sábado, 9 de julho de 2016

Os Barros&Nunes&Araújo&Falcão&Oliveira&Nava... Testemunhas do Nascimento do Curador






José Pedro Araújo
Cap. Diolindo Luis de Barros
“Quando meu pai me trouxe para a região do Curador, tinha por aqui, no máximo, vinte e seis ou vinte e sete casinhas. Todas de palha”. O depoimento com o qual início este texto sobre a família Barros e outras mais que foram se associado a ela, foi prestado pela senhora Maria José Nunes Barros, minha avó materna. Era assim que ela, ainda muito lúcida, e já beirando aos cem anos de existência, gostava de fazer a comparação da pequena vila da sua infância com a Presidente Dutra dos anos noventa.
D. Zezé, como era conhecida, veio para a região com os pais, José Nunes de Almeida e Maria de Melo Nunes, lá pelos idos de 1897, saindo da cidade de Pedreiras para situarem uma fazendinha de gado na região da Lagoa de Pedra, próxima ao Centrinho. O local hoje faz parte da zona urbana da cidade. Poucos anos depois, por volta de 1903, chegava ao Curador, originado de Pastos Bons, o jovem Diolindo Luís de Barros, casado, família já em formação, para se situar também na vila que nascia já como boa opção de vida.    
Quis Deus que ele ficasse viúvo, completados poucos anos de seu casamento com a senhora Maria Barros. Naqueles anos, morria-se muito facilmente na região, nem uma pequena farmácia se tinha, caso houvesse necessidade de se adquirir um analgésico para combater uma dorzinha de nada. As doenças palustres, em especial o impaludismo, também conhecida como sezão ou maleita, grassavam vorazes na região, e provocavam uma mortandade considerável, especialmente em crianças e idosos. E assim, afligida não sei por qual das doenças mais comuns, faleceu a primeira esposa do Capitão Diolindo Luís de Barros, Capitão da Guarda Nacional, título honorífico portado por poucos.
Quanto a José Nunes de Almeida, proprietário de uma das melhores fazendas da região, construiu a primeira casa de telha na vila, no largo de São Bento, lugar onde depois seria também construída uma capela, e depois a igreja matriz de São Sebastião. Defronte a ele, no lado oposto, também erigiu a sua morada o Cap. Diolindo, no lugar onde hoje está o Convento que abriga o Colégio da Sagrada Família. Esses dois homens tornaram-se amigos fraternais, mais isso não impediu que o viúvo com seis filhos tomasse a jovem filha do amigo, Maria José, em casamento. Este fato, naturalmente, não foi do agrado do sogro. Pior que isso, causou imensa decepção no fazendeiro, que abandonou as terras, a casa de morada e retornou para Pedreiras. Nunca mais pôs os pés no Curador. Começava assim a história da família Barros no Curador.  
O Capitão Diolindo ocupou funções de mando na nascente vila, o principal deles foi o de Agente Fiscal Estadual (Fiscal do Consumo, como era denominado pelo povo do Curador), posto que antecedeu ao de coletor. Já havia sido professor - um dos primeiros -, comerciante, marchante, e muitas coisas mais antes de se responsabilizar pelos impostos na região. O arrecadador de imposto, pela distância da sede que distava mais de 100 km, também tinha a responsabilidade pela administração da vila e pelo pagamento das despesas que surgissem por lá. Depois disto, todo final de mês tinha que selar a montaria e partir para Barra do Corda para prestar contas do que arrecadara. Diolindo era irrequieto, gostava de viajar por estes sertões, principalmente para realizar uma das atividades que mais o animava: a garimpagem. Por esta razão, pediu afastamento do cargo de agente fiscal em agosto de 1934, de acordo com o relatado no Oficio 15/6, de 15.09.1934, enviado pelo Fiscal de Rendas Estadual, Mucio Monteiro, cuja cópia ainda temos conosco. Depois disto, partiu para a primeira das muitas viagens que realizaria para o Pará.
O Capitão não era muito interessado por política, mas, anos depois, alguns da sua descendência enveredaram por este caminho. O primeiro deles foi o genro, Antônio Macedo, que cerrou fileiras junto ao grupo do Capitão Virgulino Cirilo de Sousa, primeiro adversário dos Léda. Não fez grande carreira, apesar de ser um dos lideres daquela facção, e de tentar um mandato de vereador na primeira eleição ocorrida no município. O primeiro membro da família a ter sucesso político foi meu pai, José Pedro de Araújo, casado com uma das filhas do Capitão Diolindo Barros, a professora Teresinha Barros. 
José Pedro de Araújo
José Pedro de Araújo compôs politicamente com a ala do Capitão Honorato Gomes e, depois, até a sua morte, com o grupo de Remy Soares, continuandor daquele esquema. Nunca mudou de lado. Natural de Picos, Piauí, pertencia a uma família de políticos de destaque no estado. Parentes seus ocuparam cargos eletivos em todo o espectro político estadual, desde vereador, prefeito, deputado estadual e federal, senador e governador. Trazia, portanto, no sangue, a genética da política quando veio para Presidente Dutra. Ativo, e portador do sentimento de que o homem deve fazer o seu próprio caminho, saiu do Piauí ainda jovem e veio para o Maranhão, sozinho. Incorporou-se a policia militar, atividade que terminou por levá-lo a Presidente Dutra. Mas, antes mesmo de casar, deu baixa da corporação e enveredou pelo campo do comércio, profissão que abraçou por longos anos. Enquanto isso participava ativamente do movimento político local, elegendo-se vereador por dois mandos consecutivos, nos anos sessenta (1960 a 1969). Como vereador, representava a extensa região do Crioli do Joviniano, onde também tinha uma filial do seu comércio, chegando a residir naquele povoado por dois anos.  
Por vontade própria, abandonou a vereança, pois sabia que a sua condição de político era a fonte de todas as preocupações da minha mãe, em um tempo em que ser candidato a alguma coisa no Curador era uma atividade de alto risco. Abandonou a disputa por cargos, mas nunca deixou a política em si, que estava entranhada no seu sangue. Nem a política sindical. Foi fundador da cooperativa de eletrificação rural e diretor e membro efetivo do sindicato dos proprietários rurais; como pastor protestante, foi presidente da Aliança das Igrejas Cristãs Evangélicas(AICEB), além de Tesoureiro da Federação da Agricultura do Estado do Maranhão. Era um homem de múltiplas atividades, com se pode ver.
Nelson Falcão Barros foi o segundo membro da família a galgar uma posição política no município. Neto de Diolindo Barros, foi vice-prefeito municipal na chapa encabeçada por Antenor Léda (1970 a 1973). Nelson era comerciante e proprietário rural, e participou da primeira e única grande aliança política no município, quando oposição e situação se juntaram e lançaram um só candidato. Pouco envolvido com a política local, era, contudo, uma liderança na área agropecuária, presidindo o Sindicato dos Proprietários Rurais de Presidente Dutra por longo período. E nessa condição, transitava com desenvoltura tanto pela situação como pela oposição. A paz duraria pouco tempo, após a eleição que selou a aliança na política local. Passados poucos meses, voltaram as velhas práticas e a temperatura política voltou a níveis inimagináveis. Poder-se-ia dizer que o clima retornou ao seu normal, pois a temperatura nunca esteve baixa, desde os primeiros embates ocorridos com a fundação do Curador. Nelson terminou o seu mandato e nunca mais quis se envolver com a política partidária. Passou o resto da sua vida administrando os bens que possuía e tentado fazer funcionar o velho sindicato patronal. Aliás, naquele sindicato funcionou um gabinete odontológico que prestou grandes serviços à comunidade mais carente do município.  
Paulo Falcão Barros
Coube a Paulo Barros Falcão, irmão de Nelson, também empresário, dar continuidade aos projetos políticos da família, anos mais tarde, e se envolver em eleições. Respeitado como um dos comerciantes mais hábeis e bem sucedido da região, sempre participou ativamente dos embates políticos locais como um dos seus apoiadores mais fiéis. Quando houve a grande reviravolta que levou Remy Soares à prefeitura de Presidente Dutra, estava ele entre os mais entusiasmados componentes do grupo vencedor, depois de anos de derrotas acachapantes. Paulo Falcão ganhou prestígio político nesse tempo, a ponto de ser escolhido candidato a vice-prefeito na chapa encabeçada pelo médico Agripino Campos Neto. A chapa foi vencedora, e Paulo Falcão mais um descendente do Capitão Diolindo Barros a ocupar um cargo público no município. Terminado o mandato (1989 a 1992), voltou ele a desempenhar apenas as suas atividades favoritas, o comércio e a agropecuária. Paulo ainda é uma palavra respeitada quando se trata de traçar estratégias visando futuros embates eleitorais. Mas, nunca mais quis se candidatar para cargo eletivo. Leva uma vida sossegada, entre o comércio e a residência edificada no recanto da cidade onde a família Barros reside, a chamada região da Bomba. Aliás, a região é chamada assim porque por lá existem alguns postos de combustíveis. Paulo Barros Falcão foi também o precursor dessa atividade econômica, pois foi ele quem instalou na cidade o primeiro posto para abastecimento de veículos automotor.
Raimundo Falcão Nava
A família Barros é um grupo familiar dos mais numerosos em Presidente Dutra. Filhos, netos, bisnetos, tetranetos, e sei lá o que mais, de Diolindo Barros, são contados às centenas em terras do Curador. E dentre estes, mais um descendente enveredou pelo campo político: Raimundo Falcão Nava. Raimundo Nava é filho de José Nava e Neusa Falcão Nava, e bisneto do velho fundador do clã dos Barros. Funcionário público estadual, tem obtido vitórias eleitorais há várias eleições, elegendo-se vereador desde a 12ª legislatura. Faz parte do grupo político organizado por Jean Carvalho, ala esta continuada pelos irmãos, Jurandy e Juran Carvalho. Atuante, Raimundo Nava trabalha diuturnamente como um verdadeiro prestador de serviços à comunidade mais carente do município, situação que o transformou em um dos vereadores mais sufragados em todas as eleições que participou. Está atualmente no seu quinto mandato consecutivo e, pelo visto, não tem intenção de parar por aqui. Raimundo Nava já presidiu a câmara municipal e é uma das maiores lideranças na casa. A sua lealdade ao grupo que acompanha desde a sua primeira eleição, faz dele um dos seus mais destacados membros. Lealdade, nesses tempos de mudanças constantes de rumo, é uma mercadoria rara. Raimundo Falcão Nava é o representante da família Barros na política do Curador, sempre presente nos embates eleitorais nestes setenta e dois anos de sua emancipação política.

2 comentários:

  1. Belas histórias de grandes vencedores e construtores do Curador.

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  2. É verdade, meu amigo. Principalmente porque se tratavam de homens fortes, destemidos, mas pobres, sem grandes riqueza. Nascemos de pequenas fazendas, não nos colossos das casas grandes, das grandes plantações, dos grandes rebanhos. Ao contrário, o desbravamento foi feito por gente que pouco tinha além de uma família numerosa, tangida pela seca nordestina.





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