 |
Criador e Criatura - arte de Michelangelo (Teto da Capela Sistina)
|
Luiz Thadeu Nunes e
Silva (*)
Com o tempo descobri que tudo na
vida é arte. E, nisso acredito. Atos, fatos e comportamento. O que e como você
está fazendo? Como você se porta diante dos problemas. O jeito que você ama
alguém. A maneira como você fala. Até seu sorriso e personalidade. No que você
acredita; e em todos os seus sonhos. A maneira como você escolhe se relacionar.
Como você arruma a casa. Sua lista de compras. A comida que você faz. Sua
escrita. A forma como você se sente. Enfim, todas as suas escolhas são formas
de arte. O bom humor, a autoestima, e a gratidão, também são formas de arte. O
bom humor é hábito para os fortes. Para aquele que cultiva a alegria de viver;
aquele que dá sempre mais do que recebe. A autoestima é a certeza que você está
sendo sua melhor versão. Que você tem muito a oferecer, que você faz a sua
parte. A gratidão é o mais nobre de todos os sentimentos. Arrisco-me a dizer
que maior até que o amor, pois você pode deixar de amar, mas ser grato
transcende tempo e circunstâncias. A gratidão é o sentimento de almas nobres. A
vida se renova, toda vez que enchemos nosso coração de paz e resolvemos ter
gratidão pelas coisas conquistadas e pelas bênçãos alcançadas.
É vida nova, toda vez que
renascemos dos nossos temporais e nos reinventamos diante dos dias nublados.
Quando descobrimos, em meio à
nossa "bagunça" e loucura de viver, aquele sentimento de paz que o
tempo nos traz, sabemos que estamos no caminho certo.
Quando nos abrimos para outras
possibilidades de viver e nos olhar: é vida nova, é reconstrução. É renovação,
é mudar o olhar.
Quando desaceleramos o passo
somente pra sentir as gotas que o céu derrama: é renovação, é vida reinventada.
É nas coisas simples que a vida se mostra mais viva.
E quando, finalmente, aprendemos
a nos doar, abraçar com amor, e amar as pessoas como elas são, é transformação.
E, como as estações, florescemos.
Podemos escolher focar na dor ou
no amor, sempre será uma escolha nossa. Aprendi que “ter problemas na vida é
inevitável, deixar-se abater por eles é opcional”. Essa frase é um mantra para
mim. É uma questão minha se agiganto ou não os problemas.
“Você não pode evitar que os
problemas batam à sua porta. Mas não há necessidade de oferecer-lhes uma
cadeira para sentar”; cito Cora Coralina para dizer que não precisamos
desperdiçar energia pensando sobre problemas, quando o certo é focar na
solução. Lembre-se que se você não pode resolver agora, por que perder energia
pensando nisso?
A autocura está a nossa
disposição, só precisamos decidir pôr em prática o amor, o perdão e a gratidão
com disciplina.
Caro leitor, amiga leitora,
permita-me o devaneio deste texto. Mas, diante do cipoal de problemas que nos
assolam, neste início de ano: Brasil se desmilinguido, por causa de dirigentes
aquém dos cargos que ocupam, sem amor e/ou compromisso com o país; dengue
grassando e matando; crise climática, o planeta derretendo; violência por toda
parte; detentos de alta periculosidade fugindo de cadeia dita de “segurança
máxima”; a morte precoce e já esperada de Alexei Navalny pelo sanguinário
Wladimir PUTIN; guerras inclementes e bestiais pelo mundo. Diante de tantas
atrocidades é na arte que busco refúgio. A arte nos salva. Cito meu conterrâneo
Ferreira Gullar, “A arte existe porque a vida não basta”.
Como sonhador esperançoso, faço
da escrita uma válvula de escape, para falar desta coisa mágica chamada vida,
que nos mantém ativos, nos conduzindo e ensinando teimosamente a arte da
bem-aventurança diante das intempéries, pois nada é para sempre.
Desejo que você se descubra todos
os dias, valorize a sua caminhada, coloque os sonhos no varal, e seja capaz de
inventar um motivo qualquer para desabotoar o riso. Todo tempo é tempo de ser
feliz. “O que a vida quer da gente é
coragem”, João Guimarães Rosa.
(*)
Luiz Thadeu Nunes e Silva,
Eng. Agrônomo, Palestrante, cronista e viajante: o latino-americano mais
viajado do mundo com mobilidade reduzida, visitou 151 países em todos os
continentes da terra. Autor do livro “Das muletas fiz asas”. Membro do
IHGM, Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão. ABLAC, Academia
Barreirinhense de Letras, Artes e Ciências.