terça-feira, 17 de outubro de 2017

De José de Freitas ao Arco-íris

Casal charmoso apreciando o verde do Sítio Arco-íris



Elmar Carvalho*

Atendendo convite do amigo Raimundo Lima, escritor e juiz aposentado, fui, em companhia de Fátima e minha irmã Maria José, visitar o seu sítio, localizado a 20 quilômetros da cidade de José de Freitas. Procurei sair cedo, para ter tempo de dar uma volta em seus diferentes logradouros, praças e ruas, a fim de recordar os tempos ditosos em que nela morei, quando tinha 14 anos de idade, e tudo me sorria, e a esperança habitava meu jovem peito. Como no dizer do poeta, as graças me iam à frente espalhando rosas e a estrada era verdejante e florida.

Primeiro revi o morro, no centro da cidade, que na época não tinha nome. Era simplesmente o morro, em cujo cimo se erguia um pequeno Cristo Redentor, de acolhedores braços abertos. Muitos anos depois, passaram a chama-lo de “do Fidié”, herói português; eu prefiro chamá-lo de Morro do Livramento, em homenagem ao antigo nome da cidade e às nossas lutas libertárias.

Não era poluído, como hoje, por várias antenas de telecomunicações. Eu o escalava por quase todos os lados, em companhia do Carlos, do Itamar e outros colegas de traquinagens. Quase nunca usávamos a escadaria. Quando precisei usá-la, aos 50 anos, o fiz de forma açodada, estugando os passos; mas logo senti o impacto da idade, e tive de me conter, para recuperar o fôlego. Era o prelúdio da velhice que já me acenava.

A santa – Nossa Senhora do Carmo, que eu pensava ser a do Livramento, padroeira da pequena e aprazível urbe – em seu imaculado manto branco nos acolhia. Ficávamos a seus pés, a conversar, enquanto olhávamos a paisagem ao longe e o movimento da cidade, então ainda pequena, pacata, mimosa e bucólica. Consternado, observei que a bela escultura apresentava uma crosta escura, não sei se apenas sujeira, ou se moradas de insetos, como cupins ou marimbondos, de fogo ou não. Urge que o poder público municipal ou a paróquia faça alguma coisa, para que esse belo patrimônio artístico não se arruíne de forma definitiva e irreparável. Ainda mais que é uma obra do grande escultor Murilo Couto.

Indo em direção à casa em que morei, perto da de dona Irá, mãe do Carlos, do Chico, do Nando e do Nonato, passei pelo teatro, que foi restaurado. Não sei a frequência com que é utilizado em apresentações artísticas e teatrais. Mas em 1970 ali cantaram Valdick Soriano e o piracuruquense Roberto Müller. Na frente havia o clube social e dançante, que já não existe.

Perto, mais precisamente na frente do cemitério velho, dito dos ricos, havia um campo de futebol, que ajudei a fazer, com o apoio do padre Deusdete Craveiro de Melo e o auxílio de garotos, meus colegas e vizinhos. Invadido pelas casas, não mais existe. Existe ainda a igreja de São Francisco, então inativa, e hoje restaurada e em pleno funcionamento. Foi construída por Cândida Cunha, uma das habitantes do pequenino campo santo, consoante li, menino, em sua lápide.

Para minha consternação, a casa em que morei, abandonada pelos proprietários, talvez em face de interminável inventário, já começa a se transformar em escombro. Perto dela ficava outro campinho de futebol, onde joguei diariamente, na posição de goleiro, que era favorecida pela areia fofa que então existia. Ali, garoto franzino, eu me esticava em ornamentais “voadas”, a imitar o Félix Miéli Venerando, o Beroso e o Coló. Era cercado por grandes e frondosas fruteiras. Também não mais existe, tomado que foi por residências e cercados. A casa e oficina de Zezé Barros, o melhor marceneiro de José de Freitas, lhe ficava defronte. Era ele um dos peladeiros, conquanto fosse bem mais velho que nós outros, moleques dos arredores.  

Resolvi dar uma olhada no cemitério e no estádio, que tantas vezes vi em minha infância. São contíguos. Para minha profunda tristeza e decepção, a praça esportiva, que pensei ter passado por melhoramentos, está em situação deplorável, com o muro bastante deteriorado. O cemitério, ao menos no momento em que o contornei, tinha o aspecto de que fora esquecido pelo próprio esquecimento, como nos versos de Jorge de Lima. Abandonado talvez mesmo pela morte, a quem deve servir.

Retornando ao centro da cidade, vi o prédio onde outrora funcionou a famosa Casa Almendra, fundada pelo patriarca José de (Almendra) Freitas. Tinha várias filiais, e era uma das maiores firmas do Piauí em seu ramo de atividade. Algumas vezes vi o senhor Ferdinand Freitas em seu interior, em seus afazeres. Nessa época, idos de 1970, ela só possuía uma sucursal, em Teresina, se não incorro em equívoco. Para aumentar a minha nostalgia o Bar Glória, orgulho dos freitenses, esvaiu-se no tempo, e já não ostenta a sua glória passada, o moderno balcão frigorífico e seus saborosos picolés.

Emocionado com tantas lembranças, me pareceu enxergar o vulto do padre Deusdete, vestido em sua batina, entre as naves da velha matriz. E como arremate dessas lembranças contemplei o Ginásio Moderno Estadual Antônio Freitas, onde fiz o segundo ano ginasial na época em que o Brasil ganhou o tricampeonato mundial de futebol.

Recordei meus colegas e mestres. Nomeio alguns de meus velhos professores: Pe. Deusdete, Sebastião (colega de meu pai nos Correios), José Acélio Correia (gerente do BEP) e a professora Durvalina Pereira dos Santos, que apesar de promotora de Justiça e de lecionar matemática, que sempre foi um bicho papão, jamais intimidava ou amedrontava seus alunos, como era um vezo dos professores de matemática da época.

Entre os alunos (e contando, confesso, com a ajuda do amigo Francisco Costa, radialista e fiscal da SEFAZ, de elefantina memória) cito: Zé Bacharel (da família Chaves, vereador em várias legislaturas), Farias, Edmilson e Carlos Leite, João Rocha, Paulo Paiva e José Nascimento (Zé Rosinha), recentemente falecido, que veio a se formar em medicina. Sem dúvida, cada um seguiu o caminho que lhe coube percorrer, embora eu os tenha perdido de vista nas muitas esquinas e desvãos da vida e do tempo.

Feita esta última e sacra estação em busca do tempo perdido nos esconderijos de um passado de mais de quatro décadas, fui à procura do pote de ouro no Arco-Íris, sítio dos amigos Raimundo Lima e Benedita, juízes aposentados.

Quando Raimundo adquiriu essa fazenda, pediu algumas sugestões para lhe mudar a designação. Por ser poeta e admirador de Manuel Bandeira, sugeri-lhe “Pasárgada”, título de um belo poema do velho bardo e nome da velha cidade persa de Ciro, e “Vale do Marataoã”, por ficar à margem esquerda do histórico rio, outrora integrante do topônimo da ancestral cidade de Barras.

Ao chegar, foi que fiquei sabendo: ia ser comemorado o aniversário do bravo Raimundo. Não irei revelar de quantos anos. Foi uma linda festa, sem som volumoso e estridente, e sem cachaçada. Os irmãos, primos, sobrinhos, tios, genros e noras se estimavam, mas não houve necessidade de selfie. À sombra do alpendre e de um pé de mama-cachorro, personagem do livro infanto-juvenil do dono da casa, mantive uma agradável palestra com este, com o irmão Josué Bonfim e José Pedro Araújo.

Antes do almoço o Lívio Bonfim, casado com Lara Larissa, romancista e cronista, filha dos donos da casa, proferiu uma bela oração de agradecimento a Deus, por todas as dádivas recebidas, inclusive o alimento, que, por sinal, foi um manjar digno de deuses da gastronomia. E que me fez pecar, tal a gula de que fui justamente acometido.

*Elmar Carvalho é juiz aposentado, poeta, romancista e membro da APL.

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Diário de Fralda (Parte 31)



(Empolgado com o nascimento da sua primeira filhinha, papai Bruno começou uma brincadeira que logo caiu no gosto de todos: a produção de um diário que ele convencionou chamar de “Diário de Fralda”. Diante disso, o blog resolveu publicar semanalmente o depoimento da Lavínia que, em último caso, vem a ser a netinha do coordenador do Folhas Avulsas).


SEMANA 34 – Ôba! Tem gente chegando à trupe de aventureiros!


(Bruno Giordano)


250º DIA: “Começamos novamente os planejamentos de todas as aventuras que tenho que participar antes do dia 365... Já estou pensando em mudar para outros planetas onde os dias duram mais e ter tempo para realizar tudo que desejo!” - Lavínia, a rosinha!

251º DIA: “Estava pendurada em um penhasco, segurando minha loba gigante apenas com um braço, sem saber de onde tirar forças... Mas não poderia perder minha melhor amiga ali, então dei tudo de mim ... Puxei-a para cima utilizando a ponta dos meus dedos ... E um pouco de poder Jedi! Ufa! Por isso nos disseram que seria melhor subir o Everest com uma equipe! Mas não quis chamar minha genitora e meu servo careca ... Era para ser uma coisa só minha e da Amarula! Mas o que quase seria uma tragédia serviu para estreitar ainda mais nossos laços!" - Lavínia, a vertical radical!

252º DIA: “Minha parceira de passeios e ensaios vocais noturnos, Genitora, resolveu que devemos incrementar um pouco nosso chá das cinco... Não estou falando de comida, mas bem que poderia! Mas sim de um pouco de chiqueza, pois glamour nunca faz mal! Curti! Mas percebi que preciso urgentemente "reforçar" meu guarda roupas KKK!” - Lavínia, a glamourosa!

253º DIA: “Aproveitei o sábado para visitar Tio Barba Negra e tia Luxor... Achei estranho o fato de eles terem uma lontra como animal de estimação. Mas, ei, quem sou eu pra julgar! Kkkk! Adorei o estilo. Passear é preciso, viver é preciso!” - Lavínia, a Matilda!

254º DIA: “Já me sinto uma Ludovicense.. não posso passar um domingo sem um banho de mar e uma água de coco... Talvez seja também pelo fato de que já fui uma sereia ... Mas deixei isso pra trás.. o mar não tem estado pra peixe kkkk!” - Lavínia, a pequena sereia!

255º DIA: “Pronta pra enfrentar o império galáctico, nada me fará temer... Meu amigo wookie escondido e meu droid de protocolo a mão, passarei despercebida como apenas mais uma princesa indefesa!” - Lavínia, a Ogana!

257º DIA: “Descobrimos que a tia Luxor e o Tio Barba Negra estão trazendo outro aventureiro(a) para o mundo exterior .. já estou ansiosa.. a equipe da expedição cresce! Que dia feliz! Que dia feliz!” - Lavínia, a ótima prima!


terça-feira, 10 de outubro de 2017

O SUICÍDIO DO ENTALHADOR DE PORTAS DE IGREJA

Porta principal da Igreja de São Benedito - Teresina/PI



(Chico Acoram Araújo)*

                No decorrer de 2012 tive a grata satisfação de colecionar encartes do “Jornal O Dia” com o título TERESINA 160 ANOS, organizado pelo ilustre professor, historiador e cronista Fonseca Neto. Esses encartes, que acompanhavam as edições do citado jornal das quartas-feiras e domingos, enfocavam histórias sobre a nossa querida cidade de Teresina desde que foi fundada por Conselheiro Saraiva, tendo como pano de fundo, notícias do Brasil e do mundo a partir do ano de 1850 até a primeira década do ano de 2000.
                Li, de forma efusiva, todas as histórias da capital do Piauí contadas nesse precioso livro composto de encartes do Jornal, que até então as conhecia superficialmente, ou desconhecia totalmente. Mas, dentre essas importantes histórias, uma me chamou mais atenção: aquela do encarte de folhas 99 e 100, com o título “Sebastião: paixão e morte na Benedita Matriz”. Segundo o organizador dos encates, Sebastião Mendes foi o escultor de cinco das sete portas da igreja de São Benedito, obras essas tombadas pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Fonseca salienta ainda que ele foi um artista talentoso, um homem cheio de fé, e marcado por uma tragédia.
                  Na Chapada do Corisco, na margem direita do rio Parnaíba, despontava uma auspiciosa urbe; a nova capital da Província do Piauí, fundada pelo jovem presidente José Antônio Saraiva no ano de 1852. O contorno urbano da cidade começava a emoldurar-se sob a batuta do mestre de obras João Isidoro da Silva França, o grande arquiteto da construção da cidade de Teresina. A igreja do Amparo foi a primeira edificação da cidade, cuja capela-mor foi inaugurada em 25 de dezembro de 1852, portanto o marco zero de Teresina. Daí em diante outras importantes obras públicas foram erigidas. A igreja das Dores foi o segundo templo construído em Teresina, em 1865. Muitas ruas foram surgindo: Rua do Barrocão (hoje, José dos Santos e Silva), Rua da Chapada (Tiradentes), Estrada Nova (Rua Rui Barbosa), Rua Glória (Lizandro Nogueira), Praça da Constituição (Praça Deodoro ou da Bandeira) e muitos outros logradouros.
                Em 1874 chega a Teresina frei Serafim de Catania, padre franciscano de origem italiana com formação em arquitetura. Sob sua orientação, e pelo trabalho da comunidade de escravos e das famílias humildes, bem como das contribuições dos ricos da cidade e proprietários de terras, inicia-se, em 1874, a construção do terceiro templo católico de Teresina, a majestosa igreja de São Benedito. Escolheram para a sua localização, o alto da Jurubeba, ao lado de um cemitério onde se enterravam pobres, escravos e mendigos; os ricos, por sua vez, eram sepultados no cemitério São José, na zona norte da cidade. A construção da igreja transcorreu de forma complicada em decorrência da grande epidemia de varíola ocorrida em 1875, e também em razão da grande seca de 1877 a 1879. A conclusão do templo somente veio acontecer 12 anos depois, em 03 de julho de 1886.
                É dentro desse cenário de Teresina dos anos oitocentistas, e inspirado nas informações do emérito professor Fonseca Neto e da mestranda Katiuscy da Rocha Lopes (item 2.3.2 da Dissertação apresentada ao curso de Mestrado Profissional do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), que resolvi recordar um pouco a história de Sebastião Mendes de Sousa, o genial escultor piauiense que entalhou as famosas portas da igreja de São Benedito. Cabe salientar que, conforme esclarece o precitado professor, a história sobre Sebastião Mendes nunca foi escrita, sendo conhecida em Teresina através de várias gerações, ou seja “passando de bocas a ouvidos e destes a outras bocas”.  No entanto, enfatiza ele, existem na literatura piauiense breves citações de cronistas da época dando notícias sobre esse importante escultor. Por exemplo, Celso Filho diz que é um engano atribuir os trabalhos das portas da igreja de São Benedito ao famoso mestre Aleijadinho, e que a obra foi verdadeiramente realizada por Sebastião Mendes. Esse cronista diz ainda que Sebastião morou, entre 1875 a 1878, no quarto dos caixeiros da Casa Comercial do Barão de Urussuí (Coronel João da Cruz Santos), onde deu aulas de logaritmos, aritmética e progressões a Higino Cunha, que consignou o fato em suas Memórias. Outro cronista da época que cita o anônimo artista é o memorialista Elias Martins. Em sua monografia “Frei Serafim de Catania”, Elias declara que Sebastião Mendes fora um “artista célebre”, “nascido em terras do Piauí”, e que morreu “desastradamente ainda no florescer da idade”. De outra parte, Katiuscy Lopes em sua dissertação transcreve a Resolução 630, publicada em 18 de agosto de 1868, assinada pelo Vice-Presidente da província do Piauí, José Manuel de Freitas, autorizando despender anualmente, durante quatro anos, a quantia de um conto de réis com a subvenção prestada a Sebastião Mendes de Sousa e Philomeno Jullef Portela Richards, para cursarem os estudos de belas artes, em qualquer Província do Império. Essa Resolução estabelece ainda que o pensionista Philomeno Jullef se aplicaria ao ramo da pintura, e o pensionista Sebastião Mendes ao de escultura.
                Mas, antes disso, nos idos anos de 1860, o pequeno Sebastião já andava perambulando pelas ruas da nova capital da Província do Piauí vendendo peças artesanais que ele mesmo produzia. Revelou-se genial na arte esculpir figuras, imagens e gravuras em madeira, buriti e outros materiais. Os habitantes da cidade ficavam maravilhados com a genialidade do garoto que tinha apenas dez anos de idade. Fonseca registra que Sebastião era um santeiro por excelência. “Entalhava um rosto qualquer numa velocidade e com tanta graça que a todos causava grande admiração”, diz o eminente historiador.
                Por sua vez, Katiuscy Lopes cita que Sebastião Mendes teve, com o apoio de amigos do seu tio, a oportunidade de mostrar ao presidente da província do Piauí, as peças que tinha produzido. Informação aditada pelo ilustre professor Fonseca Neto ao relembrar que, ainda no gabinete do palácio, deram ao escultor um pedaço de madeira para que ele esculpisse o rosto do presidente, o qual ficou muito admirado quando viu sua efígie naquele pedaço madeira. Esse fato ensejou, tempos depois, que o jovem artista recebesse da província do Piauí uma bolsa anual por quatro anos para estudar na Academia Imperial de Belas Artes, no Estado do Rio de Janeiro, conforme afirma Katiuscy.
                De volta Teresina, o presidente da província encomenda ao recém-formado na Escola de Belas Artes do Rio Janeiro para cinzelar as sete portas da igreja São Benedito que estava em fase final de conclusão da obra. É provável que autoridade tenha convidado Sebastião Mendes para realizar o nobre trabalho para compensar a subvenção que tinha recebido do governo, e, obviamente, pelo fato de ser ele um excelente escultor. Sebastião aceita o desafio, e começa a esculpir as portas, ali mesmo na igreja, com todo esmero e primor artístico da época.
                Fonseca Neto relata, por fim, que Sebastião Mendes não chegou a concluir o conjunto das sete portas encomendadas por conta de um relacionamento amoroso frustrado que o levou a tirar a própria vida, no ano de 1886. E por conta do infausto acontecimento, apenas cinco portas foram talhadas, e mostram os traços artísticos do brilhante escultor, com detalhes almofadados e motivos de folhas e flores. As outras duas portas restantes foram feitas por outro entalhador de nome não conhecido, que imitou os traços das outras portas esculpidas por Sebastião Mendes.
                Sobre o suicídio, o professor nos relata que Sebastião, rapaz negro e de origem humilde, se apaixonara por uma bela jovem pertencente a uma aristocrática família de Teresina. Às escondidas, os dois enamoram-se. Não por muito tempo. O namoro chegou ao conhecimento dos pais da moça, que, ao tomar conhecimento da relação, tomaram a decisão de encaminhar a filha para o distante sul do país. O pobre rapaz, quando soube da partida da sua amada, acometeu-se de uma imensa desilusão e sofrimento, fato que o levou a cometer suicídio.
                Como foi dito anteriormente, da história desse grande escultor piauiense, muito pouco se sabe, pois jamais foi escrita. O pouco que se conhece a respeito desse notável artista decorre de informações passadas e difundidas por anônimos ao longo de várias décadas. As razões para tanto se deve, segundo Fonseca Neto, ao fato de ser ele negro, pobre, e por ter ceifado a própria vida. Portanto, foi escolhido para ser esquecido. A biografia desse ilustre piauiense precisa ser resgatada, enfatiza o nobre historiador.
               
*Chico Acoram é contador, funcionário público federal e cronista.                 
               

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Diário de Fralda (Parte 30)



(Empolgado com o nascimento da sua primeira filhinha, papai Bruno começou uma brincadeira que logo caiu no gosto de todos: a produção de um diário que ele convencionou chamar de “Diário de Fralda”. Diante disso, o blog resolveu publicar semanalmente o depoimento da Lavínia que, em último caso, vem a ser a netinha do coordenador do Folhas Avulsas).


SEMANA 33 – Finalmente a equipe estará completa!


(Bruno Giordano)


243º DIA: “Agora sei como Sansão se sentiu ao ter suas madeixas cortadas! Bem diferente! Mas se acharam que eu fiquei sem forças se enganaram! eu fiquei mais elétrica!” Lavínia, a Chanel!

244º DIA: “O tempo realmente voa enquanto estamos nos divertindo e anda devagar quando estamos ansiosos! Chega logo sábado! Enquanto isso vou me divertindo com minha genitora... Acho que o bichinho da bagunça (servo careca) andou mordendo ela kkk!” - Lavínia, a comportada!

245º DIA: “Estou começando a me acostumar com meu novo visual... Esse penteado funcional ficou ótimo para minha vida de aventureira! - Lavínia, a francesinha!”

246º DIA: “Final de semana chegou! Estava pensando em dar uma passada, mas a vida de anjo da guarda não tem sossego... O servo careca ia correr então tive que acompanhá-lo... mas pelo menos depois pude shoppear com minha genitora.. olha genitora... Uma Arezzo!!!” - Lavínia, a anjinha da guarda!

247º DIA: “Vendo esse pôr-do-sol lembrei que não terminei de contar minha aventura no Egito... Mas vai continuar em outro dia ... Hoje eu só quero curtir essa paisagem e o meu servo careca!” - Lavínia, a procrastinadora!

248º DIA: “Cada uma tem a princesa que lhe apetece.. algumas escolhem a bela adormecida (provavelmente por terem insônia) outras preferem a Bela (pois nunca tiveram um lobo gigante para chamar de seu)! Eu prefiro a princesa Deadpool, a mercenária tagarela! Próxima missão ... - Lavínia, a hiredgun!”

249º DIA: “Já estou extremamente entusiasmada com esse mês! Recebi uma carta dizendo que o servo careca foi liberado do serviço obrigatório na terra do sol e foi lotado na ilha do amor! Agora sim, nosso quadrado mágico está completo!” - Lavínia, a entusiasmada!