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| Visita de alguns calumbienses "paulistas" ao Povoado | |
(José Alcenor Vieira de Araújo - JAVA)*
O Povoado de Calumbi fica à 13 e 16 km das cidades de Presidente Dutra e Dom Pedro do Maranhão, respectivamente. A distância entre os municípios acima citados, portanto, é de 29 km, em linha reta, pela BR-135. Conforme estimativas do IBGE de 2018, a população do respectivo Distrito Municipal de Presidente Dutra era de 2.400 habitantes. Ocupa uma área de, aproximadamente, 50 km2, densidade demográfica de 48 hab./km2, PIB R$ 5.280.000,00 (IBGE/2008), renda per capta de R$ 2.200,00 (IBGE/2008) e IDH de 0,624 (PNUD/2000), médio, altitude 112 m, clima tropical e fuso horário de Brasília (UTC - 3).
Ainda, conforme, informações do IBGE de 2018 é um dos maiores distritos do município brasileiro de Presidente Dutra do estado do Maranhão, possuindo como regiões limítrofes ao Norte a Serra Verde e ao Sul a Serra da Palma.
No dia 21 de julho de 1906, o senhor João Ferreira do Rosa, chegou ao hoje denominado Calumbi. Segundo informações orais de antigos moradores do respectivo povoado esse cidadão era um retirante nordestino de origem cearense expulso pela seca intensa que assolava o Ceará no início do século XX. João do Rosa, como era conhecido por todos da Vila, fixou sua morada na hoje denominada rua dos Imídios, ali vivendo até sua morte natural na primeira metade da década de 1970.
As terras desse povoado pertenciam ao cidadão Mário Pereira Leite cuja propriedade dizia ter recebido dos seus pais que, por sua vez, as haviam adquirido dos seus progenitores, hereditariamente, através do antigo sistema de transferência de propriedades denominado Sesmaria do então presidente da província do Maranhão em troca de apoio político. Para quem não sabe, com a adoção do sistema de sesmaria, a Coroa Portuguesa pretendia cultivar as terras de sua colônia na América e povoar o novo território recém-conhecido. Sesmaria era um lote de terras distribuído a um beneficiário, em nome do rei de Portugal, que tinha como objetivo primordial cultivar terras virgens.
Contudo os avós e os pais, bem como o próprio Mário Pereira nunca tomaram posse dessas terras que lhes foram concedidas pelo estado do Maranhão, até o dia em que soube que a sua herança havia sido invadida e povoada pelos primeiros moradores do Calumbi, a saber: João Ferreira Rosa, Gentil Barros, José Imídio, Nonato Cipião, Otávio Dias, Nena Cardoso, Família Inocêncio e Abílio Vila Nova.
Apesar das terras da apontada localidade já haverem sido cercadas, beneficiadas com cercas, fazendas, plantação de arroz, feijão, algodão, fava, cana-de-açúcar e outras culturas, o senhor Mário Pereira Leite, apareceu para reclamar a sua reintegração de posse, com uma pasta valise preta, à tira colo, cheia de mapas e documentos comprobatórios que provavam que as terras eram suas, todavia os moradores do lugar que então já possuía uma população bastante expressiva para o tamanho territorial do povoado – em torno de uns 1500 habitantes - rebelaram-se contra o senhor das terras de Calumbi.
O autor deste texto ainda era criança, porém lembra muito bem que naquele dia fatídico dos anos 1970, se o senhor Mário Pereira Leite não tivesse sido retirado dali pelos seus "assessores", Gentil Barros, um dos moradores mais exaltados do povoado, teria lhe "passado a pólvora", pois ele assim bradava ao proprietário das terras do Calumbi: "vem, Mário Pereira, tomar as minhas terras que eu vou matar você!”
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| Vice-Prefeito Jaime Vieira e Raimundo Fernandes, representantes do Calumbi |
Atualmente, o vilarejo em comento não tem nenhuma liderança política, como no passado que foi representada por Jaime Ferreira de Araújo, que foi suplente de Vereador de 1970 até 1972 e Vice-Prefeito de 1973 a 1977, Raimundo Fernandes, que, apesar de aparecer na fotografia acima como edil, no mesmo período em que o meu pai foi Vice de Valeriano Américo de Oliveira, eu não encontrei nenhum documento que comprovasse a sua eleição ao respectivo cargo, porém o seu filho Gilvan Guedes Fernandes foi Vereador de 1983 a 1987. De acordo com informações dos antigos moradores do vilarejo em apreço o seu nome nasceu de uma vegetação espinhosa e abundante, naquela época, até hoje existente nas vazantes do povoado, porém em menor quantidade, que no início do século XX, cujo caule apresentava na base do espículo uma estrutura protuberante semelhante a um calombo, a qual deu origem ao topônimo Calumbi.
O Calumbi fica num vale entre serras, às margens da Lagoa Bonita e do Charcão, um vilarejo que até o final da década de 1960 ainda detinha uma mata densa e verdejante constituída por madeiras de lei tais como: aroeira-vermelha, pau-d'arco, maçaranduba, cedro e árvores frutíferas nativas da Região dos Cocais do Maranhão.
Enfim, o donatário das terras calumbienses, não perdeu a vida por causa da reclamação de reintegração de posse das terras do vilarejo presidutrense, mas não obteve êxito na sua ação de despejo, porque a justiça maranhense deu ganho de causa aos moradores de Calumbi, que ali já viviam, há mais de 50 anos por usucapião.
(*) José Alcenor Vieira de Araújo (JAVA), é Farmacêutico, poeta e cronista.


