quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

Meu Pequeno Calumbi

Visita de alguns calumbienses "paulistas" ao Povoado 

(José Alcenor Vieira de Araújo - JAVA)*

 

O Povoado de Calumbi fica à 13 e 16 km das cidades de Presidente Dutra e Dom Pedro do Maranhão, respectivamente. A distância entre os municípios acima citados, portanto, é de 29 km, em linha reta, pela BR-135. Conforme estimativas do IBGE de 2018, a população do respectivo Distrito Municipal de Presidente Dutra era de 2.400 habitantes. Ocupa uma área de, aproximadamente, 50 km2, densidade demográfica de 48 hab./km2, PIB R$ 5.280.000,00 (IBGE/2008), renda per capta de R$ 2.200,00 (IBGE/2008) e IDH de 0,624 (PNUD/2000), médio, altitude 112 m, clima tropical e fuso horário de Brasília (UTC - 3).

Ainda, conforme, informações do IBGE de 2018 é um dos maiores distritos do município brasileiro de Presidente Dutra do estado do Maranhão, possuindo como regiões limítrofes ao Norte a Serra Verde e ao Sul a Serra da Palma.

No dia 21 de julho de 1906, o senhor João Ferreira do Rosa, chegou ao hoje denominado Calumbi. Segundo informações orais de antigos moradores do respectivo povoado esse cidadão era um retirante nordestino de origem cearense expulso pela seca intensa que assolava o Ceará no início do século XX. João do Rosa, como era conhecido por todos da Vila, fixou sua morada na hoje denominada rua dos Imídios, ali vivendo até sua morte natural na primeira metade da década de 1970.

As terras desse povoado pertenciam ao cidadão Mário Pereira Leite cuja propriedade dizia ter recebido dos seus pais que, por sua vez, as haviam adquirido dos seus progenitores, hereditariamente, através do antigo sistema de transferência de propriedades denominado Sesmaria do então presidente da província do Maranhão em troca de apoio político. Para quem não sabe, com a adoção do sistema de sesmaria, a Coroa Portuguesa pretendia cultivar as terras de sua colônia na América e povoar o novo território recém-conhecido. Sesmaria era um lote de terras distribuído a um beneficiário, em nome do rei de Portugal, que tinha como objetivo primordial cultivar terras virgens.

Contudo os avós e os pais, bem como o próprio Mário Pereira nunca tomaram posse dessas terras que lhes foram concedidas pelo estado do Maranhão, até o dia em que soube que a sua herança havia sido invadida e povoada pelos primeiros moradores do Calumbi, a saber: João Ferreira Rosa, Gentil Barros, José Imídio, Nonato Cipião, Otávio Dias, Nena Cardoso, Família Inocêncio e Abílio Vila Nova.

Apesar das terras da apontada localidade já haverem sido cercadas, beneficiadas com cercas, fazendas, plantação de arroz, feijão, algodão, fava, cana-de-açúcar e outras culturas, o senhor Mário Pereira Leite, apareceu para reclamar a sua reintegração de posse, com uma pasta valise preta, à tira colo, cheia de mapas e documentos comprobatórios que provavam que as terras eram suas, todavia os moradores do lugar que então já possuía uma população bastante expressiva para o tamanho territorial do povoado – em torno de uns 1500 habitantes - rebelaram-se contra o senhor das terras de Calumbi.

O autor deste texto ainda era criança, porém lembra muito bem que naquele dia fatídico dos anos 1970, se o senhor Mário Pereira Leite não tivesse sido retirado dali pelos seus "assessores", Gentil Barros, um dos moradores mais exaltados do povoado, teria lhe "passado a pólvora", pois ele assim bradava ao proprietário das terras do Calumbi: "vem, Mário Pereira, tomar as minhas terras que eu vou matar você!”

Vice-Prefeito Jaime Vieira e Raimundo Fernandes, representantes do Calumbi

 

Atualmente, o vilarejo em comento não tem nenhuma liderança política, como no passado que foi representada por Jaime Ferreira de Araújo, que foi suplente de Vereador de 1970 até 1972 e Vice-Prefeito de 1973 a 1977, Raimundo Fernandes, que, apesar de aparecer na fotografia acima como edil, no mesmo período em que o meu pai foi Vice de Valeriano Américo de Oliveira, eu não encontrei nenhum documento que comprovasse a sua eleição ao respectivo cargo, porém o seu filho Gilvan Guedes Fernandes foi Vereador de 1983 a 1987. De acordo com informações dos antigos moradores do vilarejo em apreço o seu nome nasceu de uma vegetação espinhosa e abundante, naquela época, até hoje existente nas vazantes do povoado, porém em menor quantidade, que no início do século XX, cujo caule apresentava na base do espículo uma estrutura protuberante semelhante a um calombo, a qual deu origem ao topônimo Calumbi.

O Calumbi fica num vale entre serras, às margens da Lagoa Bonita e do Charcão, um vilarejo que até o final da década de 1960 ainda detinha uma mata densa e verdejante constituída por madeiras de lei tais como: aroeira-vermelha, pau-d'arco, maçaranduba, cedro e árvores frutíferas nativas da Região dos Cocais do Maranhão.

Enfim, o donatário das terras calumbienses, não perdeu a vida por causa da reclamação de reintegração de posse das terras do vilarejo presidutrense, mas não obteve êxito na sua ação de despejo, porque a justiça maranhense deu ganho de causa aos moradores de Calumbi, que ali já viviam, há mais de 50 anos por usucapião.

(*) José Alcenor Vieira de Araújo (JAVA), é Farmacêutico, poeta e cronista.

 


 

domingo, 7 de fevereiro de 2021

É TRISTE SENTIR SAUDADE SEM PODER DIZER DE QUEM.

Imagem extraída do site Aprendendo a Amar

 

Francisco de ALMEIDA, é membro da Advocacia Geral da União (Advogado da União de Categoria Especial), pertencente à Academia Piauiense de Literatura de Cordel – APLC.

 

1 - A saudade é ver navio

Com olhos do coração,

Parecendo devoção

Com devaneios a fio,

Acompanhados de frio,

Sempre lembrando de alguém

Que é tudo que nos convém,

Como se fosse verdade.

É TRISTE SENTIR SAUDADE

SEM PODER DIZER DE QUEM.

 

2 - Detém nome e sobrenome

Possui rosto, cheiro e gosto

E nos mata de desgosto;

Não deixando sentir fome,

Engasga-se quando come;

Nossa mente fica além

Como se fosse armazém

De tudo com igualdade.

É TRISTE SENTIR SAUDADE

SEM PODER DIZER DE QUEM.

 

3 - A saudade é o que fica

Daquilo que não ficou,

Talvez nos abandonou...

Porém, algo petrifica

Como se fosse uma bica

Que só tristeza contém

Em um constante vaivém

Numa dura eternidade.

É TRISTE SENTIR SAUDADE

SEM PODER DIZER DE QUEM.

 

4 - É muito silenciosa;

Adora uma calmaria,

Quer à noite ou seja ao dia,

Porém, sempre imperiosa,

Uma lembrança mimosa

Que seu domínio mantém,

Não obedece a ninguém

Fazendo perversidade.

É TRISTE SENTIR SAUDADE

SEM PODER DIZER DE QUEM.

 

5 - Diz-se parenta do amor,

Porém, este não maltrata

Sendo grande diplomata;

Ela nos faz sentir dor

Tornando-nos sofredor;

O amor não faz desdém

E maior que ele não tem;

Ela traz ansiedade.

É TRISTE SENTIR SAUDADE

SEM PODER DIZER DE QUEM.

 

6 - Quando se pode falar

Com certeza, ameniza;

Por outro lado, eterniza

Se proibido contar;

Não poder desabafar,

Transforma-nos em xerém

Triturado por um trem

Sem nenhuma piedade.

É TRISTE SENTIR SAUDADE

SEM PODER DIZER DE QUEM.