sábado, 4 de julho de 2026

Saúde - nosso bem maior

 

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Luiz Thadeu Nunes e Silva (*)

 

Por onde ando, vivo repetindo, como um mantra, que estou gostando de envelhecer. Já escrevi crônicas, palestrei para diferentes plateias, em conversa com amigos em mesa de bar, sempre falo que no outono da vida estou mais confortável comigo. Que gostaria de ser esse Luiz Thadeu que sou hoje. Tenho mais segurança e estou mais à vontade com a versão atual. Muitos me questionaram sobre isso, outros me olham de soslaio, como a dizer: “inocente, não sabe de nada”.

Mas faço questão de fazer uma ressalva: que estou gostando de envelhecer pois a outra opção é a finitude; o encontro com a libitina.

Como envelhecer implica em uma série de mudanças no corpo, comigo não seria diferente. “Quem passou dos 50 anos e não tem dores, morreu”, li em um cartaz no balcão da drogaria. Aliás, drogaria, juntamente com supermercado, são os lugares que mais visito. Como só vou ao mesmo supermercado, já tenho até uma afilhada, que todas as vezes que me avista, levanta-se do caixa e me pede a benção. Mas essa é uma história que cabe em outra crônica.

Esses dias apareceu uma dor nova, concorrendo com as já existentes. Há dias que um desconforto nas costas, próximo aos rins, me tirava do sério. Se sento, dói; se ando, dói; se deito, dói. Com as dores antigas já tinha feito um pacto de boa convivência, com essa a coisa era diferente.

Após um dia de trabalho exaustivo, liguei para Rodrigo, o primogênito, se ele poderia acompanhar-me à emergência do hospital. Marcamos para irmos na manhã seguinte. Conforme combinado, apanhei-o no trabalho e fomos. Hospital cheio. Passei pela triagem, falei para a enfermeira de minha mazela: aferiu pressão, perguntou quais fármacos faço uso. Tudo registrado, me encaminhou para o balcão onde apresentei carteira de identidade e do plano de saúde. Colocaram pulseira com nome completo, CPF, data de nascimento. Sou encaminhado para outro setor, seguindo a linha verde no piso. Aguardo minha vez de ser atendido.

“Sr. Luiz Thadeu, sala 04”, ouço a voz que me conduz até a médica.

Entro e encontro uma jovem médica.

-Bom dia, doutora, gosto de ser atendido por médicas, acho as mulheres mais minuciosas, mais atentas.

-Obrigado. O que lhe traz até aqui, seu Luiz Thadeu?

-Dores intermitentes nas costas na altura dos rins.

-Quando começaram as dores?

-Três ou quatro dias.

-Deite aqui, deixe examiná-lo.

Ela aperta minha barriga

-Dói quando aperto ou quando deixo de pressionar?

-Quando deixa de pressionar.

-Pode ser apendicite.

-Vou lhe requisitar exames de sangue e tomografia para ver o que descobrimos.

Sou encaminhado para o setor de observação. Logo vem a técnica e pulsa minha veia, colhendo sangue para exames. Tempos depois o técnico em imagens chama meu nome, levando-me para a sala da tomografia.

No período de minha convalescência, após o grave acidente automobilístico que sofri em julho de 2003, todas as vezes que entro em um hospital, como paciente, as lembranças de minha via crucis voltam.

Feito a tomografia, volto para sala de observação.

Aguardo os resultados e sou encaminhado novamente para a sala da médica.

-Graças a Deus os resultados dos exames foram bons, não era nada demais. Sua coluna está desgastada por causa da idade. No mais, os seus exames estão ótimos.

Agradeci a atenção diferenciada da Dra. Geyse Aquino, que se mostrou humana, gentil e acolhedora. Quão bom encontrar profissionais da saúde com esse perfil.

Após cinco horas sem me alimentar, perguntei se poderia comer sem restrição.

-Sim, disse a médica.

Como não existe peça de reposição dos órgãos, o melhor é preservar os existentes.

Envelhecer é bom, mas dá trabalho.

Voltei para casa livre, leve e solto. Saúde é nosso bem maior.

(*)

Luiz Thadeu Nunes e Silva  é Jornalista, escritor, Globetrotter e Autor do livro “Das muletas fiz asas”.

Instagram: @luiz.thadeu

Facebook: Luiz Thadeu Silva


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