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| Mamãe e tia Felicinha - as melhores jardineiras da cidade |
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| Mamãe e tia Felicinha - as melhores jardineiras da cidade |
| Montagem fotográfica do autor |
Por: Orfileno Gomes(*)
Com naturalidade e humildade foi
permitida sua entrada para formalizar o convite especial para conhecer o
terreiro fundado por sua mãe — um espaço envolto em mistério, consagrado às
tradições do Tambor de Mina, Terecô e Macumba. Aceitei o convite com respeito
e, como exigia o ritual, preparei-me com vestes inteiramente brancas. Fui só.
Mãe Toinha havia solicitado que eu comparecesse desacompanhado.
O terreiro, localizado na
periferia de um grande bairro de Presidente Dutra, não é fácil de encontrar — e
essa dificuldade parece fazer parte do processo espiritual. A localização
exata, aliás, é mantida em segredo por determinação da própria Mãe Toinha, o
que reforça o caráter reservado e sagrado do lugar. Terreiros como esse,
enraizados nas matrizes africanas e nas heranças indígenas do Maranhão,
costumam se manter em silêncio discreto, guardando com zelo sua ancestralidade
e resistindo à intolerância histórica.
Cheguei ao local por volta das
18h30, no dia 22 de abril. Fui acolhido com seriedade. No centro do terreiro,
uma cadeira confortável havia sido especialmente disposta para mim, diante de
um altar rústico, mas cuidadosamente ornamentado com elementos das divindades
ali cultuadas.
Mãe Toinha, embora de idade avançada, apresentou-se com firmeza, identificando-se como um Espírito de Luz. Nas mãos, segurava um ramalhete perfumado. Com voz serena, pediu que eu depositasse sobre a mesa todo o dinheiro que havia levado. Antes de ir ao terreiro, retirara R$ 500,00 no Banco do Brasil, e pretendia deixar apenas R$ 300,00 como oferenda. No entanto, percebi que ela sabia exatamente quanto eu carregava — e ali se confirmou que, naquele ambiente, nada se oculta aos olhos do sagrado.
À sua frente, repousavam recortes
de jornais com fotos de diversas figuras da política local. Reconheci os
rostos: Valeriano (a quem ela chamou de Vavá), Lindomar Lucena (apelidado de
Vira-lata), Remy Soares (o Rei do Gado), Joaquim Figueiredo (Tião Galinha),
Irene Soares (a Pipira), Juran Carvalho (o Pato) , Raimundo Carvalho —
apelidado de Cururú) e, para minha surpresa, também havia uma foto minha, com a
alcunha de “Rapozão”.
Segundo Mãe Toinha, esses
apelidos que o povo concede aos políticos não são simples brincadeiras, mas
dons espirituais. São sinais de predestinação. “Ninguém recebe um apelido sem
que isso tenha origem espiritual”, afirmou ela. Com um gesto lento e firme,
estendeu o ramalhete sobre minha cabeça e declarou: “Você será ungido
prefeito.”
Disse mais: que já recebera, de
seu guia espiritual, a revelação do ano do meu mandato e até da minha morte — a
qual, segundo ela, virá em idade avançada. Recusei-me a saber tais datas. Que o
futuro cumpra seu papel no tempo certo, sem precipitar ansiedades.
Logo em seguida, manifestou-se no
espaço o Espírito Eliodoro, patrono do terreiro. Um homem negro, de voz mansa,
que serviu em vida ao Coronel Honorato Gomes, segundo ela, como seu ajudante de
ordem. Em sua manifestação, revelou lembranças da minha infância — citando com
precisão gestos de afeto e generosidade que eu, menino, dedicava a ele e à sua
família. A memória veio viva: Eliodoro, quando passava pelo pequeno comércio do
meu pai, sempre me presenteava com doces antes de seguir para o antigo terreiro…
(*)
| Imagem do Google |
Luiz Duailibe
Fernandes (*)
Teresina, Teresina!
Cidade Verde – Menina -
Princesinha do Brasil!
Fonte de luz e calor,
Berço de paz e amor
Terra de belezas mil!
Teresina, eu te saúdo,
Eu te saúdo por tudo
Que diz tua tradição...
Pelo teu calor tão quente,
Que tosta a pele da gente,
Palpitando coração!
Pelo teu céu azulado,
Mais lindo, mais estrelado
Da Constelação Divina;
Donde o sol - com mais fulgor –
Derrama luz e calor
Por sobre ti – Teresina!
A lua plena, bonita,
Da passarela infinita
As noites vai clareando!
E a chapada cor de prata
Sua beleza retrata –
O agreste – prateando!
Pelo piscar do corisco,
Brilhando no céu – em risco...
Chuva em temporal caindo!
A Capital irrigando,
A população rezando,
Proteção a Deus pedindo.
Pelos trovões malcriados
Que quando são disparados
Treme a terra n’amplidão
Num eco triste... profundo...
Parecendo que o mundo
Vem caindo sobre o chão!
Pelos rios caudalosos
Que te abraçam...vagarosos
Correm correm para o mar...
O Parnaíba, o Poty,
Orgulho do Piauí,
Riqueza imensa – sem par!
No calor do teu abraço,
Na verde paz do regaço
Comemoram lindo feito!
O Poty, vindo de longe,
Encontrando o “Velho Monge”,
Adormeceu no seu leito!
Tesouro que a Natureza,
No seu poder de grandeza
Deixa-te como legado.
E desse enlace que fascina,
Tu nasceste Teresina -
Capital Verde do Estado!
Diferente das demais
Litorâneas Capitais
Do Nordeste brasileiro.
Lindamente planejada
Sobre esta verde chapada,
Num projeto pioneiro.
Ruas, praças, avenidas,
Previamente definidas
Com detalhes de riqueza,
Aviventando a cultura
Na arte da arquitetura,
Num cenário de beleza!
Teresina eu te saúdo,
Eu te saúdo por tudo
Que quis dizer mas não pude...
Por tudo que há de novo
Pela proteção do povo,
Na cultura da saúde
Pelo verde da esperança,
Do progresso, da bonança,
Verde que te faz brilhar
Pela força do calor,
Do trabalho e do amor,
Que o Piauí sabe dar!
---------------------
| Imagem extraída do Google |
Luiz Thadeu Nunes e
Silva(*)
Em um mundo cada vez mais
barulhento, há silêncios que não são rendição, mas escolha. Escolher entre
gritar, se posicionar, se fazer notar, ou permanecer calado, apenas a observar
seu entorno. Nem sempre quem cala é fraco ou sem argumentos — às vezes, está
apenas cansado de gritar para quem não ouve. Falar para ausentes, para quem não
quer entender o que se quer dizer. Inúmeras vezes, mesmo sabendo que estamos
certos, pregamos no deserto. Quantas vezes mostrando o óbvio, o interlocutor
não quer ouvir.
É preciso coragem para não
reagir, sabedoria para não se explicar a todo instante,
e maturidade, para deixar o que
não merece resposta seguir seu rumo.
O silêncio fala. O silêncio diz
muito. E, muitas vezes, diz exatamente o que precisa ser dito: que a paz vale
mais do que o orgulho, que nem toda guerra vale a batalha, e que a melhor
resposta é a leveza de quem segue em frente.
O mundo em que nos insere é dual:
complexidade e aparente simplicidade, um enigma tecido em camadas de
transparência e opacidade. Há, sob a aparente banalidade do cotidiano, uma
profundeza abissal, quase metafísica, que exige do sujeito uma escuta rara, uma
atenção quase contemplativa, para ser intuída. A realidade, portanto, não é
aquilo que se mostra à superfície, mas aquilo que pulsa por baixo dela, um
subterrâneo de significados que só a sensibilidade desperta é capaz de
decifrar. Viver é, nesse sentido, uma arte hermenêutica, que exige
interpretação, nuance, abertura ao mistério. Viver é arte do compreender, do
aceitar o que não se pode mudar. É saber ressignificar o dia a dia, mesmo
diante das circunstâncias. Viver é remendar o tênue do tecido da vida, continua
e permanentemente. “O que a vida quer de nós é coragem”, Guimarães Rosa.
Somos simultaneamente
espectadores e agentes do real, atores em um palco que se dobra sobre si mesmo,
onde o enredo se escreve enquanto o representamos. Neste duplo estatuto de ser
e perceber, desenha-se a gênese da autoconsciência. Não nos compreendemos como
entidades isoladas, mas como seres móveis e mutáveis em uma rede de forças
simbólicas e afetivas, que nos atravessam e nos constituem.
Há um mundo que sobrevive
sustentado por ilusões frágeis, tão frágeis que um sopro de consciência é
suficiente para fazê-las ruir. Ilusões que não se sustentam por sua beleza, mas
pela covardia que teme confrontar o concreto. Nesse mundo, o que se sonha não
se crê, o que se deseja não se assume, e o que se pensa se disfarça de leveza
para não carregar o peso do comprometimento.
A arte, nossa salvadora contumaz,
não é apenas ornamento, mas resistência. É o grito que o silêncio entoa quando
não há mais espaço para o óbvio. Cada palavra escrita, cada forma moldada, cada
nota composta, constitui um ato de desobediência contra a ditadura da
normalidade. A rotina é a liturgia do conformismo, e a repetição, seu cântico
fúnebre. Mas, quem pensa, dança fora do compasso, tropeça de propósito, cai em
abismos voluntários, apenas para encontrar, lá no fundo, uma verdade que escapa
aos olhos acostumados à luz rasa. Porque pensar, também, é ato de transgressão.
O isolamento, longe de ser
clausura, é um espaço mágico. Não é fuga, mas mergulho. Um retorno a si, ao
âmago onde a dúvida germina como semente fértil. Ali, o ser se reinventa, e o
pensar não é mero exercício cognitivo, mas sacerdócio interior. A dúvida,
então, não é veneno, mas elixir que alimenta o espírito, o protege da
decomposição pela rotina.
Em tempos de muitos decibéis, de
máxima exposição, o silêncio é um bálsamo.
(*)
Instagram: @luiz.thadeu
Facebook: Luiz Thadeu Silva
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| Foto do autor por ocasião 40 anos da turma de 1972 |
|
Aroucha Filho (*) Agosto de 1972, passado as
festividades alvoroçadas dos trotes, evento de praxe para receber os calouros
do curso de Agronomia, chegou o dia, de reunidos em sala de aula, iniciarmos o
nosso S1. A primeira leitura que fiz dos
colegas, em rápida observação, era de jovens ávidos e interessados pelo curso que
escolheram. De outra banda, o perfil de cada
um, eram contrastantes, no vestir, no corte do cabelo, etc.... Uns tímidos, outros extrovertidos,
apresentavam uma grande heterogeneidade, de indumentárias e de comportamentos. Ao correr do tempo, a
socialização natural da turma foi expandida, formaram-se equipes de estudos, no
entanto o entrosamento era amplo e unificado.
No entretenimento, na prática do futebol, foi formado um time forte em
valores individuais e coletivo. Nos tornamos uma turma homogênea
e fisiologicamente orgânica, talvez tenha contribuído para isso as soluções
químicas com dosimetrias de NOLETO, aliada à fisiologia da Professora DULCE. O curso seguia, e todos
inspirados nos ensinamentos de TRAJANO, já desenhavam seus futuros. O tempo,
senhor do destino, com a facilidade didática de VLADIMIR, era possível
vislumbrar como tempo firme, sem previsões de trovoadas. As metas eram fixadas, o norte de
cada um era guiado pela topografia de JOSÉ ROBERTO. Sim, nesse seguir rumo ao
norte da vida, seriam necessárias várias deflexões, ora à direita, ora à
esquerda, conforme a necessidade do momento para corrigir rumos. No avançar dos períodos,
definidos por S1, S2....S8, o estudo das probabilidades indicava: seria um
percurso sem grandes desvios padrão, onde a moda se mostrava clara no gráfico
de desempenho da turma, dedutível pela percepção estatística tão bem ensinada
pelo REINALDO LIRA. Pisávamos forte o solo em nosso
caminhar, conhecíamos seus horizontes, sua acidez, sua fertilidade, se alguma
aridez surgisse, os ensinamentos de CÉSAR VIANA nos proporcionariam ferramentas
para torná-lo fértil. A época de produzir com o nosso
labor se aproximava com rapidez, tínhamos que ser firmes e competentes. É
certo, que nessa hora vem a timidez, a insegurança, daí é preciso sem temor
buscar os experimentos do JAIME, os cultivos da TOINHA, a precisão matemática
do MUNIZ, e nada poderia ser afetado pela patologia do GILSON. Por isso, uma
boa genética, lembremos CARROCA, faz a diferença. Na zootecnia de MOREIRA LIMA,
definiria o plantel como de pelagem variada, porém de caráter PO. Agora a colheita, as flores, não
esqueci a taxonomia do Dr. PLINIO, que me permite, de maneira sistemática
classificar essa robusta árvore formada pela TURMA DE JULHO/76, com morfologia
perfeita, bela anatomia, excelente genética e de hierarquia linear e
horizontal. Dos ramos que já se desprenderam,
minhas saudades e o meu póstumo afeto. Aos galhos que persistem,
florindo e frutificando, o meu carinho, o meu forte abraço e, a minha alegria
de compor com humildade essa grande árvore. 1 7/JULHO/2025. (*) José Ribamar Aroucha Filho é engenheiro agrônomo aposentado do INCRA, cronista e compositor. |
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| Imagem extraída do Google |
Luiz Thadeu Nunes e
Silva(*)
“A vida é aquilo que acontece,
enquanto estamos ocupados fazendo planos”, disse John Lennon, assassinado em 08
de dezembro de 1980, em frente ao edifício Dakota, onde morava em NY. O
ex-Beatles, foi morto a tiros pelo fã que o perseguia, Mark David Chapman.
Lennon não esperava que perderia a vida, de forma trágica, aos 40 anos; ele
estava vivendo bom momento da vida, e certamente, não constava em seus planos,
morrer tão jovem.
Conto essa história para falar de
como as coisas mudam, rapidamente, sem que possamos ter alguma ingerência sobre
elas. Papai do Céu não nos deu o dom de sabermos o que vem pela frente.
Manhã de 11 de julho de 2003,
abri a janela do apartamento em que hospedava, com vista para o mar, em João
Pessoa, PB, e agradecido, fiz uma oração por tudo de bom estava acontecendo.
Tomei café, rumei para rodoviária; embarquei para Natal. Meu destino final
naquele dia seria Fortaleza, CE.
Ao desembarcar em Natal, o ônibus
que me levaria a Fortaleza passara. Fiquei alguns minutos aguardando o próximo
ônibus. Começou a chover, embarquei em uma van, na esperança de pegar o ônibus
que perdera. A van quebrou e tive que pegar um táxi de linha, comum na região.
Próximo da cidade de Mossoró, RN, na BR 304, o motorista do táxi atendeu uma
ligação telefônica, perdeu o controle do carro, jogando-o para o lado onde
estava sentado. Colidimos com uma carreta, que vinha em sentido contrário. Ao
acordar, após o acidente, todo quebrado e ensanguentado, não tinha ideia de que
minha vida mudaria para sempre.
Havia planejado encontrar com
minha mulher, e meus filhos, Rodrigo e Frederico, para jantarmos naquela noite,
em Fortaleza. Com o acidente, tudo o que havia planejado, mudou. Acordei e vi
que havia sido roubado, tinham levado: mochila, carteira com documentos e
dinheiro; até os sapatos. Ao voltar a mim, não sabia da gravidade do acidente,
e o que me esperaria pela frente. Minha vida, a partir dali, não seria mais a
mesma.
Removido para Natal, durante a
madrugada, fui operado. Houve erro médico, que desencadeou uma série de
cirurgia. Durante cinco anos fiquei preso a leitos hospitalares: em Natal, São
Luís e São Paulo. Usei aparelho Ilizarov na perna esquerda. Passei por 43
cirurgias, transplante ósseo, cem horas de câmeras hiperbáricas, até debelar a
infecção na perna.
Em 2009, livre das cirurgias,
adaptado às muletas, sai pelo mundo.
Quando que eu, em minha
insignificância, poderia pensar que minha vida daria uma mudança de rota tão
radical? Nunca estamos preparados para mudanças bruscas em nossa caminhada, mas
elas acontecem a todo momento.
Tinha 44 anos quando ocorreu o
acidente. Foram anos difíceis, de muitas provações, de inúmeras adaptações. Mas
nós seres humanos somos adaptáveis a tudo.
Após os anos de convalescença,
criei um novo mundo, e nele sigo em frente. A vida não dá macha ré, só anda
para frente.
Não sabemos a força interior que
temos até precisar dela. A necessidade é a mãe da precisão. Caro leitor, amiga
leitora, caso você não precise de algo novo, não sentirá necessidade de mudar.
Basta colocar no piloto automático e seguir em frente. Agora, se precisar, você
encontrará um meio de continuar a jornada.
Viver é arte de superação, de se
adaptar às coisas, pessoas e situações, que em tempos normais nem lhe passaria
pela cabeça.
Como as andanças pelo mundo, já
pisei, com minhas inseparáveis muletas, em 151 países em todos os continentes
da Terra. Em outubro, com fé em DEUS, vou conhecer onze diferentes países da
África. Assim sigo em minha sina de conhecer esse mundão que Papai do Céu
criou.
A vida nos surpreendente a cada
instante, não tem roteiro, nada é seguro, quem não tem medo do inesperado, tem
que ter asas para voar.
(*)
Instagram: @Luiz.Thadeu
Facebook: Luiz Thadeu Silva
E-mail: luiz.thadeu@uol.com.br
José Pedro Araújo (*)
Lá se vão 81 anos desde que o
interventor Paulo Martins de Sousa Ramos assinou o Decreto-Lei 820, em 30 de
dezembro de 1943, ato que elevava o Curador à categoria de município.
Verdadeiramente, o citado ato governamental se tratava de um instrumento
oficial emitido a cada quatro anos pelo governo para definir a nova Divisão
Administrativa do estado maranhense. Era um ato corriqueiro, então. Nessa resolução
administrativa, que tinha validade de 1º de janeiro de 1944 a 31 de dezembro de
1948, muitos municípios foram criados, enquanto alguns outros perderam o status
antigo e voltaram a integrar o território de outro município mais
importante. Vivíamos o tempo da ditadura Vargas, período em que as casas
legislativas se achavam de portas cerradas; daí que a Lei de costume, discutida
e votada pelos senhores deputados, havia sido substituída por um decreto-lei que
continha apenas a vontade única do chefe do executivo. Mas a luta por reconhecimento do povoado Curador vinha de longe, desde quando os primeiros moradores chegaram por ali na segunda metade do século XIX, e fixaram-se em casebres de pau-a-pique e palha de babaçu.
Esse edito, a que nos referimos no início do parágrafo anterior, foi o passo inicial que conferiu
à comunidade, situada no interior mais profundo da região conhecida como Japão
maranhense, poderes e independência, desligando-o do seu município-mãe, Barra
do Corda. Afirmo que foi o passo inicial porque a solenidade oficial de
elevação da Vila à categoria de município somente se daria no dia 28 de junho
do ano seguinte, seis meses após a publicação daquele diploma legal. Passou aquele dia a ser considerado como data oficial que ensejou o início da
nossa caminhada de maneira independente, desligado que fomos do imenso
território barra-cordense; aquele que consideramos o dia primeiro da nossa
caminhada solo.
O interventor Paulo Ramos não se
fez presente ao ato oficial, talvez porque preferisse participar das festividades
de elevação de algum outro novo município mais próximo da capital, posto que muitos
outros foram criados naquela mesma data; talvez porque chegar até a sede do
velho Curador não era uma tarefa muito fácil. Melhor dizendo, era tarefa das
mais difíceis, visto não possuirmos estradas em condições minimamente
trafegáveis. Até mesmo para se deslocar de Barra do Corda até a sede da
povoação do Curador, naquela época, praticamente só se fazia montado em
alimárias, e assim mesmo utilizando-se de um volteio insano que aumentava a
distância entre esses dois pontos em quase oitenta quilômetros,
comparativamente ao percurso que temos hoje. Estrada sinuosa, como já afirmei,
tinha esta via a obrigação de passar por quase todas as povoações mais
importantes do município, o que quase dobrava a distância entre os dois pontos
que se queria atingir. O relatório emitido pelo governo, em decorrência da
viagem de inauguração de várias estradas de rodagem pelos sertões, viagem
empreendida pelo governador Magalhães de Almeida, no ano de 1928, registrava
que o trecho inaugurado pela citada autoridade entre a vila de Curador e Barra
do Corda media longos 176 quilômetros. Mas isso não foi impedimento para o interventor
barra-cordense, Jamil de Miranda Gedeon, fazer-se presente à solenidade.
Provavelmente havia se deslocado até a Vila de Curador montando em algum animal
de sela. Já a autoridade máxima do estado, preferiu enviar o senhor Secretário Municipal
da cidade de Vargem Grande para substituí-lo no ato que reuniu toda a população
da vila.
Hoje em dia, trafegando pela BR
226, a distância entre a sede do município de Presidente Dutra e a de Barra do
Corda não ultrapassa os 98 quilômetros de extensão. Magalhães de Almeida, naquela vigem de inauguração de caminhos que chamava de estradas,
foi o primeiro governador do estado maranhense a pisar em terras curadoense. Isso
aconteceu no distante ano de 1928, já citado. E para registrar a sua passagem
pelo povoado, existem fotografias, talvez as primeiras imagens registradas da
região e eternizadas na celulose. Bem-merecida a homenagem àquela autoridade
prestada pelos presidutrenses, que deu à sua principal artéria, o nome daquele
ilustre conterrâneo.
A fotografia que ilustre o
presente texto, e que nos mostra a cidade nos seus primeiros anos após a sua
elevação à categoria de cidade, nos dá uma ideia aproximada do que era ela no
tempo do seu desligamento de Barra do Corda. A visão que temos é a de uma Rua
Grande desnuda, sem calçamento, sem posteamento para rede elétrica, favorece a nossa imaginação e nos leva a pensar que por baixo daquele piso de terra não devia
correr água encanada. Sem a mínima infraestrutura de serviço em prol de sua
população, mostrava a nossa primeira rua a ser formada pelos nossos pioneiros, as
enormes carências pelas quais passava a população naqueles tempos. Nessa época
ainda, a educação se resumia a essa escola particular que vemos em destaque na
foto, dedicada às estudantes de sexo feminino; e ao colégio São Bento,
instituição criada para receber os rapazes da cidade. As duas, implantadas pelos
capuchinhos que haviam se instalado pouco tempo antes na região. No mais, a educação se
resumia aos mestres-escola que ainda atendiam a criançada da povoação.
Quando criança, andar pelas ruas
sem calçamento ou correr por elas durante as chuvas pesadas que desabavam sobre
a cidade, trazia-me uma sensação de completa liberdade e enlevo; para mim, nada
faltava por ali, pois as brincadeiras de cada período me bastavam. Banhos de
riacho no período invernoso, papagaios de papel colorindo o céu azul no período
de estio, piões, bolas de gude, chuço, e os jogos de futebol em qualquer
período, fizesse sol ou chovesse, completavam as minhas necessidades maiores. Por outro lado, à noite, as brincadeiras de
esconde-esconde ou as estórias de trancoso contadas com excesso de
amedrontamento, supriam com folga a falta de energia elétrica.
Mas aí crescemos, e as exigências
passaram a se apresentar muito maiores. Já não nos satisfazíamos somente com as
brincadeiras.
O aniversário de Presidente Dutra
vai além das celebrações; é um momento para refletir sobre os avanços que o
município alcançou ao longo dos anos. Investimentos em infraestrutura, educação
e saúde têm contribuído para o crescimento da cidade e o bem-estar de seus
moradores. Mas ainda nos falta muito. Precisamos avançar em vários campos que ainda
estão carecendo de melhorias, como a segurança, a falta de oportunidades para
os jovens que chegam à idade em que comumente começa-se a laborar, por exemplo.
Além disto, o abastecimento de água e a coleta e o tratamento de esgoto são
ainda pontos que deixam muito a desejar em um município que cresce a olhos
vistos e que clama pela melhoria desses serviços para se equiparar àqueles que
possuem o seu tamanho em alguns estados brasileiros mais desenvolvidos.
Contudo, quem como eu viu as ruas
da cidade às escuras, com a poeira levantada pelo vento invadindo as residências;
quem, como eu, padeceu da carência de um atendimento médico banal, fato que nos
fazia correr para a cidade de D. Pedro em busca do Dr. Armando Leandro, médico amigo e
muito conceituado, à falta de profissionais do seu quilate na nossa cidade; há
de convir que avançamos muito em vários campos, especialmente neste em
particular. Hoje o município já dispões de três hospitais públicos que prestam
a maioria dos serviços necessários à população. Ademais, clínicas médicas e
odontológicas se espalham por vários pontos da cidade, e a maioria dos seus
profissionais são nascidos nela. A cidade se tornou um polo regional importante
na região central do Maranhão e é quase autossuficiente no campo da saúde.
Parabéns, Presidente Dutra!
Estamos felizes com o que temos, mas queremos mais!
(*)
Aviso: Junho é o mês de
aniversário da cidade de Presidente Dutra. E por conta disso, por todo este mês
estamos realizando uma promoção dos últimos exemplares do livro " Viajando
do Curador a Presidente Dutra - história, personalidades e fatos". Se você
residir em alguma das cidades onde o livro foi posto à venda, cada exemplar
importará em apenas R$ 60,00 reais. Caso seja necessário o envio do livro para
qualquer outra cidade do país, acrescentar mais R$ 15,00, que é o valor do
frete. Portanto, durante os trinta dias de junho, o livro sairá por apenas R$
60,00 reais. E poderá ser encontrado em Presidente Dutra, na Complast, em
Teresina, nas livrarias Universitária e Entrelivros, e em São Luís, na livraria
Amei, no Shopping São Luís. Como já informado, trata-se dos últimos exemplares
que ainda dispomos em estoque. E aquelas pessoas que se interessarem pela
história da região conhecida como Japão maranhense, tem a última oportunidade
de adquirir o livro que traz também, resumidamente, a história do estado do Maranhão.