sábado, 18 de novembro de 2017

Diário de Fralda (Parte 35)



(Empolgado com o nascimento da sua primeira filhinha, papai Bruno começou uma brincadeira que logo caiu no gosto de todos: a produção de um diário que ele convencionou chamar de “Diário de Fralda”. Diante disso, o blog resolveu publicar semanalmente o depoimento da Lavínia que, em último caso, vem a ser a netinha do coordenador do Folhas Avulsas).


SEMANA 38 – De cara pro vento!


(Bruno Giordano)

280º DIA: “Parece até que entrei num loop temporal! Acordo, desperto o servo careca, domino nações, almoço, banho, governo e durmo! E novamente no dia seguinte, tudo outra vez! Ainda bem que aparece um feriado para desestressar e ficar de chamego com minha genitora!” - Lavínia, a estressada!

281º DIA: “Já estou pronta para o passeio de hoje! Minha genitora está ali só aguardando o servo careca chegar. Espera... ela já está esquentando a minha janta? Hoje não era dia de hambúrguer??! Qualé!!??” - Lavínia, a standart up girl!

282º DIA: “Estou aproveitando esses dias para melhorar minhas técnicas de interação com as pessoas! O servo careca percebeu que estava treinando a paquera... Mas não vejo motivo para ter ligado para um convento!” - Lavínia, a paqueradora! 

283º DIA: “Viajamos para o distante planeta de Arrakis! Cercado de areia por todos os lados e várias civilizações brigando pelo material mais raro do universo, mélange, é nesse ambiente extremo que escolhemos comer uns hambúrgueres! Valeu a Pena!” - Lavínia, a herdeira de Duna!

284º DIA: “O servo careca deve ter comido a maçã que era destinada a branca de neve! Dormiu demais! Já disse pra ele não sair comendo os lanches alheios... Agora ele aprende!” - Lavínia, a educadora!

285º DIA: “Aproveitei a estadia da loba de tamanho natural Zelda em meu castelo para ensinar-lhe boas maneiras! Vesti meu hábito(sonho do servo careca) e comecei a passar a lista de direitos e deveres em meu reino! Boa aprendiz!” - Lavínia, a madre!

286º DIA: “Já com minha loba gigante ao meu lado, resolvi curtir umas músicas apreciadas pelos locais. Começamos a escutar um certo Bob Marley e, quando menos percebi, já estávamos de trança! Curti! Noooooooo! woman no cry!” - Lavínia, a regueira!

287º DIA: “Já estou cansada de me locomover tão devagar! Essa técnica que minha loba gigante me ensinou não é eficaz para humanos! Estou tentando acostumar meu corpo numa nova modalidade conhecida como caminhar! Meus treinos de equilíbrio estão bem avançados agora só falta juntar tudo e... Chão... Vamos lá novamente! Em pé! Equilíbrio e... Ôpa!” - Lavínia, a equilibrista!

288º DIA: “Aproveitei essa sexta para ir visitar a princesa Jujuba! Fui recebida por seu principal cavaleiro, Finn, que se mostrou um bom anfitrião! Agora é só curtir a terra de Ooo antes que o rei gelado apareça” - Lavínia, a rainha de Ooo!  

289º DIA: “Bem vindo a Townsville, o lar das meninas super poderosas! Estava de passagem para fazer novas amizades na luta contra o crime e achei essas excelentes super heroínas! Agora o macaco louco não terá chance nenhuma! - Lavínia, a Quarta super poderosa!

290º DIA: “Peguei minha moto e pensei como legal seria tirar umas férias e correr pelo litoral do nordeste! Ahhh!... Já estou programando!”  Lavínia, a Born to be wild!

291º DIA: “E o servo careca achou que ia chegar em casa e ligar o Xbox! Me encontrou curtindo um Just Dance com as músicas do mundo Bita! Só com uma mão! Estou mais próxima de conquistar o equilíbrio perfeito!” - Lavínia, a Shakira!   

292º DIA: “Minha genitora partiu para o plantão e me vi sozinha com meu servo careca! Esse bagunceiro não serve nem pra dar meu jantar calmamente! Fica só contando piadas! Kkkk! Volta genitora! Voooolta!” - Lavínia, a bagunceira!

293º DIA: “Estou pronta para fugir entre realidades alternativas! Vários mundos como o nosso para serem explorados, tudo ao alcance de alguns botões e muita física quântica! Só tenho que acertar os cálculos... Só um segundo...!” - Lavínia, a física teórica!    


terça-feira, 14 de novembro de 2017

O VELHO CEMITÉRIO DO CURADOR

Imagem do Google



José Pedro Araújo

A idade do velho cemitério de Presidente Dutra é indefinida. Parece que os primeiros ocupantes do lugarejo escolheram aquele local distante para sepultar os seus mortos. E como não conheço outro campo santo mais antigo do que aquele na cidade, acredito que os primeiros enterrados lá remontam ao começo do século XX, ou até mesmo antes. Talvez tenha inicio naquela época também o pouco interesse em organizar aquele espaço de uma forma mais cuidadosa, planejando bem aquela necrópole e dividindo o seu espaço em ruas, alamedas, quadras e lotes, para melhor orientação aos visitantes.  Nunca vi coisa pior, mais sem organização.

O termo cemitério (Coemeterium), significa “fazer deitar”, definição para o local escolhido pelos primeiros cristãos para sepultar os seus falecidos. E esses locais, via de regra, são muito bem conservados, religiosamente respeitados, cuidadosamente planejados e, por isso mesmo, sempre prontos para a pesquisa ou mesmo para a meditação. Os pesquisadores quando se debruçam sobre a história de algum povo costumam devassar os cemitérios em busca de dados fidedignos sobre a nação estudada. E muito do que se sabe hoje, as informações que temos sobre os primórdios das civilizações, especialmente sobre os seus principais protagonistas, foram obtidas depois de exaustivas pesquisas em antigos cemitérios. É o caso das tumbas egípcias que ainda hoje contribuem com a história daquele povo a cada novo sarcófago encontrado, a cada nova catacumba descoberta.

Por sua vez, existem cemitérios tão importantes e tão visitados, como o Père Lachaise, em Paris, inaugurado em 1804, que recebe por ano mais de dois milhões de visitantes; ou o da Recoleta, em Buenos Ayres, que se transformou em um dos pontos de atração para os turistas do mundo todo que visitam a cidade argentina. A modernidade também chegou aos “campos santos”. O San Cataldo, em Modena, Itália, é um cemitério vertical, instalado em um prédio gigantesco e com muitos andares. Trata-se de um ossuário humano em que a estrutura do corpo do extinto é guardada em caixas individuais em meio a uma decoração florida e muito alegre.

Já o velho cemitério do Curador é um dos piores “campos santos” que já visitei até hoje.  Sem sombras de dúvidas, o pior, o mais desorganizado, aquele que diariamente é mais vilipendiado. Recentemente voltei lá, em datas alternadas, para realizar o sepultamento de duas pessoas muito queridas, e o encontrei imerso no caos de sempre. Mato em profusão sobre os túmulos, sujeira por toda a parte, e o velho e maior problema de todos: a falta de disciplinamento na hora de realizarem-se o sepultamento dos corpos dos falecidos. Como isso vem acontecendo ao longo de muito tempo, parece até que o local é terra de ninguém, onde cada um escolhe o espaço para o sepultamento do seu defunto ao seu bel prazer, no meio dos antigos passeios, muitas vezes uns sobre os outros, sem um mínimo de respeito com quem já ocupou primeiro aquele endereço. Não existem mais ruas para o acesso das pessoas aos túmulos localizados mais para o seu interior, obrigando o visitante a caminhar sobre as sepulturas ou saltar por cima dos túmulos mais difíceis de transpor.

Outra coisa que constatei também: não existe ninguém para informar a localização do jazigo de alguém que se pretenda visitar. Não existe numeração definida ou endereço que possa ser informado. Se você não souber a localização exata da cova de quem pretende visitar, com certeza voltará de lá sem concretizar o seu desejo.

Mas o pior mesmo é a disputa por espaço que se instalou no cemitério. Parece até que as pessoas vão cavando as sepulturas no local que bem entenderem, sem o mínimo de respeito para com quem já chegou ali antes. Nessa última visita, procurei pelo jazigo de uma irmã falecida ainda criança e não mais o encontrei. No local em que fora sepultada, alguém construiu um monstrengo a guisa de catacumba, quadrado, preto, ocupando um espaço de aproximadamente dois metros e meio por dois e meio. A última morada da minha irmãzinha Célia, antes localizado ao lado da campa que continha os restos mortais do seu avô, foi soterrado pelo desrespeitoso invasor, assim como deve ter ocorrido com outros defuntos sepultados nas suas proximidades. Meu coração, já tão abarrotado pela tristeza dos acontecimentos daqueles dias, transbordou de dor e decepção. O descaso com os nossos extintos é brutal ali.

Conto que este meu grito de revolta possa chegar aos ouvidos do nosso Alcaide, um homem sensível e ligado aos interesses da nossa coletividade, e que tem muitos dos seus sepultados no velho Cemitério do Curador. Não me refiro apenas a uma demão de cal nos muros. Mas a algo maior. Ainda é tempo de impor alguma ordem naquele pouco mais de um hectare de terra; organizar o seu funcionamento; estabelecer um gerenciamento eficiente por lá, pois os extintos cidadãos presidutrense precisam também de um bom tratamento para que possam descansar definitivamente em paz.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Magalhães de Almeida - O Desbravador dos Sertões

Comitiva no povoado Olhos D'água, entre Pedreiras e o Curador

Comitiva em viagem de Regresso


José Pedro Araújo

Em uma das primeiras crônicas publicadas neste espaço, em 2015, tratamos sobre a importância do Governador Magalhães de Almeida para os sertões maranhenses em virtude de ter ele eleito como eixo principal da sua administração, a abertura de estradas para fazer a interligação entre os rios Parnaíba e Tocantins. Operoso e destemido, fez ele o reconhecimento dessas estradas pessoalmente em uma viagem que já descrevemos em outro texto já publicado. Pela importância que aquela viagem histórica tem para o município de Presidente Dutra, republicamos o texto na sua íntegra.

“O Comandante José Maria Magalhães de Almeida governou o Maranhão de 01 de março de 1926 a 01 de março de 1930, e desenvolveu no seu governo um espetacular plano de abertura de estradas.  Como apregoou na época, aproximou a capital do sertão. As fotografias postadas acima são do ano de 1928, e foram tiradas pelo Deputado Federal Arthur Magalhães, irmão do Presidente do Estado (nome atribuído ao administrador estadual durante o Estado Novo), um dos membros da comitiva governamental em viagem de inauguração e/ou reconhecimento das estradas. Magalhães de Almeida transformou os caminhos existentes por todo o Maranhão em estradas de rodagem, construindo mais de 4.278 km durante o período do seu governo. Foi um feito extraordinário em um estado que ainda usava seus rios navegáveis, ou semi-navegáveis, para acesso ao interior.

Magalhães de Almeida era um administrador irrequieto e destemido que percorreu todo o interior do estado por diversas vezes, durante o período em que administrou o Maranhão. Nesse périplo de reconhecimento e inaugurações que realizou em 1928, por exemplo, partiu de São Luís às 22 horas para fazer o trajeto de São Luís, Coroatá, Pedreiras, Curador, Barra do Corda, Carolina, Riachão, Balsas, Loreto, Mirador, Colinas, Curador, novamente, Codó e São Luís. Levou apenas 5 dias para concluir o percurso. E em todas as cidades por onde passou, participou de solenidades e foi aplaudido pela população local, demorando-se algum tempo em todas elas. Já transitou também em estradas recém-construídas e com boa pista para o tráfego de automóveis, como os que se pode ver nas fotos acima. Mas essa foi a terceira vez que ele fez esse mesmo percurso. Em 1926, percorrendo ainda caminhos pessimamente construídos, levou 49 dias na viagem. No ano seguinte, 1927, já aproveitando os trechos de estrada recentemente construídos, demorou-se 14 dias para fazer o mesmo trajeto.

Passou duas vezes pelo Curador, nessa viagem de 1928, e encantou-se com o desenvolvimento do povoado de crescia a passos rápidos. O redator da viagem, Clarindo Santiago, expressou-se assim, a respeito do que viu na Vila do Curador: “A povoação cresce dia a dia, em ruas extensas, representando tipicamente um desses aglomerados irregulares formados em torno de uma riqueza da terra. Curador está a 37 km da Matta (D. Pedro), e é um núcleo que, pelo seu desenvolvimento, requer já a sua separação da Barra do Corda, constituindo-se em um município independente. O povo cerca o carro Presidencial, e, enquanto mulheres e crianças vem admirar a efígie de Santa Teresinha colocada junto ao dispositivo do velocímetro como padroeira da excursão, Frei Heliodoro, um simples, inteligente e operoso missionário, faz ao povo, junto às paredes do templo em construção, o panegirico do Presidente Magalhães de Almeida”. Apesar das palavras alvissareiras do orador, levaríamos mais 15 anos até a publicação do Decreto Lei que elevou o Curador à condição de município emancipado.

Na primeira foto acima, a comitiva oficial descansa e posa junto à população do povoado Olhos D’água, situado entre Pedreiras e o Curador. Na segunda fotografia, o povo da Mata do nascimento (D. Pedro), saúda a comitiva presidencial”.


segunda-feira, 6 de novembro de 2017

CRÔNICAS VIVIDAS – SOFRÊNCIA E FELICIDADE

Imagem do Google




José Ribamar de Barros Nunes*

Os dois termos e os dois eventos parecem contraditórios e talvez o sejam, mas só na aparência. A sabedoria popular ensina que as aparências enganam. Com base nisso não vejo contradições e até posso vislumbrar alguma interconexão.
Sendo a vida uma escola diária e sem férias, lições grandes e pequenas ela nos dá diariamente. Para captá-las é mister ter olhos de ver e ouvidos de ouvir, conforme ensinamento bíblico.
Em tudo existe uma ligação de causa e efeito e nada acontece por acaso. Nas atitudes e atos do ser humano essas aparentes ligações e interferências geralmente são visíveis a olho nu e a céu aberto.
Uma longa caminhada começa com um primeiro e pequeno passo. Da mesma forma um sofrimento (algo que nos perturbe ou importune) começa com pequena, mínima ou mesmo uma quase invisível e imperceptível manifestação.
O homem domina a natureza e também pode e deve dominar a si mesmo sendo incontestável, que esse autodomínio se afigura dificílimo. Certo é que até vislumbro entre dor e prazer, alegria e tristeza uma certa complementaridade e união.
Meu pensamento sobre felicidade eu já manifestei a amigos e leitores. Não acredito nela como uma entidade independente, absoluta e completa. Acredito, porém, em momentos felizes que podem ser muitos e multiplicar-se variando com o sentimento e a visão de cada pessoa.
Acredito também que sofrimentos e dores pequenos ou grandes podem converter-se em momentos felizes. Juntos eles conduzem a caminhada, a eterna aprendizagem e busca sem fim pela vida e pelo paraíso...

(*)José Ribamar de Barros Nunes é Assessor Parlamentar  e autor  de Duzentas Crônicas Vividas.
E-mail: rnpi13@hotmail.com