sexta-feira, 15 de julho de 2016

A Família Carvalho de Sousa - Presença Massiva e Atual no Poder



José Pedro Araújo

Ciro Evangelista de Sousa
Das maiores famílias que pontificaram ou ainda marcam presença na política partidária em Presidente Dutra, resta falar sobre este ramo do que genericamente chamamos de “os Arapuás”. Arapuás é na verdade um grande conglomerado familiar, se é que podemos usar o termo para designar um grande número de famílias que foi se juntando para formar uma só, composta por vários sobrenomes. E são tratados por esta designação por agirem tal qual uma espécie de abelha que habita na região, cuja maior característica é a coesão, o aguerrimento, a zanga e a capacidade de proliferação monumental. Tão monumental que se espalham por vários municípios, dentre estes, Tuntum e Santa Filomena, além de Presidente Dutra. Mas é sobre um ramo dessa grande colmeia que eu quero tratar hoje, os Carvalho de Sousa.

                Esse ramo familiar foi formado por Ciro Evangelista de Sousa, que vem a ser o pai de Jean, Jurandy, Juran e Jurivan Carvalho, políticos com grande ascendência política em Presidente Dutra nos últimos tempos, sobretudo. Ciro Evangelista era proprietário rural e ingressou na Câmara Municipal de Presidente Dutra, como vereador, na eleição de 1976. Cidadão afável, com largo trânsito entre os da sua terra, marcou a chegada da família ao poder local nesses últimos anos. Aproximei-me dele no período em que estudei com o seu filho, Jean Carvalho, em Teresina. Deste modo, nas férias frequentava a sua fazenda situada na BR 226, próxima à do meu pai. Como ele residia na propriedade, era raro o sábado em que não passava o dia por lá para degustar alguns capotes e tomar um garrafão de vinho Sangue de Boi na companhia de alguns amigos do seu filho Jean.

         Ciro, como já afirmei, representava uma família numerosa, e fazia parte do grupo político de oposição a Valeriano Américo desde muito tempo, como um dos seus principais representantes. Mas somente nas eleições de 1976, quando a ala política da situação trabalhava para eleger Lindomar Lucena, foi que ele resolveu se lançar na disputa por um cargo de vereador, pelas oposições. E foi eleito logo nessa tentativa, mostrando a força da sua representação. Cidadão simples e de gestos refinados, não teve dificuldades para seguir nessa nova empreitada da vida, mas passou rapidamente o bastão aos filhos quando achou que eles estavam prontos para representar a grande família Arapuá, agindo nos bastidores. Estava presente, deste modo, no grande grupo de oposição que levou Remy Soares ao poder, mas pôs em seu lugar na Câmara Municipal o filho Jurandy, naquela eleição de 1982. Dai em diante ficou a observar a chegada dos irmãos Carvalho ao poder do ponto de observação mais estratégico: o seio da família.

Jean Carvalho de Sousa
             Jean Carvalho de Sousa, o filho mais velho, médico por formação e político por herança genética indissociável, já foi alvo de uma crônica isolada aqui neste blog, pelo muito que representou na política local. E por esta razão, no devo me deter mais ao seu nome. O segundo da família, Jurandy, como já relatei, foi quem recebeu o bastão das mãos do pai, Ciro, e tomou assento na Câmara Municipal logo na sua primeira disputa. Na eleição seguinte, já fora do grupo de Remy, partiu para uma eleição à prefeitura municipal concorrendo contra seu antigo aliado no pleito que seu concorrente, Agripino Campos Neto, foi eleito. Foi derrotado nesse primeiro momento, mas nas eleições seguintes, em 1992, elegeu-se prefeito municipal de Presidente Dutra. Jurandy Carvalho se lançou candidato a prefeito naquelas eleições com a autoridade de quem havia amealhado uma montanha de votos na corrida eleitoral anterior para prefeito, quando havia concorrido com outros dois candidatos: Agripino Campos, médico, pela situação, e Adenor Lira, outro médico, apoiado pelo grupo de Valeriano Américo.

Jurandy Carvalho de Sousa
             Na seguinte eleição, tonificada a sua candidatura com novas alianças, inclusive pelo grupo político de Valeriano Américo, e tendo Lindomar Lucena como candidato a vice-prefeito, Jurandy concorreu com a esposa de Remy Soares, Irene Soares, obtendo uma vitória avassaladora, baseando o seu discurso na alternância de poder e no favorecimento das camadas mais pobres da população. Interrompia-se, depois de duas administrações seguidas, a predominância do grupo de Remy Soares, mas, não por muito tempo, como vimos em crônicas anteriores.

            A administração de Jurandy Carvalho foi voltada para a educação, ocasião em que reformou muitas escolas em todo o município, dando especial ênfase à melhoria da qualidade do ensino e na ampliação do número de alunos matriculados. Foi durante o seu período administrativo que se deu grande impulso no ensino de 2º grau em escolas do próprio município. Além disto, trabalhou pela melhoria na urbanização da cidade, como a transformação de parte da BR-226 em avenida, constituindo-se aquele trecho em importante artéria comercial, a Avenida José Olavo Sampaio. Outra obra de grande significância foi a construção do terminal rodoviário “Dep. Ariston Costa”, aspiração antiga dos moradores do município.

          O que se viu depois foi uma grande alternância de poder no município. Jurandy não conseguiu fazer o seu sucessor, perdendo a eleição para o próprio Remy Soares, de quem já havia sido aliado, mas elegeu o médico Joaquim Figueiredo na eleição seguinte, em 2000. Na outra eleição, em 2004, foi a vez do grupo de Remy voltar ao poder, tendo sido eleita a sua viúva, Irene Soares, que se manteria no poder por oito anos consecutivos, devido ao advento do instituto da reeleição. Nessa última eleição, Irene Soares venceu o empresário Raimundo Carvalho, em composição formada com o PT. Concorreu ainda nesse pleito, o empresário José Fernando Gonçalves de Sá, que ficou em terceiro lugar no pleito.

Juran Carvalho de Sousa
Juran Carvalho, irmão de Jurandy e de Jean, concorreu à prefeitura municipal nas eleições municipais que ocorreram em 2008, contra a candidata Irene Soares, que tentava a sua reeleição, e perdeu, apesar da grande quantidade de votos obtidos. Na eleição seguinte, de 2010, para os cargos do legislativo, e também Governador e Presidente da República, uma candidata da terra, Priscylla Sá, concorreu para deputada estadual e ficou com a primeira suplência na sua coligação. Priscylla assumiria o mandato por alguns meses. Ocorreu nessa eleição um fato único, quando a imensa maioria do eleitorado local votou na candidata da terra sem observar em qual ala política ela militava.

Juran Carvalho voltaria a disputar as eleições de 2012 para prefeito municipal contra quatro outros candidatos e ganhou, ficando em segundo lugar o empresário Raimundo Carvalho. Como prefeito, tem feito uma administração profícua, realizando muitas e variadas obras por todo o município. Com ênfase na periferia da sede, tem promovido o asfaltamento de ruas e cuidando do saneamento de outras tantas, além de trabalhar pela construção da sede definitiva da prefeitura municipal e do centro administrativo, obras em que se instalarão, além do gabinete do prefeito, as secretárias municipais. Político habilidoso, Juran enfeixou uma coligação ampla para as eleições que ocorrerão neste ano, quando tentará a sua reeleição.

Jurivan Carvalho de Sousa
           Jurivan Carvalho de Sousa é outro filho do chefe do clã formado por Ciro Evangelista de Sousa, a pontificar na política presidutrense. Eleito para o cargo de vereador nas eleições de 2004 tem renovado o mandato em eleições sucessivas, de 2008 e 2012, para a câmara municipal. Jurivan Carvalho é o quarto membro da família a ocupar um posto de vereador no legislativo municipal, tendo sido precedido no cargo pelo próprio pai, Ciro, e pelos irmãos Jean e Jurandy. Atualmente ele ocupa o posto de Presidente do legislativo municipal.

          Desde as eleições de 1976, a família dispõe de um vereador na tribuna do palácio legislativo municipal, às vezes dois, como na 14ª legislatura, no quadriênio 2005/2008, quando tinha assento em duas das nove cadeiras de vereador pelo município. 
José Henrique S. Lima
           Para aquele pleito, além de Jurivan Carvalho, um primo em primeiro grau, José Henrique de Souza Lima, advogado, preocupado com as causas ecológicas, também ocupava um cargo no legislativo municipal. José Henrique vinha de dois mandatados anteriores naquela casa, comprovando a força política da família. Nos últimos pleitos este primo em primeiro grau deixou de concorrer à vereança devido a forte concorrência que estabeleceu. Isso naturalmente trouxe desgaste nas relações familiares. O que se comenta hoje nas rodas políticas locais é que José Henrique não comunga mais dos mesmos interesses da família que se acha no poder. É o que vamos ver na campanha que se avizinha, e que promete ser uma das mais acirradas, como, de resto, tem acontecido nos últimos tempos.  
           O outro irmão, Juraildo, elegeu-se vereador no município vizinho de Senador Alexandre Costa. E no pleito seguinte, lançou-se a vice-prefeito logrando, a sua chapa, um empate com a chapa concorrente. Os adversários, contudo, ganharam as eleições pelo critério da idade.                  

sábado, 9 de julho de 2016

Os Barros&Nunes&Araújo&Falcão&Oliveira&Nava... Testemunhas do Nascimento do Curador






José Pedro Araújo
Cap. Diolindo Luis de Barros
“Quando meu pai me trouxe para a região do Curador, tinha por aqui, no máximo, vinte e seis ou vinte e sete casinhas. Todas de palha”. O depoimento com o qual início este texto sobre a família Barros e outras mais que foram se associado a ela, foi prestado pela senhora Maria José Nunes Barros, minha avó materna. Era assim que ela, ainda muito lúcida, e já beirando aos cem anos de existência, gostava de fazer a comparação da pequena vila da sua infância com a Presidente Dutra dos anos noventa.
D. Zezé, como era conhecida, veio para a região com os pais, José Nunes de Almeida e Maria de Melo Nunes, lá pelos idos de 1897, saindo da cidade de Pedreiras para situarem uma fazendinha de gado na região da Lagoa de Pedra, próxima ao Centrinho. O local hoje faz parte da zona urbana da cidade. Poucos anos depois, por volta de 1903, chegava ao Curador, originado de Pastos Bons, o jovem Diolindo Luís de Barros, casado, família já em formação, para se situar também na vila que nascia já como boa opção de vida.    
Quis Deus que ele ficasse viúvo, completados poucos anos de seu casamento com a senhora Maria Barros. Naqueles anos, morria-se muito facilmente na região, nem uma pequena farmácia se tinha, caso houvesse necessidade de se adquirir um analgésico para combater uma dorzinha de nada. As doenças palustres, em especial o impaludismo, também conhecida como sezão ou maleita, grassavam vorazes na região, e provocavam uma mortandade considerável, especialmente em crianças e idosos. E assim, afligida não sei por qual das doenças mais comuns, faleceu a primeira esposa do Capitão Diolindo Luís de Barros, Capitão da Guarda Nacional, título honorífico portado por poucos.
Quanto a José Nunes de Almeida, proprietário de uma das melhores fazendas da região, construiu a primeira casa de telha na vila, no largo de São Bento, lugar onde depois seria também construída uma capela, e depois a igreja matriz de São Sebastião. Defronte a ele, no lado oposto, também erigiu a sua morada o Cap. Diolindo, no lugar onde hoje está o Convento que abriga o Colégio da Sagrada Família. Esses dois homens tornaram-se amigos fraternais, mais isso não impediu que o viúvo com seis filhos tomasse a jovem filha do amigo, Maria José, em casamento. Este fato, naturalmente, não foi do agrado do sogro. Pior que isso, causou imensa decepção no fazendeiro, que abandonou as terras, a casa de morada e retornou para Pedreiras. Nunca mais pôs os pés no Curador. Começava assim a história da família Barros no Curador.  
O Capitão Diolindo ocupou funções de mando na nascente vila, o principal deles foi o de Agente Fiscal Estadual (Fiscal do Consumo, como era denominado pelo povo do Curador), posto que antecedeu ao de coletor. Já havia sido professor - um dos primeiros -, comerciante, marchante, e muitas coisas mais antes de se responsabilizar pelos impostos na região. O arrecadador de imposto, pela distância da sede que distava mais de 100 km, também tinha a responsabilidade pela administração da vila e pelo pagamento das despesas que surgissem por lá. Depois disto, todo final de mês tinha que selar a montaria e partir para Barra do Corda para prestar contas do que arrecadara. Diolindo era irrequieto, gostava de viajar por estes sertões, principalmente para realizar uma das atividades que mais o animava: a garimpagem. Por esta razão, pediu afastamento do cargo de agente fiscal em agosto de 1934, de acordo com o relatado no Oficio 15/6, de 15.09.1934, enviado pelo Fiscal de Rendas Estadual, Mucio Monteiro, cuja cópia ainda temos conosco. Depois disto, partiu para a primeira das muitas viagens que realizaria para o Pará.
O Capitão não era muito interessado por política, mas, anos depois, alguns da sua descendência enveredaram por este caminho. O primeiro deles foi o genro, Antônio Macedo, que cerrou fileiras junto ao grupo do Capitão Virgulino Cirilo de Sousa, primeiro adversário dos Léda. Não fez grande carreira, apesar de ser um dos lideres daquela facção, e de tentar um mandato de vereador na primeira eleição ocorrida no município. O primeiro membro da família a ter sucesso político foi meu pai, José Pedro de Araújo, casado com uma das filhas do Capitão Diolindo Barros, a professora Teresinha Barros. 
José Pedro de Araújo
José Pedro de Araújo compôs politicamente com a ala do Capitão Honorato Gomes e, depois, até a sua morte, com o grupo de Remy Soares, continuandor daquele esquema. Nunca mudou de lado. Natural de Picos, Piauí, pertencia a uma família de políticos de destaque no estado. Parentes seus ocuparam cargos eletivos em todo o espectro político estadual, desde vereador, prefeito, deputado estadual e federal, senador e governador. Trazia, portanto, no sangue, a genética da política quando veio para Presidente Dutra. Ativo, e portador do sentimento de que o homem deve fazer o seu próprio caminho, saiu do Piauí ainda jovem e veio para o Maranhão, sozinho. Incorporou-se a policia militar, atividade que terminou por levá-lo a Presidente Dutra. Mas, antes mesmo de casar, deu baixa da corporação e enveredou pelo campo do comércio, profissão que abraçou por longos anos. Enquanto isso participava ativamente do movimento político local, elegendo-se vereador por dois mandos consecutivos, nos anos sessenta (1960 a 1969). Como vereador, representava a extensa região do Crioli do Joviniano, onde também tinha uma filial do seu comércio, chegando a residir naquele povoado por dois anos.  
Por vontade própria, abandonou a vereança, pois sabia que a sua condição de político era a fonte de todas as preocupações da minha mãe, em um tempo em que ser candidato a alguma coisa no Curador era uma atividade de alto risco. Abandonou a disputa por cargos, mas nunca deixou a política em si, que estava entranhada no seu sangue. Nem a política sindical. Foi fundador da cooperativa de eletrificação rural e diretor e membro efetivo do sindicato dos proprietários rurais; como pastor protestante, foi presidente da Aliança das Igrejas Cristãs Evangélicas(AICEB), além de Tesoureiro da Federação da Agricultura do Estado do Maranhão. Era um homem de múltiplas atividades, com se pode ver.
Nelson Falcão Barros foi o segundo membro da família a galgar uma posição política no município. Neto de Diolindo Barros, foi vice-prefeito municipal na chapa encabeçada por Antenor Léda (1970 a 1973). Nelson era comerciante e proprietário rural, e participou da primeira e única grande aliança política no município, quando oposição e situação se juntaram e lançaram um só candidato. Pouco envolvido com a política local, era, contudo, uma liderança na área agropecuária, presidindo o Sindicato dos Proprietários Rurais de Presidente Dutra por longo período. E nessa condição, transitava com desenvoltura tanto pela situação como pela oposição. A paz duraria pouco tempo, após a eleição que selou a aliança na política local. Passados poucos meses, voltaram as velhas práticas e a temperatura política voltou a níveis inimagináveis. Poder-se-ia dizer que o clima retornou ao seu normal, pois a temperatura nunca esteve baixa, desde os primeiros embates ocorridos com a fundação do Curador. Nelson terminou o seu mandato e nunca mais quis se envolver com a política partidária. Passou o resto da sua vida administrando os bens que possuía e tentado fazer funcionar o velho sindicato patronal. Aliás, naquele sindicato funcionou um gabinete odontológico que prestou grandes serviços à comunidade mais carente do município.  
Paulo Falcão Barros
Coube a Paulo Barros Falcão, irmão de Nelson, também empresário, dar continuidade aos projetos políticos da família, anos mais tarde, e se envolver em eleições. Respeitado como um dos comerciantes mais hábeis e bem sucedido da região, sempre participou ativamente dos embates políticos locais como um dos seus apoiadores mais fiéis. Quando houve a grande reviravolta que levou Remy Soares à prefeitura de Presidente Dutra, estava ele entre os mais entusiasmados componentes do grupo vencedor, depois de anos de derrotas acachapantes. Paulo Falcão ganhou prestígio político nesse tempo, a ponto de ser escolhido candidato a vice-prefeito na chapa encabeçada pelo médico Agripino Campos Neto. A chapa foi vencedora, e Paulo Falcão mais um descendente do Capitão Diolindo Barros a ocupar um cargo público no município. Terminado o mandato (1989 a 1992), voltou ele a desempenhar apenas as suas atividades favoritas, o comércio e a agropecuária. Paulo ainda é uma palavra respeitada quando se trata de traçar estratégias visando futuros embates eleitorais. Mas, nunca mais quis se candidatar para cargo eletivo. Leva uma vida sossegada, entre o comércio e a residência edificada no recanto da cidade onde a família Barros reside, a chamada região da Bomba. Aliás, a região é chamada assim porque por lá existem alguns postos de combustíveis. Paulo Barros Falcão foi também o precursor dessa atividade econômica, pois foi ele quem instalou na cidade o primeiro posto para abastecimento de veículos automotor.
Raimundo Falcão Nava
A família Barros é um grupo familiar dos mais numerosos em Presidente Dutra. Filhos, netos, bisnetos, tetranetos, e sei lá o que mais, de Diolindo Barros, são contados às centenas em terras do Curador. E dentre estes, mais um descendente enveredou pelo campo político: Raimundo Falcão Nava. Raimundo Nava é filho de José Nava e Neusa Falcão Nava, e bisneto do velho fundador do clã dos Barros. Funcionário público estadual, tem obtido vitórias eleitorais há várias eleições, elegendo-se vereador desde a 12ª legislatura. Faz parte do grupo político organizado por Jean Carvalho, ala esta continuada pelos irmãos, Jurandy e Juran Carvalho. Atuante, Raimundo Nava trabalha diuturnamente como um verdadeiro prestador de serviços à comunidade mais carente do município, situação que o transformou em um dos vereadores mais sufragados em todas as eleições que participou. Está atualmente no seu quinto mandato consecutivo e, pelo visto, não tem intenção de parar por aqui. Raimundo Nava já presidiu a câmara municipal e é uma das maiores lideranças na casa. A sua lealdade ao grupo que acompanha desde a sua primeira eleição, faz dele um dos seus mais destacados membros. Lealdade, nesses tempos de mudanças constantes de rumo, é uma mercadoria rara. Raimundo Falcão Nava é o representante da família Barros na política do Curador, sempre presente nos embates eleitorais nestes setenta e dois anos de sua emancipação política.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

A Família Lucena - Surge Um Novo Grupo Político



José Pedro de Araújo

Foto extraída do blog do A. Jardim
A família Lucena é chefiada por Lindomar Lucena de Lima, um caxiense que chegou a Presidente Dutra na companhia dos pais, Vitoriano Lucena e Joana Lucena de Lima e de um numeroso grupo de irmãos. Em terras presidutrense logo descobriu a sua aptidão para a política, elegendo-se vereador no pleito de 1972, e na eleição seguinte, foi eleito para o cargo de prefeito municipal, apoiado pelo grupo político liderado por Valeriano Américo, e tendo como vice-prefeito Edwirges Carlos Soares, também um ex-vereador. conseguiu uma ascensão meteórica e admirável, pois não veio de nenhuma das famílias de políticos locais, mas fez o seu próprio nome em meio às raposas que dominavam o cenário desde os primórdios do Curador. Só precisou do primeiro empurrão, entretanto, e logo começou a andar com as suas próprias pernas, com competência e grande facilidade para a conversa reservada, convincente.  
          Eleito pela Arena, Lindomar teve como adversário José Pereira de Melo, o Zeca Doca, candidato de oposição apoiado pelo grupo remanescente do falecido Honorato Gomes de Gouvêia. Zeca Doca representava a extensa região de São José dos Brasílios e Lago Grande, e já havia também, como o seu adversário, exercido o cargo de vereador.
          Concorreu também nesse pleito, o ex-vereador Paulo Gonçalves de Sá, que receberia votação insignificante, ficando na última posição entre os três candidatos, devido aos problemas relacionados com a morte de um dos seus adversários.
          Lindomar Lucena tomou posse sob um clima de grande insegurança, pois a população ainda não havia se recuperado do choque recebido em decorrência da prematura morte de Olavo Sampaio, abatido em plena campanha e às vésperas do pleito, distante a pouco menos de um mês. Durante o seu mandato ainda ocorreriam dois assassinatos políticos, tudo ainda relacionado às violentas disputas travadas no passado. Nesses sangrentos episódios, faleceram os vereadores Mauro Elidônio Pereira, mais conhecido pelo epíteto de Santo Belo, e José Rosa Neto, ambos tombados por balas assassinas disparadas por pistoleiros de aluguel. Santo Belo era dado como o provável candidato da oposição e vinha com amplas chances de vitória. E as duas vítimas, tinham em comum o fato de pertencerem à mesma região, o Crioli do Joviniano. Nesse povoado eles disputavam com ardor, um a um, os votos dos eleitores. Deste modo, os investigadores concluíram que os dois crimes estavam associados um com o outro. O município passava, mais uma vez, por um período de crescente intranquilidade, e tudo isso concorria para aumentar a fama da região, assentando-lhe a pecha de extremamente violenta.
          Apesar disto, Lindomar Lucena conseguiu desempenhar uma administração de relativo sucesso, voltada para as camadas mais pobres da população. Ganhou projeção junto a este esquecido segmento social, e um dos programas que lhe conferiu grande popularidade foi a distribuição de lotes urbanos na periferia da cidade. Assim, abriu novas ruas, urbanizou-as, e saiu da prefeitura com a fama de ter realizado muitas ações na periferia do município e nas povoações ao seu redor.
          Com a adoção de uma política pública voltada aos mais carentes, Lindomar haveria de formar sua própria ala política, o que o fez seguir mais tarde o seu próprio caminho, separando-se do grupo que o havia lançado. Nas eleições de 1996, por exemplo, já descolado do seu mentor político, Valeriano Américo, concorreu ao cargo de prefeito municipal contra Remy Soares, que tinha Eleusina Oliveira, esposa de Valeriano, como candidata a vice-prefeita. Concorria também ao cargo de prefeito nesse pleito, com o apoio do prefeito Jurandyr Carvalho, o médico Joaquim Nunes Figueiredo. A separação de Lindomar Lucena do grupo de Valeriano dificultou a sua eleição, ficando ele em segundo lugar naquele pleito, mas atrás apenas do candidato eleito, Remy Soares.
          O fundador do clã político dos Lucena de Lima ainda se elegeria para o cargo de vice-prefeito do município de Presidente Dutra, por duas vezes, a última vez para o quadriênio 2005/2008, na coligação que elegeu Irene Soares, viúva de Remy. Fixara, definitivamente, o nome da família no segmento político local, tendo participado de todos os pleitos desde então, com candidatos a vereador, às vezes mais de um.

Foto acervo do TSE
          Um dos seus herdeiros políticos é o atual vereador Itamar Lucena Lima, seu filho, eleito em sucessivos mandatos, desde a 10ª legislatura, para a câmara municipal. Itamar é um caso de longevidade política que atesta a familiaridade da família Lucena com as eleições, pois, além da 10ª legislatura, sua primeira eleição, ainda se elegeria para a 11ª, 12ª, 13ª, 15ª, e para a atual legislatura, a 16ª. Apenas na 14ª, devido à acirrada competição familiar, uma das vezes em que a família lançou mais de um candidato a vereador, ele não lograria um resultado favorável, ficando como suplente. Nas eleições seguintes, mesmo com a concorrência dentro da família ainda, voltou a se eleger para o cargo de vereador.

Foto Acervo do TSE
Quanto a José Lucena Lima, filho de um irmão de Lindomar, foi eleito vereador por quatro mandatos, ficando como suplente em outros dois. E elegeu-se, concomitantemente com Itamar, para as 10ª, 11ª e 13ª legislaturas, numa demonstração do poderio eleitoral da família. Também na 14ª legislatura, a família Lucena Lima apresentaria mais de um candidato, lançando Luís Lucena Lima, irmão de José Lucena e sobrinho de Lindomar, para concorrer a um cargo na câmara municipal de Presidente Dutra, em substituição ao irmão.Está no desempenho do quarto mandato.
Lindomar Lucena é um caso de político matreiro, quieto, sem um discurso forte, mas que faz bom uso do jogo de bastidores e a costura de alianças políticas que possam lhe render bons resultados nas urnas. Por outro lado, é um cidadão simples, caseiro, pouco dado aos encontros sociais, e que costuma destinar parte do seu dia a receber seus prováveis eleitores para um dedo de prosa. E assim vai costurado e arrematando a sua carreira política, e a dos parentes, a poucos passos da casa do seu mentor, Valeriano.
          Nos dias atuais, contar com a adesão da família Lucena é motivo para grande comemoração. Como na campanha para as eleições deste ano, que ainda nem começou, mas uma das alas em disputa já comemorou com foguetório o fato de ter arrastado praticamente toda a família Lucena para o seu lado.
Foto do perfil no Facebook
          Um novo membro da família Lucena lança voo solo na política nos dias atuais. É Ricardo Lucena, sobrinho de Lindomar, mas que preferiu seguir em raia própria na política municipal. Pelas mãos de uma irmã, ainda em São Luís, passou a militar no PCdoB, quando Flávio Dino ensaiava seus primeiros passos como candidato a Deputado Federal. Retornou a Presidente Dutra em 2012 e passou a organizar o partido na região, com vistas à eleição para governador dois anos depois. E nesse primeiro ano do seu retorno, em sua primeira experiência, buscou uma cadeira para o cargo de vereador, ficando na primeira suplência na sua coligação. Concorria com os outros dois primos, Itamar Lucena e José Lucena. 
          Até poucos dias atrás, Ricardo ocupava o cargo de Superintendente Regional de Articulação Política em Presidente Dutra, do qual se desincompatibilizou recentemente. Ricardo Lucena tem feito um trabalho incansável ao lado do governador do Estado, Flávio Dino, para trazer importantes obras para o município e região, atraindo para si muitos holofotes, papel que faz com bastante eficiência. Preside atualmente o diretório do PCdoB municipal, partido do governador Dino e, pelo que se observa, tem pretensões políticas que extrapolam ao âmbito do território de Presidente Dutra. E, acredito, não descarta também uma possível candidatura ao cargo maior no município, caso o grupo de partidos de oposição do qual participa, não chegue a uma candidatura de consenso. Pelo pouco que conversei com ele, e no que pese transitar em caminho próprio, distanciado mais agora da ala comandada por Lindomar, vi que carrega em si o DNA político dos Lucena, especialmente no tocante ao jeito e ao prazer de fazer política. Ricardo Lucena tem formação superior em Sistema de Informação. É uma das novas lideranças do município, com boa formação e ótimo tirocínio em estratégia política. Ainda deveremos ouvir falar muito sobre ele.
  

sábado, 2 de julho de 2016

Os Gomes de Gouvêia - Desde a Pré-história do Curador




Cel. Sebastião Gomes (Acervo família)

José Pedro Araújo

A história do município de Presidente Dutra está associada à da família Gomes de Gouvêia desde os seus primórdios, é o que podemos inferir das pesquisas realizadas. Ou mais precisamente, desde quando o Curador não passava de uma vila inexpressiva, escondida no mais profundo da região central do Maranhão. A primeira referência que encontramos sobre a família, data de antes de 1920, quando o Coronel Sebastião Gomes, oriundo do município de Carolina, cidade situada às margens do Tocantins, detentor de patente conferida pela Guarda Nacional, foi chamado pela população do Curador para lhe dar proteção contra desmandos ali praticados por Manoel Bernardino e por sua tropa paramilitar. A história do revolucionário Bernardino está registrada no meu livro intitulado “Do Curador a Presidente Dutra – história, personalidades e fatos”. Adianto apenas que Manoel Bernardino de Oliveira partira naquele dia do povoado Mata do Nascimento para ocupar a Vila de Curador, juntamente com um exército de homens armados. O coronel Sebastião Gomes, ainda residente em sua fazenda no lugar conhecido como Graça de Deus, hoje município de Tuntum, acorreu ao chamado da população alarmada do Curador, mas não mais encontrou os tais revoltosos, que já haviam retornado à sua base de operações.

Pelas informações que temos, Sebastião Gomes era a autoridade maior na região, e foi esta uma das razões que o levaram a ser nomeado Subdelegado de Polícia pelo líder político barra-cordense Frederico Filgueira, de quem era grande amigo e aliado. Em vista da atuação de Bernardino, foi Sebastião Gomes nomeado chefe das tropas que dariam combate ao revoltoso. Com ele veio também o Delegado Geral, Dr. Costa Gomes, que ocupava cargo que equivale ao de Secretário de Segurança nos dias de hoje. O Coronel Sebastião Gomes também foi recebedor de um montante em dinheiro de 2.633.850,00 (dois contos de réis, seiscentos e trinta e três mil, oitocentos e cinquenta réis), dinheiro que seria utilizado para adquirir suprimentos para abastecer as tropas. O caso do movimento armado na região, bem como os assassinatos cometidos pela polícia do Capitão Henrique Dias na Mata do Nascimento, passou a ser chamado pela imprensa da capital de Crimes da Matta. É uma página sangrenta que já parte da história oral e escrita da região.

Exemplificando o açodamento político que já tomava conta da região naqueles tempos inóspitos, dependendo do jornal que a noticiava, era o Coronel Sebastião elevado à condição de herói, ou de malfeitor. Os dois jornais mais importantes em circulação na capital, que se encarregavam de promover esse antagonismo, era o Diário de São Luís, governista, e O Combate, duro diário oposicionista.

Mesmo passados os anos, o Coronel Sebastião Gomes sempre esteve envolvido diretamente com os acontecimentos políticos mais importantes do Curador, desempenhando papel de prócer maior, ora como representante do governo, ora como líder da oposição. Aproveitamos estes fatos para passar um recado aos que querem reescrever a história partindo única e exclusivamente do que noticiavam os tabloides da época. No caso especifico do Coronel Sebastião Gomes de Gouvêia, que nos interessa em particular, o mesmo jornal O Combate, que o atacava seguidamente em 1921, lançando sobre ele palavras duras e pejorativas, durante a campanha de 1950 estampava o seguinte título de capa: “Na Realidade o Coronel Sebastião Gomes nunca esteve com o situacionismo”. E escrevia loas e boas sobre as qualidades morais e políticas do velho político curadoense. O próprio coronel não deixava dúvidas sobre suas opções políticas. Em 1945, por exemplo, o velho líder se encarregaria de deixar claro de que lado ele estava. Em nota publicada no jornal o Combate, ele se expressou assim: “Declaro que, em virtude do senhor Vitorino Freire fazer parte da chapa para deputados do PSD, venho, na qualidade de presidente do subdiretório do mesmo partido no Curador, declarar que retiro o meu apoio ao mesmo partido, por considerar o referido cidadão o maior dos meus inimigos. Declaro, outrossim, que desta data em diante passarei a fazer parte dos Partidos Coligados, isto é, Partido Republicano e União Democrática Nacional. São Luís, 31 de outubro de 1945. Ass. Sebastião Gomes de Gouvêia”.

Era um homem corajoso. É o mínimo que se pode afirmar. Pouquíssimas pessoas teriam peito para enfrentar o velho cacique Vitorino Freire deste modo. Enquanto isso, do outro lado, no jornal que lhe era favorável anteriormente, a história agora era bem diferente. Dizia-se que o velho político não tinha mais forças, que a liderança agora estava com o seu filho Honorato. Isso e outras coisas mais. Deste modo, precisamos nos acautelar, pois dos jornais engajados a facções políticas, devemos filtrar os acontecimentos com discernimento e cuidados extremos, não como verdade absoluta, portanto.

Cap. Honorato Gomes(Acervo família)
Por esse tempo, de fato, já pontificava politicamente na região do Curador seu filho Honorato Gomes de Gouvêia, e com ele os irmãos, Nereu e Orfileno. O Capitão Honorato, indubitavelmente, foi uma das maiores lideranças políticas do Curador e deixou descendência política que pontifica politicamente no município até os dias de hoje. Portanto, com a velhice do pai, foi ele, Honorato, quem passou a comandar a facção dos Gomes de Gouvêia no Curador. E na primeira eleição municipal de 25.12.1947, disputou, e ganhou, uma vaga de vereador, cerrando fileira ao lado dos Léda. Atestando a sua liderança, foi escolhido como o primeiro presidente do legislativo municipal.

Nas eleições seguintes, com pretensões de ser o candidato do grupo do prefeito, de quem era aliado histórico, teve o seu nome preterido. E por isso mesmo, lançou-se candidato a prefeito no pleito de outubro de 1950 pelas oposições. Foi derrotado nessas eleições pelo candidato apoiado pelos Léda, José de Freitas Barros, que tinha o comerciante Gerson Sereno como vice. Mesmo assim, o grupo de Honorato fez uma bancada numerosa na câmara municipal, e passou a fazer uma oposição dura e sistemática ao prefeito empossado. Tão dura que o eleito, pouco afeito aos embates políticos, vez que era verdadeiramente um comerciante, renunciou ao seu mandato antes de completar seis meses no cargo.  

Começava ali renhida luta pelo poder. Mais dura e sangrenta. O vice-prefeito, Gerson Sereno, sobre quem já falamos em crônica anterior, negou-se a assinar também a sua renúncia, preferindo não abrir mão de um direito adquirido nas urnas. O que que se seguiu é do conhecimento de todos. Presidente Dutra passou por momentos de pura insegurança, e alimentou os jornais da capital com notícias horripilantes sobre os acontecimentos daqueles anos. A violência, a insegurança e o desrespeito aos mais comezinhos preceitos constitucionais prosseguia na região, e ainda passaria muito tempo até que a ordem fosse estabelecida de vez.

Honorato continuou militando politicamente na região, mas somente no pleito realizado em 03 de outubro de 1960, seria eleito prefeito do município de Presidente Dutra, tendo como companheiro de chapa, o Sr. Valeriano Américo de Oliveira, sobre quem já falamos em crônica anterior. Valeriano assumiu o mandato de vice-prefeito pela segunda e consecutiva vez. Agora, junto ao candidato das oposições, e contra os Léda. Honorato, já em fase idosa, logo se descobriu com um câncer que o debilitaria muito e o impediria de fazer uma administração mais efetiva. Mas ainda teve forças para ajudar a eleger o primeiro representante presidutrense a assembleia legislativa do Maranhão, o deputado estadual Ariston Costa.

 Durante o seu mandato teve inicio o regime militar de 1964, e com ele grandes mudanças ocorreram no país. O capitão Honorato Gomes ainda viu ser assassinado o seu deputado Ariston, e ele próprio veio a falecer durante o seu mandato, fatídico acontecimento ocorrido no dia 15.06.1965. Seu vice, Valeriano, abriu mão de assumir ao cargo de prefeito para não perder a oportunidade de um mandato completo. E por isso coube ao Sr. Raimundo Lopes de Sousa, o Dico da Serra, então presidente da câmara municipal, assumir os destinos do município.

O quadro político local sempre contou com alguém ligado à família Gomes de Gouvêia até os dias de hoje. Um parente próximo, Nacôr Gomes, foi eleito em dois mandatos consecutivos à câmara municipal, para a 2ª e 3ª legislaturas. Orfileno Gomes de Gouvêia, irmão de Honorato, para a 5ª legislatura, mas faleceu em pleno mandato. Eduardo Gomes, filho de Honorato, foi eleito vereador para a 10ª legislatura. Mais recentemente um neto de Honorato voltou à terrinha para trabalhar como médico e logo retomou o projeto político dos Gomes de Gouvêia, do ponto em que foi interrompido. Refiro-me ao Dr. Orlando Pinto, atual vice-prefeito do município, esposo da vereadora eleita para 16ª legislatura, Karita Gomes. Ela também uma neta do velho e aguerrido Honorato Gomes de Gouvêia. Os dois são bisnetos de Sebastião Gomes de Gouvêia, chefe do clã em terras do velho e querido Curador. 

O coronel Sebastião Gomes ao mudar para o Curador situou a fazenda Fortaleza, onde passou a residir. O Capitão Honorato, dono de muitas terras, organizou a Fazenda Santa Maria, situada bem próxima à sede do município, e lá residia. As terras da Santa Maria foram divididas entre os herdeiros, ficando a sede com o filho Eduardo, já falecido. Mas a sua viúva, Lídia Morais Gomes, ainda reside na vetusta casa dos Gomes de Gouvêia. Quando ao herdeiro político, Orlando Pinto, situou-se em uma bela morada também dentro das terras da antiga fazenda. É lá que ele recebe seus correligionários para planejar as futuras ações políticas.