeos,
pessoas devolvem o item perdido ou avisam o dono, surpreendendo quem duvidava
da bondade alheia.
A honestidade mora nas pequenas
coisas do dia a dia, como devolver um troco errado na padaria ou falar a
verdade quando ninguém está olhando. Ela parece fora de moda, mas é o fio
invisível que segura a vida em paz. Ser honesto dá leveza à vida. São exemplos
de civilidade, tão fora de moda atualmente.
Recentemente ao abri a porta do
apartamento, e deparei-me com Josi, empregada dos vizinhos. Ela contava para a
zeladora do prédio, Nilde, a angústia que passou até devolver uma quantia que
depositaram indevidamente em sua conta, através de um pix. “Enquanto não
devolvi o dinheiro, não sosseguei”, disse Josi aliviada. “O dinheiro não era
meu”.
São exemplos como o de Josi que
provam que nem tudo está perdido. Certamente esse dinheiro seria útil a Josi,
mas ela preferiu devolver.
Fico feliz que o mundo em que
Heitor está conhecendo tenha gente honesta e ética.
(*)
Instagram: @luiz.thadeu
Facebook: Luiz Thadeu Silva
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