sábado, 15 de julho de 2017

Diário de Fralda (Parte 20)




(Empolgado com o nascimento da sua primeira filhinha, papai Bruno começou uma brincadeira que logo caiu no gosto de todos: a produção de um diário que ele convencionou chamar de “Diário de Fralda”. Diante disso, o blog resolveu publicar semanalmente o depoimento da Lavínia que, em último caso, vem a ser a netinha do coordenador do Folhas Avulsas).


SEMANA 22 – Mudança de base!



(Bruno Giordano)

157º DIA: “Depois de interrogada por horas e horas me deixaram em paz! Nem precisei usar minha força descomunal, apenas meu charme! Mas, essa semana está complicada! Acabou de chegar um convite para que eu represente a terra num torneio de luta intergaláctico! Tudo bem!! Mas preciso desenferrujar logo!" - Lavínia, a poderosa!

158º DIA: “O treinamento continua intenso! Já dominei a arte do kung fu no estilo da garça, tigre, macaco, serpente, louva-a-deus e panda! Agora vou treinar a mente com esse cubo mágico! O torneio se aproxima é preciso estar super afiada!” - Lavínia, a dragão guerreira!

159º DIA: “Domingo dei uma pausa no meu treinamento para campeã suprema intergaláctica! Resolvi jogar uma partidinha de Boardgame e o escolhido foi 'um império em 8 minutos'! Temática maior não existe! Assim que for campeã do torneio me tornarei imperatriz desse setor da galáxia! E no futuro dominarei o que faltar Ahahahahahaha! Mas voltando ao jogo... passa aí mais uma carta servo careca!” - Lavínia, a jogadora!

161º DIA: “O treinamento árduo continua! Fui parar na ilha do paraíso para enfrentar a campeã local... tipo um teste! Enfrentei de cara a mulher maravilha ... não queria ter que enfrentar uma amiga, mas que outro desafio me prepararia para o grande torneio como esse!? Beeeemm .. como a vitória me sorriu, fiquei com a tiara e o escudo!!! Next!" - Lavínia, a gatinha maravilha!

162º DIA: “Pausa nos treinos novamente! Dia de visitar minha grandGrandgenitora! Nossa... vou ter que arrumar um nome melhor para ela... vejamos ... BizaLorinha! Então...
Fui visitar a BizaLorinha e foi bem legal ... corri atrás de uns dinossauros cacarejantes e o passeio foi bem instrutivo! Estava já com saudades das aventuras jurássicas!" - Lavínia, a nomeadora!

163º DIA: “Toda era chega a seu fim! Essa minha moradia em terras piauienses está terminando ... adorei o tempo que passei por aqui e aproveitei ao Máximo! Minhas primas que o digam! Sentirei muitas saudades de vocês! Agora pegarei a estrada em direção a Ilha do Amor e lá fundarei minha base de operações aguardando visitantes! O Maranhão que me aguarde!! Ps. Beijo família e amigos! Nos vemos na praia!” - Lavínia, a nômade!

164º DIA: “A saída do condado teve que ser às pressas e sob o manto da noite! Ninguém poderia desconfiar da grande aventura que eu estava entrando! Carreguei meu grupo de confiança e parti rumo à Ilha do Amor! Tudo transcorreu calmo até que percebi que monstros gigantes nos espreitavam! O servo careca acelerou a carruagem branca para deixá-los pra trás! Muito hábil! Chegamos sãos e salvos na ilha visada, e fomos recebidos por um simpático casal de hobbits que nos recepcionou muitíssimo bem! Já me acostumei com essa excelente companhia!" - Lavínia, a líder da comitiva!

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Manga - Um manjar dos deuses!

Foto by Google


 (José Pedro Araújo)

Você, certamente, ao levantar os olhos do que faz neste presente momento, dará de vistas com uma mangueira. Ou pelo menos já se deparou com alguns pés desta fruteira majestosa no dia de hoje, provavelmente uma árvore que cultiva no seu próprio quintal ou no seu terreiro. Seja como for, diariamente você se depara com alguns pés ou desfruta da sua sombra fresca e inigualável, ou mesmo saboreia um dos seus frutos com estrema gulodice. Mas já parou para pensar sobre a origem dessa fruta maravilhosa e tão ao gosto popular? Certamente que não, eu mesmo respondo. Pois, a árvore que você vê com assiduidade diária na sua frente, não possui origem no nosso país. Ao contrário, foi introduzida aqui pelos portugueses, como inúmeras outras frutas que nos delicia. Foi pensando em contar a história da chegada dessa fruteira até nós que eu sentei na minha bancada onde escrevo todos os dias de frente para um lindo pé de Manga Lira, uma das variedades de que mais gosto. Agora mesmo estou olhando para esta árvore maravilhosa que enfeita o meu quintal e que serve de pouso e local de descanso para inúmeros pássaros que vejo agora e também ouço o seu canto alegre, enquanto pululam de galho em galho.

Busquei na internet, em vários sites, algumas descrições sobre essa secular imigrante que já tem alma e gosto de Brasil. Os textos estão do jeito que os coletei, sem alterações. Vamos a eles:

“A manga é o fruto da Mangueira (Mangifera indica L.), árvore frutífera da família Anacardiaceae, nativa do sul e do sudeste asiáticos, desde o leste da Índia até as Filipinas, e introduzida com sucesso no Brasil, em Angola, em Moçambique e em outros países tropicais. O nome da fruta vem do idioma malaio, manga, e foi popularizada na Europa pelos portugueses, que conheceram a fruta em Kerala (Conseguiram isso trocando por temperos)”.

“São encontradas menções a ela em canções do século IV em poemas escritos em sânscrito, por poetas como Kalidasa. Acredita-se ter sido provada por Alexandre, o Grande (no século 3 a. C.) e pelo peregrino chinês Xuanzang (7º século d. C). No século XVI, quando os pomares não passavam de algumas raras fruteiras em torno de casas rurais, o imperador Akbar Mogul, que reinou no norte da índia de 1556 a 1605, plantou milhares de mangueiras perto de Darbhanga. É um fato que demonstra o valor que, há tantos séculos, já merecia a mangueira num país de civilização várias vezes milenar. O pomicultor inglês Charles Maries, três séculos após, encontrou algumas daquelas árvores vivas e vigorosas. É um atestado insofismável da extraordinária longevidade da mangueira.”

“Apesar de ser cultivada em suas regiões de origem há mais de 4 mil anos, sua introdução em outras terras foi muito lenta: a viagem das mangas pelo mundo iniciou-se apenas com a descoberta das rotas comerciais marítimas entre a Europa e a Ásia, no início do século XVI. Foram os portugueses, mais uma vez, que fizeram esse trabalho, levando as mangas, primeiro, para as costas leste e oeste da África, Depois,  trazendo-a para a América.

“Apenas por volta de 1700, segundo Pimentel Gomes, o Brasil, ou melhor, a Bahia, recebeu as primeiras mudas de mangueiras indianas. Dali, foram para o México, no século XIX, de onde atingiram a região da Flórida”.

“Os deliciosos e excelentes frutos das mangueiras são cultivados, atualmente, em todos os países da faixa tropical e equatorial do globo. No Brasil, a fruta foi amplamente disseminada. De acordo com Pio Corrêa, a mangueira foi a árvore asiática que melhor se adaptou ao clima brasileiro, produzindo inúmeras variedades, tornando-se quase obrigatória na paisagem do norte e do nordeste do país, e sendo facilmente encontrada em cultivo na Amazônia e nas regiões Sudeste e Centro-Oeste”.

 “Diferentes árvores, que produzem diferentes mangas, podem ser encontradas, aos montes, em chácaras e fazendas, em pomares e quintais urbanos e rurais, em pequenas e médias propriedades, além de estarem presentes em espaços públicos como parques, praças, ruas e avenidas por todo o país. A cidade de Belém é um exemplo eloquente dessa abundância, tendo se tornado famosa por suas mangueiras”.

“Noutro extremo do país, na cidade do Rio de Janeiro, as mangueiras também eram tantas que acabaram dando o nome a um bairro, a uma parada de trem e a uma escola de samba: a “verde e rosa” Estação Primeira de Mangueira”.

“Os frutos são lindos e também variados em seus tamanhos, formatos, sabores. É notável a grande variação apresentada pelos frutos das mangueiras, em todo o mundo: nos livros encontram- se referências que variam entre um número de 500 e 1000 variedades existentes”.

“No Brasil, as mangas são também encontradas em grande diversidade: apenas entre as mais comuns e conhecidas pela população em geral, Pimentel Gomes cita, e descreve, 36 variedades, todas elas de fácil ocorrência. No Brasil, atualmente, são cultivadas as variedades Alphonso, Bourbon, Carlota, Coração de Boi, Espada, Golden Nuggets, Haden, Keitt, Kent, Rosa, Rubi, Sensation e Tommy Atkins. Algumas delas nasceram e se desenvolveram no país; outras são de origem estrangeira, especialmente provenientes dos Estados Unidos, onde produtores da região da Flórida são grandes pesquisadores da fruta”.

“Na Índia, sua terra de origem e onde tem grande importância na composição alimentar da população, a manga tem incontáveis outras utilidades: basta lembrar do famoso “chutney de mangas“, acompanhamento ideal para as carnes e os grelhados da culinária indiana, que é feito com a polpa da fruta verde, cozida e temperada com especiarias e pimentas”.

Então é isso. Ai tem um pouco da história dessa fruteira que tanto nos encanta e que está presente nas nossas vidas diuturnamente. Termino dizendo que ela também veio nas caravelas portuguesas que por aqui aportaram. Difícil de pensar assim quando podemos encontrar essa delícia em todos os cantos desse imenso país. 

Fonte:
Portal São Francisco.
www.bibvirt.futuro.usp.br
Fruticultura Brasileira – Pimentel Gomes

domingo, 9 de julho de 2017

Diário de Fralda (Parte 18)




(Empolgado com o nascimento da sua primeira filhinha, papai Bruno começou uma brincadeira que logo caiu no gosto de todos: a produção de um diário que ele convencionou chamar de “Diário de Fralda”. Diante disso, o blog resolveu publicar semanalmente o depoimento da Lavínia que, em último caso, vem a ser a netinha do coordenador do Folhas Avulsas).





SEMANA 21 – Anarriê, meu povo!





(Bruno Giordano)

150º DIA: “Estou sentindo a necessidade de incrementar meu aprendizado, e assim mandei meu currículo para várias universidades renomadas! Parece que a única que me levou a sério foi a universidade de Monstros SA! Lá tinha um tal de Mike que já me mandou o uniforme da fraternidade fundado por ele! Parece que se eu aceitar já entro como vice presidente!! Muito estranho... vou investigar mais antes de aceitar!" - Lavínia, a universitária!

151º DIA: “Olha pro céu meu Amor! Vê como ele está lindo! É São João, sô! Completo 5 meses no mundo exterior e já me chamam pra uma Arraiá! Mas não me deram traque, nem bombinha, nem me deixaram pular fogueira, comer arrumadinho, nem maçã-do-amor! Enfim, a única coisa que eu pude fazer foi ser linda!!! Mas me vinguei e meti a mão no meu bolinho! Hahahahahaha! Pega servo careca!!!” - Lavínia, a caipira!

152º DIA: “Que ressaca! Esse negócio de festa junina é extremamente cansativo! Passei o domingo dormindo ou zombizando... Uaaahhhh!... é um soninho que não desgruda! Uaaahhh!... vai ter descanso hoje servo careca! Mas só hoje! Ps. Estou treinando uns passos de dança com o servo careca... vamos ver onde vai dar!” - Lavínia, a ressecada!

153º DIA: “A medida que os dias passam sinto-me cada vez mais à vontade com a cavalgada! Terrenos planos, areia, grama, montanhas, nada consegue frear a minha técnica apurada de andar em minha loba gigante! Estou planejando para o futuro uma longa corrida cruzando toda a América! Enviarei convite para todos os países, para que enviem seus melhores cavaleiros e amazonas! Só garanto que a vitória será minha e da Amarula!! Hahaha! - Lavínia, a Amazona!

154º DIA: “Estou muito chateada com minha genitora e meu servo careca! Eu já tinha notado que a alimentação deles era diferente da minha! Não entendia como eles comiam uns trecos estranhos nuns pratinhos rasos... acreditava ser muito melhor um leitinho na maior quantidade possível! Acontece que hoje minha genitora veio com um papinho de que eu precisava provar um negócio chamado Mamão! Nossa!!!! Como puderam me deixar tanto tempo sem provar isso!! Que crueldade!!! Agora eu quero mais! Muito mais!!!" - Lavínia, a esfomeada!

155º DIA: “Esse negócio de ser princesa rende bastante! Minha GRANGenitora fica sempre me visitando e tenho apreciado sua companhia cada vez mais! Enquanto o servo careca passa o dia escondido em algum lugar, tenho aproveitado essa companhia! Ainda descobrirei seu esconderijo, servo careca! E você não terá mais folga!" - Lavínia, a possessiva!

156º DIA: “Tem dois dias que fui alvo da contra espionagem! Desde que fui atacada por mulheres de luvas de borrachas, e vestidas de branco, tenho me sentido febril! Mas meu disfarce continua! Minha missão continua... levarei toda a informação coletada aqui para minha nação mãe Rússia! A KGB não acabou e terá sua principal agente de volta sã e salva!" - Lavínia, a agente da KGB! 

()*) Ops! Sem querer entreguei a minha assessoria nessa foto acima! Preciso ter mais cuidado. Vou mandar fazer plástica em todos, inclusive na minha Loba Gigante da Caatinga!

quarta-feira, 5 de julho de 2017

REVOLTA ESTUDANTIL NO CURADOR





(José Pedro Araújo)

            Estávamos no início do governo militar que comandaria o país pelos 25 anos seguintes, quando chegou à cidade um jovem juiz de direito para assumir os destinos da comarca. Seu nome, José de Ribamar Fiquene, cidadão tranquilo, amante das letras e das artes, logo nos brindou com duas das coisas mais importantes que se pode presentear a um cidadão: o acesso à justiça e uma educação de qualidade. O acesso à justiça foi feita através do emprego efetivo da lei, e à educação quando fundou na cidade o um ginásio, o curso normal e o curso de contabilidade. Fiquene criara o hábito de abrir escolas por onde passava, proporcionando o acesso à educação aos estudantes que não possuíam recursos suficientes para se deslocarem para outras cidades onde pudessem dar continuidade aos estudos. Seu legado foi se estendo por onde passou até culminar com a fundação de uma universidade na cidade de Imperatriz. Não se sabe se apenas por gostar de gente, mas o certo é que a providência divina o presenteou com o cargo de governador de todos os maranhenses, cunhando seu nome definitivamente na história do Maranhão.
            Hoje é possível avaliar que a qualidade do ensino do nosso colégio não ficava a dever a nenhum outro, pois possuía um corpo docente que, favorecido por um conjunto de fatores favoráveis, fez com que se juntasse naquela época um grupo coeso e com profissionais da qualidade do professor universitário Hubert Lima de Macedo(história), do engenheiro Onildo Fortes(matemática),  e do próprio Dr. Fiquene(português), além de muitos outros que por lá passaram.  
            Vivíamos um tempo de revolução dos costumes, através da música e das artes. Enquanto nos Estados Unidos da América e na Europa alguns cabeludos se insurgiam à velha ordem estabelecida criando o movimento hippie, aqui no país nossos jovens pariam um novo ritmo musical, a bossa nova, que assombrava o mundo com seu incrível teor melódico e suas letras simples, mas rebuscadas.  Enquanto lá fora os Beatles horrorizavam os pais de família com suas músicas de protesto contra o preconceito e a tirania, aqui o regime militar arrochava o torniquete mais ainda, fazendo com que músicos como Chico Buarque, Caetano Veloso, Torquato Neto, Gilberto Gil, entre tantos outros, se rebelassem e gritassem em alto e bom som o slogan dos estudantes franceses que diziam “é proibido proibir”. 
            Ao mesmo tempo, estimulados pelos ventos de liberdade que vinham do exterior, quase nunca noticiado pela imprensa brasileira ajoelhada perante o regime estabelecido, um grupo de estudantes do GPD resolveu sair da mesmice e, ao acabar a aula, se organizava em marcha e descia a Rua Grande cantando palavras de ordem, como se estivessem em um desfile militar. Marchavam, falavam palavras de ordem e cantavam. Qualquer música, em qualquer ritmo. Queriam apenas sair do marasmo em que se encontravam. Era uma brincadeira simples, sem intenção de se contrapor ao regime instalado, mas o fato é que desagradou a certas pessoas com poder de mando. Naquele tempo as luzes da cidade se acendiam às 06h00min da tarde e apagavam-se às 10h:00min da noite. As tais marchas aconteciam exatamente após esse horário, passando talvez uma ideia de insubordinação. O certo é que algumas pessoas da comunidade procuraram o juiz da comarca, e também diretor do colégio, de onde se originavam as passeatas, pra reclamar da situação. Alegravam quebra do silêncio noturno.
            Chamados pelo diretor para justificar tais atos, os líderes da brincadeira responderam que não estavam provocando nenhuma desordem e, apesar da insistência do diretor para que parassem com os desfiles, continuaram a fazê-los. Prosseguiram com as marchas e alguns dias depois depois foram chamados à presença do diretor novamente. Foram advertidos de que estavam suspensos em razão da insubordinação. Apesar do respeito e da admiração que o Dr. Fiquene gozava no seio da classe estudantil, houve uma revolta generalizada no seio do alunado pelo que consideravam uma punição injusta e, portanto, desnecessária contra aqueles estudantes que só queriam se divertir, saindo da mesmice que atingia aos jovens de uma pequena cidade do interior como aquela. Mas a coisa pararia por ai, estancaria apenas no sentimento de insatisfação se alguns indivíduos de má índole não tivessem se aproveitado do ensejo para lançar sobre o juiz todo o ódio que possuíam em razão de alguma decisão contrária aos seus interesses. E assim, no dia seguinte, e em pontos estratégicos da cidade como o mercado público, o Banco do Estado e a Agência dos Correios, apareceram afixados à parede panfletos apócrifos com calúnias virulentas contra o juiz e sua família. Pessoas sem nenhum escrúpulo haviam se aproveitando do acontecido com os estudantes para derramar a sua bílis em forma de mentiras e calúnias sobre um cidadão que só havia trazido o bem para a comunidade.
            E a reação do magistrado e diretor do ginásio  não se fez esperar, caindo na armadilha preparada pelos detratores. Achando que aqueles panfletos caluniosos haviam sido escrito pelos estudantes punidos por ele no dia anterior, determinou que uma guarnição militar se deslocasse à casa de cada um daqueles rapazes com ordem para aprisioná-los, sob a acusação de terem atingido a honra da principal autoridade judicial do município. Ordem dada, ordem cumprida. Os jovens estudantes, alheios a tudo o que estava acontecendo, foram surpreendido ainda em casa enquanto dormiam.
            Foi o que bastou para deflagrar uma onda de crescente descontentamento por parte dos estudantes que, ainda nesse dia, princípio da noite, ocuparam a praça São Sebastião, a principal da cidade. Em frente a casa em que morava o juiz iniciaram um ato pacífico de protesto que entrou noite a dentro. Estava quebrado o elo de confiança que unia o jovem juiz e educador e a classe estudantil da cidade de Presidente Dutra.
            Foram proferidos muitos discursos inflamados naquela noite, até que alguém pensou em organizar um grupo para conversar como o diretor. Deste modo, uma comitiva formada por estudantes e políticos da cidade dirigiu-se à casa da autoridade e por ele foi recebida. Depois de muitas negociações ficou esclarecido que as calunias assacadas contra ele não haviam partido dos estudantes e sim de terceiros, interessados em aproveitar o ensejo para perpetrarem uma ato de vingança contra a autoridade judiciária. Dr. Fiquene deu-se por satisfeito, e o ato público que se iniciara como protesto, terminou  como uma manifestação de repúdio contra aquele ou aqueles que atingiram tão covardemente a honra daquele eminente educador que tantos benefícios tinha trazido à comunidade presidutrense.
            Os jovens encarcerados foram postos em liberdade imediatamente. Mas o clima fraterno estabelecido entre o magistrado e a comunidade estava irremediavelmente comprometido. Pouco tempo depois o Dr. José de Ribamar Fiquene foi transferido para outra cidade. Mas deixou funcionando um dos melhores colégios em que estudei e que me deu possibilidades de sair para a capital e disputar, alguns anos depois, e em pé de igualdade, uma vaga na universidade. Não apenas eu, mas muitos jovens de então são hoje profissionais respeitados e levam seus conhecimentos e saberes para várias partes deste imenso país.