sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

(IR)REAL





Elmar Carvalho
Poeta, juiz aposentado, cronista, membro da Academia Piauiense de Letras e coordenador do blog do Poeta Elmar(poetaelmar.blospot.com.br)

Eu busco as
mais loucas sinestesias
em minha mente alucinada,
onde as cores aromáticas
se agregam a sons macios,
misturados com aromas térmicos.
A loucura vem do cosmo
em taças de cristal com sangue,
em aortas com água,
na alucinação total
de um homem que
se diz lúcido.
Na noite calma
um cão ladra
na solidão de
luzes irreais de
um cemitério de
cruzes partidas e
de esqueletos quebrados.
(E outro cão
responde em mim.)
De repente, eu levito
e me deixo transportar
em êxtase ao
país dos mortos-vivos
e lá eu vejo todos os mortos
e todos os vivos como simples
mortos-vivos.
Depois, eu me sinto preso
em todos os extremos do Universo
e sinto que conquistei
a liberdade cósmica,
pregado no infinito.

           Parnaíba, 24.11.77 

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Meu Pé de Acerola

Imagem do Google



Lara Larissa
Escritora, jornalista, advogada , funcionária do TJ Piauí e coordenadora do site “Palavras pra Beber”(www.palavrasprabeber.com).

Ele está no quintal, sempre coberto de flores e frutos.

Resistiu ao tempo de seca  quando a casa estava desabitada. Bastou uma poda e alguns cuidados para ele despontar com uma cor vibrante.

Hoje mata nossa sede com um suco saboroso, embeleza nossa área e oferece vitaminas  A, B1 (tiamina), B2 (riboflavina), B3 (niacina) e, principalmente, C…

É um só, mas produz com tanta eficiência que até estocamos sua polpa em nosso congelador.

Hoje mesmo mamãe levou uma vasilha cheia de seu sabor (ou seria amor?!).

Meu pé de acerola me faz pensar sobre minha vida. Será que tenho produzido frutos saborosos? Será que tenho feito alguma diferença positiva na vida das pessoas ao meu redor?! Minha ausência faz alguma falta?

Será que tenho perdido tempo demais pensando nos cuidados com que os outros deveriam me cercar para obterem minha disponibilidade e atenção?!

Devo admitir que não visito com frequência minha aceroleira, ainda assim ela continua produtiva e cheia de vida e eu cada vez mais cativada por ela…

Muitas vezes pensamos que nossa importância será maior se nos tornarmos mais ricos, mais poderosos e famosos; e menor, se baixarmos a cabeça, se nos desculparmos, se nos dedicarmos a alguém sem qualquer recompensa, se agirmos com simplicidade… Jesus vai na contra-mão, ao declarar que:

“Quem quiser tornar-se importante entre vocês deverá ser servo; e quem quiser ser o primeiro deverá ser escravo de todos.” Jo 15.5


Nelson Mandella vai na mesma linha quando afirma:


“É a diferença que fazemos nas vidas dos outros que determinará a importância da vida que levamos.”


Deus nos ajude a deixar de centrar tanto em nós mesmos e nos ajude a olhar ao redor! Que sua chuva de amor venha sobre nós para que possamos produzir frutos deliciosos em todas as estações.

Que possamos estar na Videira sempre!


“Eu sou a videira; vocês são os ramos. Se alguém permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; pois sem mim vocês não podem fazer coisa alguma”. Jo 15.5

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

MAIS UMA VEZ A AMIZADE PARTIDA





Cunha e Silva Filho
Ensaísta, crítico literário, cronista, tradutor e responsável pelo blog "As ideias no tempo".

           Volto à questão  transcendente da amizade no mundo de hoje. A minha discussão parte do seguinte princípio: o mundo atual, que já foi  atual  para outras gerações,  para outros  tempos históricos, é o dos isolamentos,   dos afastamentos  explícitos ou silenciosos,  sem uma razão  plausível. De repente, não mais que de repente,  como diria o  poetinha, uma pessoa, que julgávamos  ser nossa  amiga, sai de nosso convívio.

               Por convívio, significo  a troca  de notícias,  de uma linha que seja,  de um telefonema que seja,  de um e-mail que seja, de  alguém que   sai de nossa vista  ou vida  e não sabemos por que agiu assim. Sai  para outro lado qualquer. Sai para não mais se  congregar, ainda que virtualmente conosco, sai  pelo mero ato espontâneo de sair. Sai porque  saiu, sem explicação,  sem nada. Deixou apenas o silêncio que é uma forma de  separação,  de adeus,  de despedida  em vida, que é a pior e mais dolorosa, visto que deixa o sabor acre  do abandono, da indiferença, do descarte.

          Me pergunto: Por que o afastamento,  a falta de noticia,  o silêncio  voluntarioso? Será que a amizade tem validade? Eis uma  pergunta que  daria  espaço e duração  a discutir algum dia. Por vezes, sou forçado a afirmar que sim,   tem data  de validade. Os sinais são  já conhecido:  falta  de tempo,  falta  de saúde,  falta disso , falta daquilo e, se formos ver  o outro lado da história,  não  é nada disso,  É  ato voluntário,  ou motivado  por alguma razão  que desconhecemos, por um deslize nosso que cometemos ou  porque quis se livrar de nós por não  acharem  mais razão de prolongar  a convivência de perto, de longe,  de distâncias continentais, de tudo. 

          Acredito seja esse comportamento social uma característica da pós-modernidade que pauta seus  compromissos  pela imediatismo,  pela pressa,  pela falta de  dar uma paradinha e conversar com  alguém conhecido. Julgo que o espírito gregário  não mais se manifesta  como  outrora. Tudo se  modificou,  tudo  se esfumou, até as relações  interpessoais,  hoje mais  feitas  da virtualidades por força  da pressa e do frenesi  dos tempos que correm não sei  para onde.

            Ao percebermos que o outro lado  se  esquivou  da continuidade  do   relacionamento,  somos tentados a fazer  o mesmo, contaminados  pelo  mesmo   vírus  dos descartes  das pessoas  entre si.  Não vivemos mais  para os outros naquele sentido  antigo  que está completamente sepultado  da sociabilidade  hodierna.

                Não nego que em parte tenho culpa disso, mas os outros também têm o seu quinhão  de   culpa. Por procuraram apenas a vitória de si mesmos  é que talvez elas sejam  forçadas  a se  distanciarem de vez ou  pouco a pouco, até que não  sobra nada dos laços  passados. Sinal dos tempos! Talvez, mas que me deixa  perplexo,  descontente,   decepcionado.

             Ora,  essa  situação de isolamento  voluntário  ou  movido  por um ou outro motivo   parece prevalecer  agora. Foi pensando  nisso que  resolvi  dar uma   olhadela em torno do meu mundo afetivo do prisma  da amizade. Logo me convenci de  que  cada vez mais me senti com menos  amigos,  menos conhecidos,  e o que poderia chamar de “amigo” às vezes me dá a impressão de que não passa de uma  formalidade, de uma gentileza,  de um gesto automático.

            Será que  toda essa  separação   do espírito da amizade  vai perdendo força  com a chegada  da velhice ou é porque a verdadeira amizade não se forjou  com  toda a força  de suas prerrogativas de antanho?

       Vivemos os tempos  das superficialidades, até na  formação educativa e intelectual. A juventude sabe menos  do que há décadas no que concerne aos estudos  em profundidade. As humanidades estão rareando. Um conhecido  há dias me fez um comentário: “Meus alunos estão menos preparados, têm menos leitura, têm menos conhecimentos. Os cursos estão mais fracos,  mais flexíveis  e resistentes às exigências  profundas. 

          Muitas vezes  andando  pela cidade ou mesmo  pelo meu bairro  sempre muito  cheio de gente indo e vindo,  vejo  que  a única coisa que nos  torna filhos da mesma  pátria é a língua, mas não os indivíduos. Em toda os cantos do mundo,  as pessoas vão e vêm nas ruas. Somos iguais  nesse sentido  de movimentação, mas não somos  unidos.

         Todos  temos nossa  própria  vida e o desconhecido  na rua  talvez nunca mais  o veremos. O sentimento de pátria  não é mais o mesmo. Somos todos  ilhas  pessoais  diante dos outros  que não nos veem mais, que passam  céleres em sua  tremenda  individualidade, na solidão das ruas  das grandes urbes. 

       O que me faz  refletir: a pátria  é uma abstração. Só  sentimos que  existe  quando  há o encontro  casual  de duas pessoas. Por isso,  o motivo de tanta carência  de comunicação  num mundo  em que a comunicação, por contradição,   passa a ser prioridade  entre os habitantes da Terra. 

    No entanto,  como somos sozinhos,  jogados  na multidão, na anomia dos isolados, dos esquecidos,  só nos restando adaptarmos, contra a nossa vontade,  a  esse comportamento coletivo  individualizado (com o perdão  do oximoro).

      Esse não é o mundo que  gostaria de ter, ou seja,  o mundo das  divisões,  das desigualdades,  dos confrontos entre irmãos, entre “amigos,”  entre países,  entre partidos,   entre ideologias,  entre religiões em guerra  declarada  ou  silenciosa. Mundo amorfo,  sem graças por lhe escassear  o calor  humano  há tanto tempo  sepultado em nossas dita  civilização contemporânea.

      Ora,  direi sem rebuços,  com tanta  ausência de humanidade,  de amizade  fraterna  não é de se   estranhar  que  as interações  pessoais sejam  duradouras. Tempo de validade   é a medida de nosso sentimento  de amizade. Tenho, agora, que conviver cm isso, de assimilar  o que  detesto, de  conviver   na hipocrisia   da sociedade  sem rumo, a caminho de não sei o quê, mas desejando  viver intensamente  o hic et nunc (Tristão de Athayde) como   o pensamento da infância. O presente é o primado  do  existir,  do estar vivo. Só isso importa,  tem peso entre os contemporâneos. O passado? O futuro?    Ninguém quer dele saber. Já basta o carpe diem. O futuro fica para depois. Só a Deus pertence.

    Em meio ao primado do presente,  tão característico  de nossos  dias, o sentimento da amizade tenderá  a sofrer  inflexão, a piorar,  a enfraquecer ou  apagar os últimos  resquícios  dos laços de amizade, que se esgarçaram  por outros  motivos  inconfessáveis,    perdidas que  estão as pessoas  envoltas na sua auto-centralidade individualista, na luta  pela vida, pelo sucesso, pelas luzes da ribalta, pelos holofotes,  pela  pressa  de um  alcance além das estrelas, dos astros em geral  no  espaço, segundo os cientistas,   crescente  do Universo.A amizade? Ora bolas,  acabou na  data de  validade.    

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Presidente Dutra Participa do VI Campeonato Intermunicipal de 1956

Manchete do jornal O Combate - 26/07/1956



José Pedro Araújo

Quando pesquisava nas bibliotecas, Arquivo Público e até em velhos jornais para a confecção do meu livro “De Presidente Dutra ao Curador – história, personalidades e fatos”, fui surpreendido com muitos fatos que nem de longe tinha conhecimento. No capítulo destinado ao esporte local, por exemplo, tomei conhecimento sobre os dois primeiros times de futebol organizados no velho Curador de então: o Teresita e o Santa Cruz. Recordei-me de pronto do meu pai brincando com o tio Zeca Barros, chamando-o de “craque do Teresita”. Presenciei isso muita vezes, mas não tive a curiosidade de pergunta-lhe o porquê da brincadeira. Depois, como já me referi acima, fiquei sabendo dos times que primeiramente se formaram no Curador ainda vila. E a minha principal fonte de informação, pasmem, foi minha tia Feliciana Nunes Guterres, hoje com noventa e nove anos, véspera de completar os cem. Lúcida como nunca vi ninguém, ela me contou em detalhes que era torcedora do Teresita, em cujo time jogava o seu irmão Zeca Barros. E foi em frente, afirmando que o Teresita jogava com camisas alvinegras, com listas alternadas verticalmente nas cores preta e branca, como as do Botafogo carioca. Seu principal e único adversário era o Santa Cruz, que trajava uniforme nas cores vermelha e branca, também em listas verticais.
Depois sai a cata de mais informações e procurei um dos craques do Teresita, Zeca Barros, ainda vivo, mas já com a memória um pouco comprometida, ao contrário da sua irmã. Mas mesmo assim, forneceu-me informações importantes na época, como a de que o craque do seu time era na verdade o José Almeida, que além de melhor jogador, também era o dono do time e quem confeccionava as chuteiras. Informou-me também que o outro time, o Santa Cruz, era de um rapaz chamado Bidoca Cunha, e que as partidas eram jogadas no campo de futebol da vila, situado no local em que se encontra o mercado central de PK. Descrevo tudo isso apesar dessas informações já se encontram no meu livro e de forma mais detalhadas. Durante as minhas pesquisas passei ao largo e não me deparei com uma informação muito importante sobre o futebol no município: a de que Presidente Dutra havia participado do Campeonato Intermunicipal de Futebol do ano de 1956. E pelo que me consta, a seleção jogou apenas uma partida e logo foi eliminada na primeira fase da competição.
Vou retornar um pouco na história para informar que nessa época havia um jornal oposicionista muito combativo, com o sugestivo nome de... O Combate. Foi nele que pesquei e obtive a informação sobre a tal participação da seleção de Presidente Dutra naquele certame. A partida aconteceu no antigo estádio Santa Isabel, também chamado de Estádio da Fabril, em São Luís, campo esportivo que antecedeu ao Estádio Municipal Nhozinho Santos. O adversário foi o selecionado de Rosário, e perdemos essa partida por 3 x 0, placar que não foi maior por conta das milagrosas defesas feitas pelo goleiro Gago. Aliás, o goleiro foi também o único jogador de Presidente Dutra que teve o nome registrado nas páginas do jornal. A partida ocorreu no dia 26/07/1956, durante o VI Torneio Intermunicipal de Futebol e, como já afirmava a edição daquele dia, a seleção rosariense era franca “favorita, embora a seleção de Presidente Dutra fosse uma boa equipe”.
No dia seguinte, 27/07, o jornal voltou a tratar sobre o jogo, afirmando que “predominou a fibra de Rosário. Embora enxertado(?), Presidente Dutra não conseguiu vencer a seleção de Rosário”. Afirmou ainda que o “encontro não chegou a empolgar o público que ali acorreu”. Aliás, poucos torcedores lá estiveram para assistir ao espetáculo que gerou uma renda de Cr$ 16.690,00 (dezesseis mil, seiscentos e noventa cruzeiros). Afirmava, por fim, que PK contava com vários jogadores da capital, mas que não chegou a empolgar o público presente. Entendi o porquê de o jornal ter informado que o escrete presidutrense estava “enxertado”.
Além de Presidente Dutra e Rosário, participaram ainda do VI Intermunicipal as seleções de Ipixuna, São Vicente Ferrer, Pindaré Mirim, Tutóia, Timon, Vitória do Mearim, Cururupu, Turiaçu, São Bento, Alcântara, Guimarães, Icatu e Bacabal. Guimarães se sagrou campeã do torneio vencendo a seleção de Icatu pelo placar de 4 x 2.



Velho estádio da Fábril, São Luís-MA.