segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

A Adilina

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A Adilina
(Chico Acoram Araújo)

Lembras o dia em que nos conhecemos?
Primeiro de abril daqueles alegres anos de mocidade.
Um baile de sábado à noite, eu andava a cidade.
Dia da mentira?  Não. O início de um grande idílio e duradoura amizade (florescemos).

Ali, tão perto, uma linda mulher me aguardava; serena e ausente.
Parece que estavas ali há séculos, contente.
Sem, contudo, me conhecer,
Para dançarmos, naquela alegre noite, uma bela canção de um romântico anoitecer.

Querida parceira, minha estrela-guia e boa mãe - meu bálsamo,
Sem aquele Bendito dia de desmentida mentira,
O que seria da nossa vida, que agora tanto prezo e aclamo?
Decerto, em uma outra ocasião, o conspirador Destino nos uniria em abençoada lira.

E, se ao longo dessa caminhada de indelével fervor
Meu coração, em desatento momento, cometeu algum desatino,
E porventura tenha te ofendido em demasiado sentimento de dor,
Suplico teu perdão, pois tu és generosa e tens na alma o amor inspirado no Divino.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Diário de Fraldas (Parte 38)



(Empolgado com o nascimento da sua primeira filhinha, papai Bruno começou uma brincadeira que logo caiu no gosto de todos: a produção de um diário que ele convencionou chamar de “Diário de Fralda”. Diante disso, o blog resolveu publicar semanalmente o depoimento da Lavínia que, em último caso, vem a ser a netinha do coordenador do Folhas Avulsas).


SEMANA 41 e 42 – O reino recebe visitas ilustres!


(Bruno Giordano)


310º DIA: estou pronta pra balada, e estilo é o meu nome! Penso em começar a fazer fortuna com a profissão de modelo, mas já prevejo o ciúme do servo careca! Caaaaaalma que, caso se comporte, poderá ir comigo!” - Lavínia a supermodel

311º DIA: “Sempre me perguntei pq não colocavam logo Tang no mar só pra dar um gostinho! Mas aprovei o salzinho! Poderiam usar para colocar na comida... Espera... Como assim já usam sal na comida? Por que minha sopa não vai sal?” - Lavínia, a enganada!

312º DIA: ”Realmente nasci pra isso! Areia, água e vento! Ter a companhia de minha genitora no processo não tem preço!” - Lavínia, a agradecida!

313º DIA: “Voltando aos meus afazeres costumeiros, vi que tenho um talento todo especial para o rap! Já estou escrevendo várias letras de ordem e rebeldia, e através da minha arte irei revolucionar esse país!” - Lavínia, a engajada!

314º DIA: “Descobri umas caixas do servo careca na estante... Resolvi dar uma conferida e qual minha surpresa ao perceber que eram os modelos das naves rebeldes! Isso quer dizer que ele é o inventor e o cometidas por trás da resistência ao meu império galáctico! Ahhh! servo careca... Destruirei tudo! Os rebeldes não terão mais naves para se opor a mim!” - Lavínia, a destruidora!

315º DIA: “Já estou poupando energias para o feriado! Minha genitora me acusou de acordar a noite toda ... Conversa.... Estava só testando a atenção dela e do servo careca... Ela passou... Ele não!” Lavínia, a doutrinadora!

316º DIA: “Mais uma vez minha genitora foi para o plantão e deixou o servo careca sob meus cuidados! Acho q é hora de eu dar um trollada nele! Estou pensando em deixá-lo cheio de tranças... Vai ser um desafio, mas é disso que é feito a vida!” - Lavínia, a cabeleireira!

317º DIA: “Aproveitando a visita da Vovó Leninha e de minha prima princesa Bela para um passeio no shopping.. Minha genitora mais uma vez estava lindíssima! Mas porque a cor do meu cabelo é diferente do dela? Vou investigar!” - Lavínia, a morena!

318º DIA: “Já estou com o protocolo da reclamação que fiz! Como pode minha loba gigante e a sua Companheira não terem baterias suficientes para uma tarde de atividades lúdicas ... Sinceramente ... Vergoinha para as duas!” - Lavínia, a recarregada!

319º DIA: “Aproveitei a visita da princesa Bela para mostrar parte do meu reino! Adoro ter minhas primas para confabularmos sobre banalidades e esquecer, mesmo que por uns instantes, o peso da coroa!” - Lavínia, a prima!  

320º DIA: “Todo dia é dia de balada com o servo careca e minha genitora! E agora é só curtir uma musiquinha, um ventinho e meu leitinho... Servo careca.. que hambúrguer lindo e gigante é esse? Vai engordar .. passa pra cá... Passa pra cá...!” - Lavínia, a espertinha!  

321º: “Esse mês de dezembro já teve várias surpresas... Vó Leninha, Troll blogueiro ancião, Tio E e princesa Belinha! Para completar um mês animado estou grudada na GranGenitora Mag! Pronto! Meio reino sempre tem espaço para as nações amigas!” - Lavínia, a Amigável!  

322º DIA: “Estava precisando de uma criatura alada para alcançar o topo da torre do mago nefasto que estava tentando roubar o natal! Mas tudo o que me apareceu foi esse pato! Terá que servir! Prepara-te vilão! Eu e o Donald livraremos o natal de tuas garras!” - Lavínia, a margarida!

323º DIA: “Chegamos no top da torre do nefasto mago que estava roubando o natal! Grande foi minha surpresa, pois ele não havia apenas aprisionado o Papai Noel, mas também minha granGenitora! Depois de intenso duelo mágico, decidido de forma bastante dramática, sai vitoriosa e liberei os prisioneiros ... Mas achei bastante estranho esse papai Noel... Ele deveria ter conseguido se libertar sozinho... Onde estão seus poderes? Será se ele não é o verdadeiro?” - Lavínia, a desconfiada!  

sábado, 16 de dezembro de 2017

CRÔNICAS VIVIDAS – CARRETERA PANAMERICANA

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José Ribamar de Barros Nunes*

Muito justamente, a história recebe o conceito de mestra da vida. Observo, porém, um detalhe que me parece importante. As lições dessa mestra sapientíssima, às vezes, se me afiguram lentas...
Explico-me. Os feitos, os episódios, os casos concretos, revividos e interpretados, muitas vezes (quase sempre) chegam com atraso, quando Inês já está morta, como ressalta a sabedoria popular inconformada.
Minha observação negativa decorre de uma realidade histórica incontestável. O mundo se digitalizou e globalizou. A meu ver, a história e os historiadores podem e devem tornar-se mais rápidos.
Costumo elogiar e destacar a invenção do telefone. No dia vinte de julho de 1969, o mundo se extasiou com a conversa, ao vivo, da terra com a lua, do Presidente Nixon que viu e ouviu os astronautas que ali aterrissaram. Foi fantástico...
Faço tais comentários para relatar e ressaltar um episódio ocorrido há noventa anos e que eu (e acredito que muita gente) desconhecia. Três heróis brasileiros executaram um feito grandioso. Eles percorreram entre troncos, trancos e barrancos a Carretera Panamericana, a maior do mundo e chegaram, de carro, até Nova York. No percurso penaram e passaram fome.
Na época foram exaltados e recebidos pelo presidente americano e brasileiro. Mas o grande feito logo caiu no esquecimento e nem suas famílias foram homenageadas.
Aqui e agora, noventa anos depois, faço esse resgate histórico, social e patriótico.
Viva os três brasileiros que fizeram essa maravilhosa odisseia. O governo e a indústria automobilística deviam pedir desculpas e perdão aos três heróis e suas famílias.
Não relatar e divulgar episódio e feito tão grandioso parece-me negligência imperdoável.

*José Ribamar de Barros Nunes é assessor parlamentar e autor de Duzentas Crônicas Vividas
E-mail: rnpi13@hotamil.com


segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

OUTRAS FOTOGRAFIAS ANTIGAS DO CURADOR (2)

(Cortesia da família de José da Cruz Oliveira Torres).

José Pedro Araújo
         A fotografia acima traz algumas situações que devem ser esmiuçadas: primeiro a igreja matriz já sem o muro de proteção que a cercava, construído em estilo lombardo evoluído, tal qual o do próprio templo. Depois, a presença de um andaime no campanário mostrando a dificuldade que é pintá-la, em especial naquele tempo quando não existia na região essa armação típica para se trabalharem os prédios altos, e os operários tinham que arriscar as próprias vidas no intuito de concluir o seu trabalho. 
        A foto em questão é dos início dos anos sessenta, e mostra a praça da matriz ainda sem calçamento e com seus banquinhos de madeira, e ao fundo a esquina do Armazém Porto Seguro.
        A bela igreja matriz de São Sebastião é um dos mais belos templos católicos do Maranhão, construído ao estilo das igrejas católicas italianas, cujo campanário(campanille), é erigido ao lado da nave central. O horário em que o flagrante foi feito está registrado no relógio do alto da torre: 8:20. 


(Cortesia da família de José da Cruz Oliveira Torres).

        A segunda foto mostra o proprietário do armazém com alguns familiares e amigos bem acomodados em cadeiras na calçada, um costume daqueles tempos em que vivíamos em total segurança. 
        O instantâneo deve ter sido feito à tarde, após as quatro horas, como mostra a sombra já bastante larga recobrindo a rua ainda sem calçamento, o que atesta ainda que é da primeira metade dos anos sessenta. 
        Por fim, temos um registro da escola paroquial(Escola Paroquial São Bento), onde estudavam os rapazes, uma vez que as meninas estudavam no Colégio São Francisco de Assis, do outro lado da praça, no local onde hoje se encontra a Unidade Regional de Educação. Depois do colégio a imagem mostra a residência do senhor Adir Leda, ex-prefeito da cidade, e logo depois, a casa do senhor Beltrão Campelo, proprietário da famosa cachaça Beltruina, tão ao gosto da rapaziada naqueles tempos. A casa em questão foi demolida e em seu lugar foi erguido o edifício do Banco do Brasil, agência de Presidente Dutra.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Diário de Fralda (Parte 37)



(Empolgado com o nascimento da sua primeira filhinha, papai Bruno começou uma brincadeira que logo caiu no gosto de todos: a produção de um diário que ele convencionou chamar de “Diário de Fralda”. Diante disso, o blog resolveu publicar semanalmente o depoimento da Lavínia que, em último caso, vem a ser a netinha do coordenador do Folhas Avulsas).


SEMANA 40 – Barrada no baile!


(Bruno Giordano)

303º DIA: “Comecei meu treino como Marine! Já já estarei preparada para caçar o capitão Nemo por todos os sete mares! Descobrirei o mistério do abismo! E não serei pega de surpresa pelo waterworld! Hahahahah!” - lavinia, a mergulhadora!

304º DIA: “O treinamento continua! Tenho que voltar a forma urgentemente, mas minhas bochechas só crescem! Desse jeito meu blog de baby fitness não vai deslanchar! Ai ai ...” - Lavínia, a babyfitness!

305º DIA: “A fuga de alcatraz foi moleza frente a este novo desafio! Me revolto com a desfaçatez de que esse isolamento é para meu bem! Hipocrisia! Estão apenas me separando da cozinha e eliminado meu futuro como Masterchef! Mas já estou trabalhando num plano infalível para superar esse desafio... Já estou ganhando a confiança de minha carcereira! Hahahahahaah!” - Lavínia, a escaladora!

306º DIA: “Saímos pra shoppear. Eu, minha genitora e o Mano Buti! Sempre interessante ver as novidades como mochilas de escaladas, combustível de foguete e armas lasers! Não imaginavam que eu conseguiria meu equipamento de aventura com um NPC suspeito no meio da rua, né!?” - Lavínia, a bem equipada!

307º DIA: “Mais uma vez, fui ludibriada! E por minha genitora! Isso não se faz... Estava tão lindinha pra um passeio a beira mar...!” - Lavínia, a sentida!

308º DIA: “Esse negócio de ficar sozinha com o servo careca está me deixando muito mal acostumada... Só preguiça, comilança e brincadeiras... Ahhh preguicinha!” - Lavínia, a descansada!

309º DIA: “Essa carcereira é osso duro de roer! Já ofereci joias, influência e todo tipo de privilégios em troca da chave dessas grades e nada! Não acredito que minha loba gigante esteja compactuando com o servo careca! Traição, traição!” - Lavínia, a prisioneira!

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

OUTRAS FOTOGRAFIAS ANTIGAS DO CURADOR

Foto 1: Cortesia da família de José da Cruz O. Torres







José Pedro Araújo

         Venho solicitando há algum tempo que os meus conterrâneos me disponibilize fotos antigas que mostrassem algum momento do nosso velho e querido Curador. Poucos atenderam ao meu reclame. As fotografias que registram algum ponto da cidade no passado, são a história contada através das lentes de algum fotógrafo e, por esta razão, podem ser muito importantes para que os que vieram depois possam conhecer a história pretérita da terra em que nasceram.   Felizmente algumas poucas pessoas  acorreram ao meu chamamento, como recentemente aconteceu com o meu amigo e conterrâneo Manoel da Guia. São dele as fotos que estamos publicando no momento, parte do álbum da sua família, Oliveira Torres.
         O primeiro instantâneo mostrar o prédio em que funcionou primeiramente o Armazém Porto Seguro, de propriedade do senhor José da Cruz de Oliveira Torres ou JCOT, como se achava registrado no frontispício do ponto comercial em que se instalou depois. O prédio em questão ficava localizado em frente as instalações do Banco do Brasil, localizado na rua Dr. Paulo Ramos, número 572. 
        Na velha fotografia podemos verificar que as ruas da cidade ainda não possuíam calçamento, e os postes da rede elétrica eram de madeira, os mesmos colocados ali na administração do prefeito Gerson Sereno. A fotografia deve ser da segunda metade dos anos sessenta, logo depois que o empresário se instalou na cidade.
         O fotógrafo responsável pela foto enquadrou um grupo de casas da época, a começar pela que pertenceu à senhora Adélia Sereno, e depois, na sequência, vem as que pertenceram a Dondivil Lucena, Salomão Soares e, lá no final, o grande prédio comercial do senhor Celso Sereno. Este último, que conheci ainda em franco funcionamento, foi desmembrado depois em vários pontos comerciais, como o que pertence à Complast, empresa do meu irmão Jônatas Araújo.
        Infelizmente não consegui identificar as pessoas que posaram na fotografia. Dá para ver apenas como estavam elegantemente vestidos.
        O beco que aparece na fotografia também já não existe, pois em seu lugar foi construido um sobradinho em que funciona hoje a Clínica Nossa Senhora da Vitória. Quanto ao velho prédio, é possível ler  na fachada o nome de um antigo comércio:  Casa São Vicente de Paula (CVS Paula). Talvez alguém possa me ajudar a esclarecer se este comércio pertencia ao senhor Doca Sereno, assassinado exatamente nessa esquina.


Foto 2: Cortesia da família de José da Cruz O. Torres
        Na foto número 2, temos o registro do Armazém Porto Seguro já na esquina da travessa Doca Sereno com a Praça São Sebastião, a poucos passos do endereço antigo registrado acima. O edifício em questão, que servia ao mesmo tempo de ponto comercial e residência do seu proprietário, já foi demolido e, em seu lugar, existe hoje o Magazine Ideal. As novas instalações ainda pertencem à família Oliveira Torres. Quanto aos personagens registrados na foto, só identifiquei o próprio proprietário do empório, além dos irmãos Gerson Sereno e, possivelmente, Nelson Sereno.
        O instantâneo fotográfico deve registrar o final dos anos sessenta, pois mostra que a rua ainda não havia recebido calçamento, o que somente viria a ocorrer na década de setenta, na administração do prefeito Valeriano Américo.