por Rosângela Sousa*
Na casa de meus queridos pais
Todos sempre apreciaram café
Cresci presenciando na roda
Tomar o preto, regra de fé.
De não ter nenhum vício
Mamãe sempre se vangloriava
Mas se sua bebida não ingeria
De dor de cabeça se queixava.
Papai, víamos, a mamãe venerava
Mas o amor do contraste se nutria
O café para ele era doce e frio
E tinha que ser fraco, ele dizia.
A mamãe detestava este modo
Assim, a bebida a lhe enternecer
Tinha que forte e amarga estar
E, mais ainda, bem quente ser.
Um dia tive gastrite confirmada
Que do café me roubou o prazer
Posto que o médico foi enfático
Esta bebida você pare de beber.
Logo para mim que deste preto
O mais decisivo e agradável feito
Era sempre propiciar entre nós
Encontro familiar mais que perfeito.
Oscar também sempre se deliciou
Com o insuperável sabor do café
De tão presente, em casa instalou
O aconchegante Canto do Tio Quelé.
Mesmo com tantos motivos
Para aquela bebida voltar a tomar
Fiquei firme até recentemente
E, pasmem, consegui me segurar.
Ocorre que no meu trabalho
Uma colega, dileta formosura
Resolveu com café me agraciar
Me oferecendo com rara doçura.
Junto a um cheiro inconfundível
Trouxe incontestável primor
Era uma deusa a me oferecer
Uma xícara recheada de amor.
A seguir argumento irretocável
Daquela garota fenomenal:
- Como esnobar o que até hoje
Só o meu marido tem igual?
Diante de tamanha cortesia
Ou incontestável nobreza
A minha relutância sucumbe
Para realçar a delicadeza.
E ao àquela bebida ingerir
E seu singular sabor provar
Pensei: - Que marido feliz
Por aquela mulher o brindar.
E assim desde àquele dia
Com frequência voltei a degustar
Do carinho que a Helena até então
Só ao marido resolvia premiar.
Pois um dos encantos da Helena é
Com o café do Araújo nos
brindar
Mais que o café a atenção
Ela transparece no olhar.
Para finalizar esta declaração
Outra colega decidiu me desafiar
A toda esta história esclarecer
Seu nome é Socorro, pode anotar.
Por tão singela solicitação
Não tenha dúvida querida
Amei deixar este registro
Na UGSUAS, por toda a vida.
Afinal, por ser costume bem atual
Ele está em evento moderno
Por se manter desde os ancestrais
O café é simplesmente eterno.
(Teresina, 06/10/2019)
(*) Rosângela Sousa é poetisa, Membro da Academia Piauiense
de Poesia (ACAPP), Diretora de Gestão do SUAS / SASC – PI, Coordenadora
da Comissão de Políticas - CEAS – PI e Coordenadora do Programa Criança
Feliz/SASC – PI.

