domingo, 20 de março de 2022

Luísa Helena, saudades...…

Anjo em direção ao céu - Imagem by Google

Luiz Thadeu Nunes e Silva(*)


Manhã de sábado, 19 de março, as chuvas de março caem copiosamente, banhando nossa Ilha. Somos abençoados, mesmo fazendo parte da região nordeste, a mais seca do país, temos água em abundância no Maranhão.

Acordo cedo, vejo em um dos grupos de WhatsApp a notícia de que nesta manhã chuvosa Luísa Helena havia feito a passagem.

Leila Amum, querida amiga dos bancos escolares do Colégio Batista, mãe de Luana, nora de Luísa Helena, quem fez a postagem comunicando seu falecimento.

Rebobinando a memória, vem imagens e lembranças da amiga que agora nos deixa. Poucas pessoas em meu entorno, ao longo da vida, foram tão gentis e generosas com Luísa Helena. Mulher simples, educada, disponível, daquelas que se prejudicava para não contrariar o outro; era de uma elegância única no trato pessoal. Toda a educação de Luísa Helena era fruto da excelente criação que teve.
Preocupada com o próximo, foi o exemplo vivo da verdadeira cristã, uma filha de Jesus Cristo. Mulher de fé no Deus Vivo.


Em julho de 2003, enquanto trabalhava no Incra, sofri um grave acidente de carro que mudaria para sempre minha vida. Até então, como Perito Federal Agrário trabalhava no piso superior da sede do órgão, localizado na Av. Santos Drumond, Anil. Após cinco anos afastado do trabalho, em tratamento da perna esquerda, consequência do acidente automobilístico que sofri em uma BR no interior do RN, impossibilitando de subir escadas, no retorno ao trabalho, fui lotado no setor de Cadastro, no térreo do prédio.

Ao me apresentar à minha nova chefe, Luísa Helena me acolheu não como um colega, mas como um filho, tamanho era o amor, carinho, cuidado, zelo para comigo. Como é bom ser bem tratado, gosto dos que me dão atenção, sou carente de afetos.

Em um ambiente de trabalho onde existe todo tipo de pessoas, que sobressai os que não constroem, que prejudicam os outros, que têm prazer em fazer o mal, Luísa Helena era um oásis de bondade e companheirismo. Privar de sua amizade, atenção, apoio e generosidade foram fundamentais para eu continuar no órgão até minha aposentadoria.

“Tem pessoas que vêm ao mundo já prontas”, costumava repetir minha saudosa mãe, ao se referir às pessoas boas, que só sabem dar amor, mesmo espremidas por situações adversas. Luísa era doce, leve, sem arroubos.

Ao ficar viúva do companheiro de jornada, José Ribamar Réis, nosso colega Ribão, sua partida precoce a deixou desnorteada, com dois filhos adolescentes. Teve que se readaptar à nova realidade, seguir em frente, mas incompleta. Nunca mais foi a mesma. Foi em Deus que se apegou para continuar a caminhada.

Apaixonada pelos filhos, foi a melhor mãe que Neto e Robson poderiam ter tido na terra. Louca pelas netas Maria Beatriz, Choe e Lilah, eram o orgulho da afetuosa e amorosa avó. Amiga dos animais, o cãozinho Billy Paul, em homenagem ao cantor norte-americano, que veio cantar em nossa Ilha do Amor, em duas apresentações, em junho de 2011. Billy foi seu companheiro fiel e inseparável, a alegrava sobremaneira. Sofreu muito quando Billy Paul partiu após longo e doloroso tratamento de saúde.

Sempre que vinha em nossa casa, alegria contagiante, tornava-se criança, modulava a voz para falar com nossos dogs: Fiona, Duck e Brown. Eles ficavam atentos a observar aquela encantadora de cães. Heloisa, Rodrigo e Frederico eram teus fãs, sabias cativar por onde passavas. Deixastes um ótimo e fecundo legado.

Nesta manhã chuvosa, dia de São José, cujas águas lavam nossa cidade, presságio de fartura na lavoura, partistes, deixando uma imensa saudade; deixastes de viver entre nós para viver em nós.
Viver é administrar perdas, é rasgar-se e cingir-se continuamente. A vida segue seu curso, mais triste com as perdas das pessoas que amamos, e que deixam marcas indeléveis em nós.
Luísa Helena Góis Réis, meu respeito e admiração por cada gesto teu de amor, carinho, gentileza e generosidade para comigo. Você foi fundamental para eu vencer muitos momentos difíceis em meio a mar de pessoas difíceis. Querida Lulu, você deixa o mundo em tempos difíceis, em meio a tanto desamor, guerra de homens insanos e desumano, você fará falta, muita falta.

Querida Luísa Helena, em tua homenagem, na vitrola toca Billy Paul cantando a maravilhosa “Me & Mrs Jones”, faço uma oração em agradecimento ao bom Deus por nossa amizade. Vejo pela janela, chove lá fora.......…


(*) Luiz Thadeu Nunes e Silva, Eng. Agrônomo, Palestrante, cronista e viajante: o sul-americano mais viajado do mundo com mobilidade reduzida, visitou 143 países em todos os continentes.

 

sábado, 12 de março de 2022

A INOCÊNCIA DA CRIANÇA

 Imagem Extraída do Google


A INOCÊNCIA DA CRIANÇA

Coordenação: Raimundo Clementino Neto

1 - A inocência da criança

É sublime; é de louvor!

É bastante divertida

Na cidade e interior.

No inverno ou no verão

Nas ruas, no ribeirão

Ela brinca sem temor.

 

2 - Lembro quando era criança,

Correndo na capoeira,

Nas matas e nas veredas

Sem sentir qualquer canseira,

Comendo frutos do mato

Ou pescando no regato,

Pulando da ribanceira.

 

3 - Na cidade, ainda criança,

Depois da escola, na rua

Ou nas sombras dos quintais,

Sem medo da sorte crua

Brincava para valer

Sem esquecer o saber

P’ra que a vida não se “estrua”.

 

4 - Hoje, a vida de criança

No campo ou na cidade

Mudou; está diferente!

Pois não há tranquilidade

É de muito se espantar;

Futuro é de arrepiar

Mundo cheio de maldade.

 

5 - As nossas crianças de hoje,

Não são como antigamente.

Não andam com pés descalços.

Hoje, tudo é diferente!

Não pega bicho-de-pé,

Não arranca a unha do pé

Com topada que nem sente.

 

6 - Atualmente, as crianças

Não sobem nas goiabeiras,

Nem pés de manga e cajá.

Não “banham” nas biqueiras

Das casas, nas chuvaradas;

E em noites enluaradas,

Não fazem mais brincadeiras.

 

7 - Hoje, nossas criancinhas

Nas ruas brincar não vão

Por conta da tal violência.

E as drogas que lá estão

Com as suas armadilhas

Montadas pelas quadrilhas

Sempre que de prontidão.

 

8 - Com um pouco de insensatez

Eu me lembro de detalhe

Que na infância a gente fez

Com pouca maturidade

Daí tenho saudade

De ser criança outra vez.

 

9 - Feito de boa historinha

Contada com muito amor

Pela minha vovozinha

Ela embalou o meu sonho

Depois do dia enfadonho

E eu dormi, belezinha.

Participantes da Oficina
 

10 - Do nascimento a infância

São fases, muito sucinta

Prepara para distância

Tem essa forma distinta

Na mudança encontrada

Mostrará bela estrada        

Serve enquanto requinta

 

11 - Tem elegância na ação

Liberto em escolher

Estudar ter profissão

Pelo que mais lhe caber

Pretender e Preparar

Vem da infância trilhar

Bem seguir por parecer

 

12 - Shopping de antigamente

Era o meio de rua

O parque de diversões

Sob o brilhar da lua

Na missa depois da prece

Na feirinha, na quermesse

A diversão continua

 

13 - Pique esconde, pega pega

Bola de gude, pião

Soltar pipa, jogar bola

Por vezes, com confusão

O jogo só acabava

Quando alguém se zangava

Depois paz e união

 

14 - Pra menina diversão

Também era muito farta

Colecionavam romances

E também papel de carta

Tinha bambolê, peteca

E roupinha p’ra boneca

Com cineminha na quarta

 

15 - Até nas estripulias

Era tudo combinado

Sem maldade, sem malícia

Mas astúcia, um bocado

Pular muro da escola

Para poder jogar bola

No terreno abandonado

 

16 - Na escola a professora

Tentava botar moral

Mas na turma do fundão

Era bagunça total

Molecagem à granel

Com bolinha de papel

Tocava terror geral…

 

17 - Criança não tem maldade

Nem ódio no coração,

É desnuda de egoísmo,

Desconhece a ambição,

É pura de consciência,

Guiada pela inocência,

Deus a conduz pela mão.

 

18 - Criança não faz mistério

Das coisas que imagina,

Por não possuir maldade

Toda criança é divina,

Não humilha nem crítica,

Nos atos que ela pratica

Não julga nem discrimina.

 

                                    19 - Criança vive num plano

De perfeita consciência,

Maldade nunca pratica,

É pura por excelência;

Exemplo para os humanos

E se cometer enganos

De Deus merece anuência.

 

OFICINA DE CORDEL: Raimundo Clementino Neto - (86) 3221-2319 / 99972-0303

 

 

 

Participantes(autores)                                                                             Estrofes                                                                                       

 

Chico Acoram  .................................................................................................... 1 a 7

Luzinete Fontenele ............................................................................................. 8 a 9

Lina Ramos ...................................................................................................... 10 a 11

 Eduardo Oliveira ............................................................................................. 12 a 16

 Joames  ................................................................................................................ 17 a 19

  (*)Folheto produzido conjuntamente pelos participantes da Oficina de Cordel do mês de março de 2022 – Teresina-PI

COCHACOR  - Cordelaria Chapada do Corisco