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Luiz Thadeu Nunes e Silva(*)
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Antes de aqui aportar, foi no
ventre de uma mulher, minha mãe, Maria da Conceição Aragão Nunes e Silva, que
morei por nove meses. Foi o primeiro e mais seguro endereço que já ocupei na
Terra. Não tinha preocupação com nada; sem pagar aluguel, ali morei de graça.
Nem contas tinha. Lugar de pouco espaço, mas de imenso amor e cuidado. Lá tinha
tudo que precisava: amor, afeto, atenção, proteção. Gostava tanto da barriga de
minha mãe, que para sair dei trabalho. Nasci de parto complicado, minha mãe
teve eclampsia, e fui arrancado à força, ou melhor, à fórceps. Talvez sabendo o
que me esperava cá fora. Vim ao mundo em uma manhã de sexta-feira chuvosa, em
dezembro de 1958. No outono da vida, é no colo de
minha mãe que gostaria de me refugiar em tempos nebulosos. Não há porto seguro
melhor que o colo de mãe. Sou primogênito em seis irmãos.
Fui filho amado, desejado, planejado. Sei o que é amor desde muito cedo. Há algo no desejo de ser mãe que
não se confunde com o desejo de ter um filho. Talvez porque a maternidade não
se inaugure apenas no acontecimento concreto, mas em um movimento interno,
íntimo, onde a mulher revisita sua própria história como filha. Como lembra
Sigmund Freud, “tornar-se mãe exige um retorno, um acerto de contas silencioso
com aquela que veio antes, com a mãe que se teve, com a mãe que faltou, com a
mãe que se sonhou”. É desse lugar de filha que se
esboça a mãe que a mulher deseja ser. Uma construção que não é só biológica,
mas simbólica, afetiva, atravessada por identificações, rupturas e escolhas.
Ser mãe, então, pode acontecer antes, além ou mesmo sem o filho: acontece
quando algo dentro se reorganiza, quando se cria um espaço de cuidado, de
acolhimento, de responsabilidade pelo outro e por si. Tenho o maior respeito
pelas mães cujos filhos brotaram do coração. Não saíram de seus ventres, mas do
amor, do desejo de serem mães. Não há nada mais sublime do que
uma mãe. As mães são as guardiãs da vida. São elas, com seus ventres, que
povoam a Terra. Quando Deus quis enviar seu único filho ao mundo, -Jesus
Cristo- foi o ventre de uma mulher que ele escolheu. Isso prova que o amor de
mãe é o mais sublime que existe. Se o mundo fosse governado por mulheres, não
haveria guerra, pois uma mãe não suportaria enviar seus filhos para um campo de
batalha. Essa bestialidade é coisa dos homens. Mãe é território de amor e
cuidado. Ter mãe é ter cobertor para o frio, capa para a chuva, pão para a
fome, água para a sede. Mãe é abrigo. Todos podem
abandoná-lo, mas uma mãe nunca abandona sua cria. Isso é instinto, isso é
cuidar, isso é amar. Maria da Conceição, minha saudosa
mãe era firme, forte e braba. Com seis filhos, em idades próximas, tinha que
ser energética para manter a ordem. Professora primária, com três turnos de
trabalho, foi guerreira. Partiu cedo, aos 43 anos, enquanto dormia, após
jornadas sobrenaturais. Sou do tempo dos corretivos, com cinto. Quando não
existia drone, vi muito chinelo voar em minha direção. Frustração? Nenhuma.
Complexo? Nenhum. Nunca precisei fazer terapia para entender que aquilo também
era demonstração de cuidado e amor. Ao mesmo tempo que era firme,
forte e braba, era amorosa, zelosa e cuidadosa. Nunca passamos necessidade,
tínhamos atenção e amor. Com cuidado de leoa, instinto próprio das mães, ela
soube nos proteger e nos ensinar a seguir em frente sem sua presença. Minha mãe
foi a mãe que precisávamos para ser o que somos hoje. Somente uma mulher te amará antes
mesmo de te conhecer. Ela vai sofrer por ti, vai secar tuas lágrimas, vai te
defender como a própria vida, vai te aconselhar, te incentivar, te cuidar. Ela nunca irá te abandonar, sempre irá te
perdoar, e você, será o amor maior da vida dela. Um dia você poderá magoá-la, pode não a
escutar, vai preocupá-la, vai fazê-la passar noites acordada, mas ainda assim,
ela estará presente, onde e quando você precisar. Só existe uma mulher capaz
disso: a mãe. Mãe é a presença dos anjos na
terra. Ela tem a capacidade de ouvir o silêncio. Adivinhar sentimentos. Encontrar
a palavra certa nos momentos incertos. Mãe é onde a vida começa e o amor
nunca acaba. Sabedoria emprestada de Deus para
nos proteger e amparar. Sua existência é em si um ato de
amor. Gerar, cuidar, nutrir. Amar, amar, amar... Amar com um amor incondicional
que nada espera em troca. Afeto desmedido e incontido, mãe
é um ser infinito. Feliz Dia das Mães a todas as
mamães do mundo. (*) Luiz Thadeu Nunes e Silva, Jornalista, escritor e Globetrotter, é Autor do livro: “Das muletas fiz asas”. Instagram: @luiz.thadeu Facebook: Luiz Thadeu Silva |
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