segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

OUTRAS FOTOGRAFIAS ANTIGAS DO CURADOR (2)

(Cortesia da família de José da Cruz Oliveira Torres).
         A fotografia acima traz algumas situações que devem ser esmiuçadas: primeiro a igreja matriz já sem o muro de proteção que a cercava, construído em estilo lombardo evoluído, tal qual o do próprio templo. Depois, a presença de um andaime no campanário mostrando a dificuldade que é pintá-la, em especial naquele tempo quando não existia na região essa armação típica para se trabalharem os prédios altos, e os operários tinham que arriscar as próprias vidas no intuito de concluir o seu trabalho. 
        A foto em questão é dos início dos anos sessenta, e mostra a praça da matriz ainda sem calçamento e com seus banquinhos de madeira, e ao fundo a esquina do Armazém Porto Seguro.
        A bela igreja matriz de São Sebastião é um dos mais belos templos católicos do Maranhão, construído ao estilo das igrejas católicas italianas, cujo campanário(campanille), é erigido ao lado da nave central. O horário em que o flagrante foi feito está registrado no relógio do alto da torre: 8:20. 


(Cortesia da família de José da Cruz Oliveira Torres).

        A segunda foto mostra o proprietário do armazém com alguns familiares e amigos bem acomodados em cadeiras na calçada, um costume daqueles tempos em que vivíamos em total segurança. 
        O instantâneo deve ter sido feito à tarde, após as quatro horas, como mostra a sombra já bastante larga recobrindo a rua ainda sem calçamento, o que atesta ainda que é da primeira metade dos anos sessenta. 
        Por fim, temos um registro da escola paroquial(Escola Paroquial São Bento), onde estudavam os rapazes, uma vez que as meninas estudavam no Colégio São Francisco de Assis, do outro lado da praça, no local onde hoje se encontra a Unidade Regional de Educação. Depois do colégio a imagem mostra a residência do senhor Adir Leda, ex-prefeito da cidade, e logo depois, a casa do senhor Beltrão Campelo, proprietário da famosa cachaça Beltruina, tão ao gosto da rapaziada naqueles tempos. A casa em questão foi demolida e em seu lugar foi erguido o edifício do Banco do Brasil, agência de Presidente Dutra.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Diário de Fralda (Parte 37)



(Empolgado com o nascimento da sua primeira filhinha, papai Bruno começou uma brincadeira que logo caiu no gosto de todos: a produção de um diário que ele convencionou chamar de “Diário de Fralda”. Diante disso, o blog resolveu publicar semanalmente o depoimento da Lavínia que, em último caso, vem a ser a netinha do coordenador do Folhas Avulsas).


SEMANA 40 – Barrada no baile!


(Bruno Giordano)

303º DIA: “Comecei meu treino como Marine! Já já estarei preparada para caçar o capitão Nemo por todos os sete mares! Descobrirei o mistério do abismo! E não serei pega de surpresa pelo waterworld! Hahahahah!” - lavinia, a mergulhadora!

304º DIA: “O treinamento continua! Tenho que voltar a forma urgentemente, mas minhas bochechas só crescem! Desse jeito meu blog de baby fitness não vai deslanchar! Ai ai ...” - Lavínia, a babyfitness!

305º DIA: “A fuga de alcatraz foi moleza frente a este novo desafio! Me revolto com a desfaçatez de que esse isolamento é para meu bem! Hipocrisia! Estão apenas me separando da cozinha e eliminado meu futuro como Masterchef! Mas já estou trabalhando num plano infalível para superar esse desafio... Já estou ganhando a confiança de minha carcereira! Hahahahahaah!” - Lavínia, a escaladora!

306º DIA: “Saímos pra shoppear. Eu, minha genitora e o Mano Buti! Sempre interessante ver as novidades como mochilas de escaladas, combustível de foguete e armas lasers! Não imaginavam que eu conseguiria meu equipamento de aventura com um NPC suspeito no meio da rua, né!?” - Lavínia, a bem equipada!

307º DIA: “Mais uma vez, fui ludibriada! E por minha genitora! Isso não se faz... Estava tão lindinha pra um passeio a beira mar...!” - Lavínia, a sentida!

308º DIA: “Esse negócio de ficar sozinha com o servo careca está me deixando muito mal acostumada... Só preguiça, comilança e brincadeiras... Ahhh preguicinha!” - Lavínia, a descansada!

309º DIA: “Essa carcereira é osso duro de roer! Já ofereci joias, influência e todo tipo de privilégios em troca da chave dessas grades e nada! Não acredito que minha loba gigante esteja compactuando com o servo careca! Traição, traição!” - Lavínia, a prisioneira!

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

OUTRAS FOTOGRAFIAS ANTIGAS DO CURADOR

Foto 1: Cortesia da família de José da Cruz O. Torres







José Pedro Araújo

         Venho solicitando há algum tempo que os meus conterrâneos me disponibilize fotos antigas que mostrassem algum momento do nosso velho e querido Curador. Poucos atenderam ao meu reclame. As fotografias que registram algum ponto da cidade no passado, são a história contada através das lentes de algum fotógrafo e, por esta razão, podem ser muito importantes para que os que vieram depois possam conhecer a história pretérita da terra em que nasceram.   Felizmente algumas poucas pessoas  acorreram ao meu chamamento, como recentemente aconteceu com o meu amigo e conterrâneo Manoel da Guia. São dele as fotos que estamos publicando no momento, parte do álbum da sua família, Oliveira Torres.
         O primeiro instantâneo mostrar o prédio em que funcionou primeiramente o Armazém Porto Seguro, de propriedade do senhor José da Cruz de Oliveira Torres ou JCOT, como se achava registrado no frontispício do ponto comercial em que se instalou depois. O prédio em questão ficava localizado em frente as instalações do Banco do Brasil, localizado na rua Dr. Paulo Ramos, número 572. 
        Na velha fotografia podemos verificar que as ruas da cidade ainda não possuíam calçamento, e os postes da rede elétrica eram de madeira, os mesmos colocados ali na administração do prefeito Gerson Sereno. A fotografia deve ser da segunda metade dos anos sessenta, logo depois que o empresário se instalou na cidade.
         O fotógrafo responsável pela foto enquadrou um grupo de casas da época, a começar pela que pertenceu à senhora Adélia Sereno, e depois, na sequência, vem as que pertenceram a Dondivil Lucena, Salomão Soares e, lá no final, o grande prédio comercial do senhor Celso Sereno. Este último, que conheci ainda em franco funcionamento, foi desmembrado depois em vários pontos comerciais, como o que pertence à Complast, empresa do meu irmão Jônatas Araújo.
        Infelizmente não consegui identificar as pessoas que posaram na fotografia. Dá para ver apenas como estavam elegantemente vestidos.
        O beco que aparece na fotografia também já não existe, pois em seu lugar foi construido um sobradinho em que funciona hoje a Clínica Nossa Senhora da Vitória. Quanto ao velho prédio, é possível ler  na fachada o nome de um antigo comércio:  Casa São Vicente de Paula (CVS Paula). Talvez alguém possa me ajudar a esclarecer se este comércio pertencia ao senhor Doca Sereno, assassinado exatamente nessa esquina.


Foto 2: Cortesia da família de José da Cruz O. Torres
        Na foto número 2, temos o registro do Armazém Porto Seguro já na esquina da travessa Doca Sereno com a Praça São Sebastião, a poucos passos do endereço antigo registrado acima. O edifício em questão, que servia ao mesmo tempo de ponto comercial e residência do seu proprietário, já foi demolido e, em seu lugar, existe hoje o Magazine Ideal. As novas instalações ainda pertencem à família Oliveira Torres. Quanto aos personagens registrados na foto, só identifiquei o próprio proprietário do empório, além dos irmãos Gerson Sereno e, possivelmente, Nelson Sereno.
        O instantâneo fotográfico deve registrar o final dos anos sessenta, pois mostra que a rua ainda não havia recebido calçamento, o que somente viria a ocorrer na década de setenta, na administração do prefeito Valeriano Américo. 

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

AH!, ESSAS PESSOAS SIMPÁTICAS DO TELEMARKETING.

Imagem do Google



José Pedro Araújo

        Que o individualismo hoje é inerente a todos nós, isso ninguém discorda. Nem discorda também que até mesmo os vizinhos, os parentes, os amigos, afinal, raramente nos procuram para aquele bate papo gostoso, aquela troca de confidências, e até mesmo inconfidências, aceitável entre amigos de longas datas. Houve um afastamento doloso entre as pessoas, ao ponto de passarmos anos sem ver um amigo residente na própria cidade em que moramos. Tudo, devo dizer, depois do aparecimento das novas tecnologias que tanto tem contribuído para a nossa separação das pessoas que gostamos tanto de ter à nossa volta. Existem já pesquisadores, estudiosos trabalhando para descobrir o verdadeiro estrago que esse afastamento causa às pessoas. A cada dia que passa tomamos conhecimento de algum trabalho dedicado ao assunto. Quer a ciência descobrir como o isolamento pode afetar a vida de cada um de nós.
        Em um passado não muito distante, costumavam acusar a vida corrida atrás do próprio sustento como a principal vilã a trabalhar incansavelmente para a causa. Nos dias de hoje malsinam pelo malefício a internet, os aplicativos dedicados ao contato pessoal - que começou com os e-mails, depois o twitter e seus 140 caracteres, e hoje o whatsapp, ou os demais aplicativos de conversa à distância. Os novos tempos realmente trazem preocupação aos psicólogos ou analistas da personalidade humana, pois tem produzido pessoas cada vez mais arredias ao contato pessoal, ao caloroso abraço ou a um simples aperto de mão.
        Até mesmo o nosso velho telefone dito fixo – é isso mesmo, hoje temos o telefone móvel, o Skype... – através do qual poderíamos ouvir uma voz amiga do outro lado da cidade, do estado ou do país, esse permanece calado o dia todo, quase não toca. E quando toca, é sempre algum desconhecido quem se encontra do outro lado da linha. Bom, menos mal que esse tipo de telefone não comporta o envio de mensagens escritas, ainda podemos ouvir a voz das pessoas que estão nos chamando. Pelo menos isso. Quando Graham Bell inventou essa tecnologia tinha como propósito aproximar as pessoas, e não afastá-las do convívio umas das outras, como ocorre nos dias de hoje.
        Felizmente temos os jovens do telemarketing a nos ligar vinte vezes ao dia. E começo dizendo que essas pessoas que ligam para a sua casa para oferecer algo à venda, talvez sejam as únicas de fora da sua casa a falar com você em semanas. E são elas também quem nos propiciam momentos de puro êxtase, pois nos oferecem ótimos produtos de consumo, como os cartões de crédito, por exemplo, sem que precisemos sair de casa, e somente através de uma chamada telefônica. E nesses momentos você pode perguntar a ela pela família, como os filhos estão se saindo na escola, caso os tenha, essas coisas que costumamos indagar aos parentes e amigos mais próximo, uma vez que esses estão cada vez mais distanciados da gente.
        Outra coisa: se alguma dessas pessoas ligarem para a sua casa em uma hora imprópria, assim como logo após o almoço, horário que você costuma reservar para uma gostosa e demorada sesta, não se aborreça, ela pode ser portadora de boas notícias. Como, por exemplo, oferecer-te um cartão de crédito sem limite predeterminado. Ou mesmo um empréstimo consignado a ser reembolsado em longos e apetitosos setenta e dois meses.
        Pode ocorrer também de alguém te ligar para oferecer um plano funerário como, por exemplo, da simpática “Funerária Santa Luzia – Sua morte, nossa alegria”. Ai já será tirar a sorte grande. Afinal, algum dia todos nós iremos morrer mesmo!
        Não se aborreça, portanto, se o telefone lá da sala de visitas começar a tocar no meio da noite, quando você tiver conseguido, enfim, conciliar no sono, após duas ou três horas de tentativas infrutíferas. Pode ser alguém te oferecendo a sorte grande.
      Outro dia recebi uma ligação de uma simpática moça que estava começando a trabalhar em uma dessas empresas de telemarketing. Era o seu primeiro emprego, e também o seu primeiro dia de trabalho. Não, não era a sua primeira ligação naquele dia! Ela já havia ligado para noventa e nove pessoas e não havia ainda conseguido vendar nada. Era eu o centésimo. Mas, eu contribui para que o seu primeiro dia de serviço fosse proveitoso: ela aprendeu a se livrar de um cliente que a fez perder muito tempo, tempo que poderia ser utilizado para oferecer, e talvez conseguir algum sucesso, com, pelo menos dez outras pessoas.
        Deste modo, quando o telefone tocou lá na sala eu havia acabado de entrar no Box do banheiro para tomar banho. Já havia até ligado o chuveiro e os primeiros jatos de água começavam a encharcar os poucos fios de cabelo que ainda me restam. Fechei a torneira, ao ouvir o trinado da campainha, e sai correndo enquanto me enrolava na toalha de banho.  Talvez fosse algum parente ou amigo que estivesse querendo conversar um pouco, depois de meses de mudez, e eu não poderia perder a oportunidade que me era dada.  Não era. Era a mocinha simpática de quem falei algumas linhas atrás. Eu, ofegante ainda, respondi que era eu mesmo quem estava falando com ela. E ela então me deu a notícia feliz: eu havia sido escolhido entre milhares de outras pessoas da cidade de Teresina para receber os cartões do banco tal, que ela representava. É lógico que fiquei feliz. Não é todo o dia que te escolhem para receber um brinde desses.
        Disse-me mais que o limite do meu cartão seria de R$ 25.000,00 reais, dinheiro que eu poderia utilizar em compras, ou simplesmente sacar na boca do caixa, em cash. Aí fui à loucura. Agradeci penhoradamente pela minha escolha e, empolgado com a minha sorte, comecei a lhe perguntar como estava a família, os filhos – ela me respondeu que não tinha filhos. Nem casada era ainda – e se não tinha interesse em conhecer o nordeste, essas coisas que dizemos quando queremos parecer simpático a outras pessoas.  
         Mas a minha alegria não durou muito. No auge da minha empolgação, falei para ela que aquela ligação ia ficar marcada para sempre na minha vida como o dia em que a minha estrela veio até mim através dos fios da telefônica. E que, pródigo como sou, adoro usar os meus cartões em compras de produtos que, na maioria das vezes, nem preciso. E ainda mais. E então cometi uma imprudência. disse-lhe que, como não havia conseguido pagar as faturas dos meus dezessete cartões, tive todos eles bloqueados, até o último. Que o novo cartão que ela me oferecia, portanto, seria a minha salvação, me levaria de volta aos shoppings. E com voz embargada arrematei: se estivéssemos falando pessoalmente, afirmei com lágrimas nos olhos, com certeza lhe daria um abraço bem apertado. Acho que essa parte final da nossa conversa ela não ouviu, pois desligou o telefone rapidamente. 
        O tempora, o mores!

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Diário de Fralda (Parte 36)



(Empolgado com o nascimento da sua primeira filhinha, papai Bruno começou uma brincadeira que logo caiu no gosto de todos: a produção de um diário que ele convencionou chamar de “Diário de Fralda”. Diante disso, o blog resolveu publicar semanalmente o depoimento da Lavínia que, em último caso, vem a ser a netinha do coordenador do Folhas Avulsas).


SEMANA 39 – Finalmente! Dez meses de aventura!


(Bruno Giordano)


294º DIA: “Eu estou começando a desconfiar do servo careca e de minha genitora! Esses dias estava pesquisando uns papiros quando me deparei com a história de duas crianças que estavam sendo engordadas para depois servir de lanche para uma usuária das artes das trevas! E desde então comecei a perceber que o servo careca vive me empurrando comida ... Não pode ser?! Será que querem me transformar numa torta???” - Lavínia, a desconfiada!

295º DIA: “Estou com 10 meses de exploração no mundo exterior... E como toda exploração prolongada, adquiri vários vícios! O maior dele é o colo da minha genitora! Ahhhh! 10 meses fantásticos!” - Lavínia, a Minie!

298º DIA: “Domingo foi dia de reunir as tigresas para partimos para as savanas! Está certo que a Amarula é uma loba gigante, mas apenas um detalhe técnico! O importante é que estamos lindas!” - Lavínia, a jaguatirica

299º DIA: “O servo careca queria me mostrar um lance que ele está interessado em começar . Já eram 6:30 da manhã e como estava sem ideias para um bom aprontamento resolvi acompanhá-lo! Chegando lá no evento vi uma galera nadando, pedalando e correndo... E vi essa distinta senhora debaixo de uma tenda... Entendi que nadar, pedalar e correr não era para mim! Já a massagem ... KKK... Entendi porque minha genitora gosta tanto... Mais para a direita por favor!” - Lavínia, a massageada!

300º DIA: “Contagem regressiva para completar um ano de aventuras! Como todo grande evento, temos que parar, pensar e agir! Deixa eu começar parando KKK.. beeeeem paradinha!” - Lavínia, a paradinha!

301º: “O servo careca tem se mostrado bem desenrolado com meus cuidados. Estou pensando em, como agradecimento, torná-lo regente de algum país dentro do meu império. Nada muito grande, nem muito chique.. qual será?” - Lavínia, a benévola!

302º DIA: “Agora que coloquei a casa em ordem, mandei o servo careca para o cantinho da reflexão, posso dar uma descansada com minha genitora! Estou pensando em como seria possuir uma máquina do tempo... Quem sabe eu não construa uma nesse final de semana!” - Lavínia, a inventora!

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

O CONTRASTE DE UM CARTÃO POSTAL

Fonte: Google. Foto de Eduardo Crispim



(Chico Acoram Araújo)*

            Final da tarde de domingo de um dos meses “B-R-O BRÓ”, resolvi visitar novamente um dos pontos turísticos de Teresina – O Parque Municipal do Encontro dos Rios, situado no bairro Poti Velho, zona Norte da cidade. Nesse horário, o clima beirava quarenta graus centígrados. “Vou respirar um pouco o ar do encontro das águas”, pensei. Chegando lá, o infalível e belo pôr do sol começava a reluzir no longínquo horizonte a Oeste. Era uma paisagem crepuscular de tirar o fôlego, fenomenal. Permaneci na beira do rio por algum tempo, admirando aquele poente dourado, um colírio para o final de mais um dia de trabalho.
            Depois de contemplar extasiado aquele esplêndido quadro da natureza, baixei os olhos para a barra onde os rios Poti e Parnaíba se encontram. Confesso que fiquei desapontado com o que vi ali. A minha felicidade foi quase ao chão. Enormes bancos de areia cobertos de pequenos arbustos e outras plantas típicas de vazantes entravavam a correnteza do canal do velho monge. Era o assoreamento, implacável, que sufocava o rio. E o rio Grande dos Tapuias, outrora tão caudaloso, estava ali a definhar-se lentamente.
Do lado do tributário Poti, a poluição e os aguapés tomavam conta da sua desembocadura, dificultando a respiração do rio, asfixiando-o. Era um mar de águas túrbidas, e não um espelho d’água que pudesse refletir a beleza do céu, a lua cheia que começava a brilhar no céu, a dança das árvores das ribanceiras, ou mesmo as acrobacias e piruetas das aves que sobrevoavam o local. A escassez de peixes de ambos os rios são reclamos recorrentes dos pescadores do antigo Arraial da Barra do Poti, posto que sumiram do antigo paraíso.
            Apenas para ilustrar o presente texto, recorro ao imortal poeta piauiense Da Costa e Silva em seu poema “Rio das Garças”:
            “(...)
                É o Parnaíba, assim carpindo as suas mágoas,
                -  Rio da minha terra, ungido de tristeza,
                Refletindo o meu ser à flor móvel das águas.”

            Ergui as vistas novamente para o ocaso – e vi descortinado um céu ruivo fenomenal; baixei-as novamente para o encontro dos rios – e mirei uma desolação total. Aquele estranho quadro surreal fora pintado por um artista louco varrido? Ou seria um cartão postal sobreposto por um anti cartão postal produzido por um fotógrafo vesgo e míope? Mas as pessoas que por ali perambulavam não olhavam para o pôr do sol, e tampouco para as águas da barra do Poti. E se olharam, nada viram. Mas, todos observaram, admirados, a grande estátua do “Cabeça de Cuia” (o jovem Crispim) que, penando por século, ainda vaga errante nas águas dos rios Poti e Parnaíba.
Depois disso, entediado, retornei para carregando na minha memória aquele triste cartão postal do Encontro dos Rios. 

(*)Chico Acoram é contador, funcionário público federal e cronista.