terça-feira, 8 de março de 2022

“Não provoque, é cor-de-rosa choque”.

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Luiz Thadeu Nunes e Silva(*)

Mulheres não fazem guerra, na história da humanidade não se tem notícia de uma guerra chefiada por mulheres. Todas as guerras no mundo foram iniciativas de homens. As guerras são conflitos armados que acontecem por diferentes motivos, como desentendimentos religiosos, interesses políticos e econômicos, disputas territoriais, rivalidades étnicas, todas tendo homens como protagonistas. E, depois dizem que homem é sabido, é nada, é bicho besta. Quem morre nas guerras são os homens, talvez esteja aí a explicação porque existem mais mulheres do que homens no mundo.


Tenho em casa um exemplar da raça, uma mulher pequena e às vezes braba, que todas as vezes que tenta guerrear comigo, dedo em riste, dizendo “Não tenho medo de ti”, sempre a desarmo dizendo, “Mas eu tenho pavor de ti”. Só louco, briga com mulher.
Mulheres já nascem com instituto materno, geram filhos em seus ventres, amamentam com seu leite, são só carinho, afeto, amor. O exemplo máximo de amor no mundo é amor de mãe. Quando Deus, o criador, quis que seu único filho, Jesus Cristo, se materializasse, escolheu uma mulher para dar à luz.


As mãe deixam de comer para alimentar suas crias, sempre estão disponíveis para ajudá-los, agradá-los, morrem e matam por eles. Basta vê no mundo animal, experimente mexer com uma galinha ou uma cadela, quando estão protegendo suas crias. Quando uma mulher maltrata um filho, ela é tudo, menos mãe.


É uma vergonha essa epidemia que tomou conta do Brasil, o feminicídio.
Nunca se bateu, maltratou, humilhou, matou tantas mulheres como nestes tempos tóxicos que estamos vivendo no Brasil. Nosso país que já foi descrito como um país cordial, se transformou ao longo dos tempos, em um lugar violento, perigoso para as mulheres. Uma vergonha.
Quando sabemos que o mundo é composto por 50% de mulheres e os outros 50% saíram do ventre de uma mulher, fica ainda mais difícil de entender tanta violência contra elas. Desconfio que grande parte dessa cultura de violência seja de homens filhos de chocadeira. Caro leitor, amiga leitora, como você acha que Vladimir Putin chegou no mundo? Ou foi por trás ou é filho de chocadeira, só pode.


Não tem explicação para tamanha maldade de homem inclemente como ele; inexplicável a dor que ele está causando nas mulheres ucranianas, que são forçadas a saírem de suas casas, seu cotidiano, andarem no frio e neve que castiga o leste europeu, carregando seus filhos, fugindo de uma guerra causada por uma mente patológica como a de Vladimir Putin. Misógino, desumano, inclemente, o ex-agente da KGB foi casado até 2013 com Lyudmila Shkrebneva, com que teve duas filhas: Maria Putin e Ekaterina Putina. Segundo a impressa russa , o czar sanguinário, após o fim do casamento com Lyudmila tem várias amantes e filhos. Como todo ditador, tudo é nebuloso, nada pode ser noticiado. Essa parte da história não é contada.


Mulher é artigo de luxo, feliz de quem pode ter uma por perto. Tenho a sorte e o privilégio de ao longo da vida viver cercado delas. Tive uma mãe maravilhosa que me deu toda atenção, mimo, amor e carinho; tenho três irmãs, primas, amigas de longas datas. E, uma mulher que conheci nos bancos da Universidade, que caminha ao meu lado há 40 anos, em um exercício permanente de aprendizado e conquistas.


Não sou pai de filha, mas meus filhos escolheram suas companheiras, que passaram a ser como filhas.


Mulher é tão surpreendente, que mesmo tristes, com cólicas, ao renovarem o batom, renovam a alma, mudam o estado de espírito. Isso é fascinante.


Mulher não é para quem quer, mas para quem tem competência para conquistar, em uma conquista diária, e principalmente para manter. Desconfie de homem que tem várias mulheres.
Mulher é para quem gosta, porque nem sempre é fácil agradá-la, além de terem a tal de TPM, que faz seu humor oscilar mais do que os índices da bolsa de valores. Por falar em bolsa, e também sapato, não conheço mulher que não fique feliz com uma bolsa ou um sapato novos.
Mulher quando não tem mais o que mudar, muda os móveis da sala. Lembro de meu avô, louco da vida, perguntar para minha avó: “Maria esse armário não era na parede de lá”, e ela, impávida, “Era, não é mais”.


Minha mulher corta o cabelo ou muda o penteado pelo menos umas três vezes por mês. Em quarenta anos de convivência, nunca a vi com cabelo cobrindo a nuca, e olha que acho bonito uma mulher de cabelos longos. Liberdade é tudo.


Sábia é a mulher que dar ao homem a sensação de que ele manda. E nós, nos achando inteligentes, acreditamos.


As mulheres falam mais do nós, gostam de que prestemos atenção. Se não tivermos tempo para ouvi-las, há sempre bons ouvidos a escutá-las. Cuidado com os gaviões.


Mulher é algo tão bom que: homem gosta de mulher, tem mulher pegando mulher, tem homem virando mulher. Se a minha me largar, com certeza, emplaco outra.


Meu respeito e admiração a todas vocês mulheres que perfumam, embelezam, colorem, dão sabor ao mundo, tornando-o melhor, mais humano, não só neste Dia Internacional da Mulher, mas em todos os dias do ano.


Vocês melhoram minha vida todos os dias. Mulheres não fazem guerra, mas como escreveu Rita Lee, uma supermulher.


“Não provoque, Não provoque, Por isso não provoque
Nas duas faces de Eva, A bela e a fera
Um certo sorriso, De quem nada quer
Sexo frágil, Não foge à luta
E nem só de cama, Vive a mulher
Por isso, não provoque, É cor-de-rosa choque
Não provoque, É cor-de-rosa choque
Não provoquem. É cor-de-rosa choque
Por isso, não provoque, É cor-de-rosa choque
Mulher é bicho esquisito, Todo o mês sangra
Um sexto sentido, Maior que a razão
Gata borralheira, Você é princesa
Dondoca é uma espécie, Em extinção
Por isso, não provoque, É cor-de-rosa choque”.



(*)Luiz Thadeu Nunes e Silva, Eng. Agrônomo, Palestrante, cronista e viajante: o sul-americano mais viajado do mundo com mobilidade reduzida, visitou 143 países em todos os continentes.

domingo, 6 de março de 2022

Colando palavras atravessei o Atlântico.

Na praça no centro de Kiev, Ucrânia


Luiz Thadeu Nunes(*)


Manhã de quinta-feira, 03/03, chove forte lá fora, acordo com o barulho da chuva, venho de uma noite mal dormida. Como de costume, ligo a TV, noticiário monotemático, guerra no Velho Mundo, mais um conflito na Europa, que domina o noticiário desde a semana passada. Cenas fortes: bombas, explosões, sirenes, pessoas a caminharem no frio, a fugirem de uma guerra que foi criada por um louco tirano, que mudará suas vidas para sempre. Penso nelas. Em 2018 tive a oportunidade de conhecer Kiev, linda cidade, capital da Ucrânia. Como faço em todos os lugares que visito, me hospedo no centro da cidade, ando pelas ruas, avenidas, e praças locais. Fiz um longo passeio nas margens do rio Dniepre. Em um final de tarde, sentei no Café Kaffa, observando o frenesi das pessoas em suas rotinas. Após a invasão dos russos nada disso existe mais. A mídia mostra em tempo integral a crueldade de destruição e morte, resultado dos caprichos de uma mente patológica, que em pleno século XXI brinca de invadir um país-irmão.

Thadeu com um Graçon Ucraniano

Me dirijo para o banheiro, asseio matinal, café da manhã, leitura dos jornais, todos, sem exceção, a mostrar a perversidade da bestialidade humana. Desconfio que a raça humana não tem futuro.
Na noite anterior, no adiantado da hora, recebi um e-mail de um jornalista angolano, comunicando-me que o artigo que lhe havia enviado tinha sido aprovado pela chefia do Novo Jornal, e necessitava de uma fotografia para ilustrar a publicação. Um misto de alegria, honra e gratidão me invadiu, e, na solidão da madrugada, Bossa Nova na vitrola, abri uma garrafa de vinho para celebrar a vida, mais uma conquista, o longo caminho percorrido até aqui. Para quem até pouco tempo não juntava duas palavras que fizessem sentido, agora publicava artigos e crônicas em 17 jornais de 8 estados brasileiros, algo impensável até recentemente. Agora, era celebrar mais uma conquista: meu artigo tinha atravessado o oceano Atlântico, estava prestes a ser publicado em Luanda, e ainda por cima, em um jornal impresso, de maior circulação no país.


Após 40 anos da conclusão do curso de Agronomia, na Universidade Estadual do Maranhão, retornava às voltas com um novo desafio, cursar Jornalismo. O curso de Jornalismo, um velho sonho, por diversas e diferentes motivos adiados, finalmente se realizara. Por estar em casa, impossibilitado de viajar por causa da pandemia do coronavírus, resolvi matricular-me, fechei 2021 com o primeiro ano do curso concluído, escrevendo crônicas e artigos para diversas mídias: jornais impressos, digitais e blogs de oito estados brasileiros.


Como sonhar não custa nada, ainda, resolvi tentar escrever para jornais de língua portuguesa em países de além-mar. O projeto é ter crônicas e artigos publicados nos países lusófonos.
Como tudo que consegui na vida foi pedindo, nada me foi oferecido, resolvi pedir para diferentes pessoas, que intermediasse a indicação de algum jornal estrangeiro.

Entrada do Restaurante na Ucrânia


“Mais vale amigo na praça que dinheiro no banco”, máxima que sigo à risca, bati na porta do português Francisco Brandão, lusitano da aprazível Viana do Castelo, residente no Porto, cosmopolita, cidadão do mundo, amigo querido, falei de minha pretensão em escrever em algum jornal na terra de Luís de Camões, Fernando Pessoa, Camilo Castelo Branco, Eça de Queiroz, José Saramago. O primeiro pensamento era escrever em um jornal português, que ainda não deu.


Gentil, generoso, prestativo e facilitador, Francisco Brandão moveu morros e montanhas, na esperança de ajudar-me. Sempre deixando-me informado de como andavam as negociações. Falou-me de Pedro Portugal, sobrinho mais velho, diretor-geral do Hotel Presidente, conceituado e prestigiado em Luanda. Pedro Portugal, bem relacionado, tem contato com jornalistas angolanos. Passado alguns dias, Francisco me passou o contato do jornalista Ricardo Bordalo, diretor de redação do Novo Jornal.


Entrei em contato com Ricardo Bordalo, apresentei-me, ele me passou seu e-mail, enviei o artigo, para análise, se atenderia os pré-requisito do jornal, para publicação. E, assim, na noite de terça-feira, 02/03, já com o ok da redação, o jornalista Armindo Laureano, me pediu para enviar as fotografias.


No artigo publicado no Novo Jornal com o título “Todos com pressa”, falo da banalização da morte do fotógrafo suíço René Robert, 84 anos, que escorregou em uma rua de Paris, no dia 19 de janeiro, bateu a cabeça, ficou nove horas no chão gelado da Cidade Luz.


Em uma de minhas ida à Paris hospedei-me em um hotel próximo ao local em que René Robert perdeu a vida. Conheço a região, o que me tornou mais próximo do ocorrido. Havia contado essa triste história antes, como o tema do descaso com a vida humana é universal, narro agora a mesma história do outro lado do Atlântico.


Como um Forrest Gump, em andanças pelo mundo, conectei pessoas e fui conectado por elas, sigo contando e ouvindo histórias, sempre com gratidão ao bom e maravilhoso Deus por colocar pessoas gentis, generosas, prestativas e facilitadoras em meu caminho, como Francisco Brandão, que abrem as portas certas por onde passo.


Desde o início da pandemia do coronavírus, há dois anos, estou em casa, na Ilha do Amor, sem viajar. Agora, são as palavras escritas que alçaram voo, atravessaram o Atlântico. Saber que pessoas de outro continente, bem distante, estão manuseando um exemplar do Novo Jornal, lendo o que escrevi, alegra o meu coração. Sinto que valeu a pena minha teimosia e persistência; sigo aprendendo a colar as palavras, torcendo que façam sentido, na esperança de que o leitor goste.


(*)Luiz Thadeu Nunes e Silva, Eng. Agrônomo, Palestrante, cronista e viajante: o sul-americano mais viajado do mundo com mobilidade reduzida, visitou 143 países em todos os continentes.