Foto by Carlos Magno |
terça-feira, 28 de junho de 2016
segunda-feira, 27 de junho de 2016
A Família Sereno - Influência Política Que Se Mantêm.
José Pedro de Araújo
Como já afirmei em algumas
oportunidades, o velho Curador foi fundado por gente com pouco dinheiro. Não
surgiu, portanto, à sombra de uma grande fazenda ou de um expressivo
empreendimento qualquer. A região foi desbravada por gente pobre, mas corajosa
e destemida. Afinal, penetrar no âmago daquela floresta fechada e distante era
coisa para quem tinha coragem e um grande objetivo na vida. No livro “Viajando
do Curador a Presidente Dutra”, no qual tento contar a história da colonização da
região do Japão, termo utilizado exatamente para definir um lugar distante de
tudo, sobretudo da civilização, trato desse assunto com riqueza de detalhes. No
geral, a população que chegava à região provinha de Pastos Bons, Barra do Corda,
Caxias, ou, na sua maioria, dos estados nordestinos mais assolados pelas secas
periódicas. Sem fortuna, geralmente arrastavam atrás de si uma família numerosa
e passavam a residir em uma casa simples, despojada, no mais das vezes construídas
por eles próprios.
O censo de 1950 afirmava que
quase 70% da população do Curador provinha de outras plagas, em geral do
nordeste. Chegava muita gente por aqui, e como já afirmei também, seria impossível
fazer justiça a todos aqueles que participaram ativamente da criação do
município do Curador, seja por falta de dados confiáveis, seja, sobretudo, por
se tratar de um trabalho hercúleo e que extrapola às minhas forças e à minha
competência.
Feita esta justificativa, passo a
me referir a uma família que participa desde sempre e ativamente da vida
política, administrativa e empresarial do município de Presidente Dutra: os
Sereno.
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Nelson Sereno (Acervo de Teresinha Sereno) |
Na primeira
bancada de vereadores saída das eleições de 25/12/1947, já aparecia o nome de
Nelson Sereno. Filho de Pedro Sereno e Felisbela Félix Sereno, Nelson participou
ativamente dos primeiros embates políticos travados para se conhecerem os
mandatários do novo município. Mas a história política dele começaria anos
antes quando foi nomeado interventor para dirigir os destinos do novo município
criado. Houve intensa luta política travada entre os grupos que brigavam pela hegemonia política do novo município, ocasionando a substituição de Valdemir B. Falcão, primeiro interventor após a posse provisória do coletor Lúcio Bandeira, por Nelson Sereno. Este ficaria pouco tempo no poder e logo seus adversários conseguiriam recolocar Valdemir Falcão em seu lugar. Mas, Nelson voltaria a ocupar o cargo em nova reviravolta e ficaria lá até próximo às eleições para se conhecer o primeiro prefeito eleito do Curador, assim como os membros da primeira bancada para a câmara municipal. As disputas continuaram, entretanto, e o governo do estado, em vista do clima beligerante instalado próximo às eleições, convidou os dois lados da questão para uma conversa na capital. E dai surgiu um acordo para preservar a segurança da população no pleito que se avizinhava. Nelson Sereno, num gesto de grande dignidade, aceitou entregar o cargo ao governador para que ele nomeasse um interventor à sua escolha. Foi nomeado o Ten. Coronel Antenor Dias de Carvalho, uma das maiores autoridades policiais do estado naquela época. O militar deveria organizar as eleições do município para se conhecer o primeiro prefeito eleito.
Depois de substituído no cargo de interventor municipal, Nelson Sereno continuou com
suas atividades políticas, e anos mais tarde foi eleito vereador logo na
primeira legislatura para a câmara municipal, como já enunciei acima. Elegeu-se
também para a terceira legislatura, passando ainda a atuar decisivamente na
administração de seu irmão Gerson Sereno à frente do município, quando assumiu
o posto correspondente à secretaria de governo. Já nesse cargo, foi o principal
mentor da criação da guarda municipal do município.
Viveu também
a amarga experiência de ser cassado pelos seus confrades da câmara municipal na
sua segunda participação como vereador, motivado, segundo o que registra os
anais daquela casa, pela sua ausência em todas as reuniões da câmara naquele
segundo mandato. Nelson ainda tentou manter-se no cargo que o povo havia lhe
confiado alegando insegurança para participar das sessões, uma vez que temia
pela sua integridade física; pela sua própria vida, enfim. Mas a alegação não
foi aceita pelos outros edis. Nada que nos impressione hoje, afinal, vivíamos
um período conturbado, em que a justiça, e a própria razão, estavam sendo
constantemente sobrepujadas pela busca do poder de mando a qualquer custo.
No pouco
tempo que permaneceu à frente do comando municipal, Nelson Sereno trabalharia
junto ao interventor estadual para angariar recursos para o seu município,
tendo conseguido importante vitória. No dia 09 de outubro daquele ano, Clodomir
Cardoso baixaria o Decreto-Lei de nº 1.061, concedendo auxilio financeiro a
diversos municípios, dentro os quais estava contemplado o Curador.
Ao abandonar
a política, Nelson Sereno firmou-se como um dos principais empresários da
região estabelecendo seu empório comercial na Rua Grande, principal artéria da
cidade, local que ainda hoje serve como residência para a sua esposa e para alguns
de seus filhos e netos. Foi, portanto, um cidadão que esteve presente ao longo
de mais de cinquenta anos nas principais ações municipais, tanto no campo
político, quanto no segmento empresarial, como grande empreendedor que era.
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Gerson Sereno(Acervo de Terezinha Sereno) |
Gerson
Sereno, irmão de Nelson, ocupou o cargo de prefeito municipal depois da
renúncia de Zeca Freitas, eleito juntamente com ele em uma eleição duríssima no
qual tiveram como adversário Honorato Gomes de Gouvêia. O prefeito empossado em
razão da renúncia do titular, contudo, não teria paz para administrar o
município em decorrência das disputas políticas que em determinado momento
conduziram a um desfecho violento. E nesse período de grande turbulência, os
dois grupos políticos em disputa se cercaram por inúmeros homens armados,
trazendo grande intranquilidade à população. O prefeito municipal criaria então
a Guarda Municipal, que ao invés de apaziguar os ânimos, serviu para acirrar
mais ainda os ânimos. Esse confronto, que fugia ao limpo e legítimo debate
político, culminou com a morte do jovem Acioly Tomás de Barros, atingido por um
tiro durante uma das escaramuças havidas entre os dois grupos antagônicos.
Mesmo com tantos conflitos, o
prefeito Gerson Sereno edificou obras de peso para a comunidade, e dentre as
mais importantes de sua administração está a instalação da rede elétrica urbana
após a aquisição de um grupo gerador e a implantação de 200 postes de aroeira
nas principais ruas da cidade. Determinou ainda que o fornecimento de energia
domiciliar para cerca de 90 famílias seria feito a expensas do próprio
município. De graça, portanto. Na área da educação construiu o Grupo Escolar
Dr. Murilo Braga, com 08 salas de aula, uma escola monumental para os padrões
da época, além de mais outro colégio no povoado Calumbi. Foi responsável também
pela construção do primeiro mercado municipal na sede do município, uma
construção simples, sem paredes laterais, protegido por um teto como cobertura,
sobre colunas de madeira de lei, e alguns Box individuais.
Pelo que se
viu acima, Gerson precisou de muita coragem para tocar a vida administrativa da
comunidade. Quando se pensava que tudo ia bem, a calma aparente, entretanto,
seria quebrada mais uma vez no pobre município que tentava se organizar. Assim
aconteceu quando, em clima de grande emoção, a Câmara Municipal se reuniu no
dia 21 de janeiro de 1955 para apreciar e votar as contas do prefeito,
relativas ao ano anterior. Atestando o clima de intranquilidade instalado, os
vereadores desaprovaram as contas apresentadas, e, ato contínuo, e por
proposição oral do vereador Zeca Belizário, decidiram iniciar a votação do
afastamento do prefeito eleito, por alegada improbidade administrativa. Como a
oposição contava com maioria na casa, o prefeito Gerson Sereno foi afastado do
posto, tendo sido substituído pelo então presidente da Câmara Municipal, Sr.
Ilídio Fialho de Souza, após lavrada Resolução por aquele sodalício.
O ato, que
mais tarde seria considerado irregular pela justiça, fez com que o Sr. Ilídio
Fialho ficasse no cargo de mandatário de 21 de janeiro de 1954 a 10 de abril de
1955, quando Gerson Sereno reassumiu o seu mandato acobertado por uma liminar.
Voltava Gerson Sereno ao lugar que lhe pertencia por direito. E ficaria lá até
o fim do seu mandato, encerrado pouco tempo depois deste último imbróglio. Perdeu, mais uma vez, parte
considerável do seu mandato conferido pela soberana vontade do povo de
Presidente Dutra, uma vez que, na qualidade de vice-prefeito eleito, ainda
demorou a assumir o cargo vago em decorrência da renúncia do prefeito José de
Freitas Barros, o Zeca Freitas. Essa situação será relatada em outra crônica.
Gerson
Sereno, ou Janico, como era chamado carinhosamente pela população, desenvolveu
intensa atividade comercial durante toda a sua vida, constituindo-se em um dos
empresários mais importantes da região, e dedicou-se a ela até próximo do seu
falecimento. Outro membro da família, Noveli Sereno, filho de Nelson, também
ocupou o cargo de vereador no município por algum tempo.
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Irene de Oliveira Soares |
O município
ainda contou com um Sereno na chefia da administração, a prefeita Irene Soares,
viúva do ex-prefeito Remy Soares. Expoente desta família que participa
ativamente dos embates políticos desde a época da criação do então município de
Curador, Irene é sobrinha dos ex-administradores Nelson e Gerson Sereno, e embora
tenha contado com a força do nome do ex-prefeito Remy Soares, traz consigo o
DNA dos Sereno. Governou o município por dois mandatos sucessivos, de 2005 a
2008, e de 2009 a 2012, e deixou extensa folha de serviços prestados. Ainda
atua fortemente na política municipal e tem seu nome ventilado para as próximas
eleições, seja como candidata, seja como apoio importante para os candidatos da
oposição.
Nelson e
Gerson Sereno, que me lembre, possuíam outros irmãos que se dedicaram ao
comércio, entre eles Celso e Apolônio, mas estes não enveredaram pelos caminhos
da política.
quarta-feira, 22 de junho de 2016
A Família Léda e o Domínio dos Sertões
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Família Leão Léda(Acervo F. Léda) |
José Pedro Araújo
Pela importância histórica que o
clã dos Léda tem na política local, peço licença aos meus dois ou três leitores
para regredir um pouco na história e levantar a sua vida pregressa. Tudo isso
porque a família objeto deste sucinto e despretensioso texto teve três
representantes como principais mandatários do município: Ariston, Adilon e
Antenor Léda. Ao mesmo tempo, interessa-nos saber um pouco mais sobre a origem
dessa família, em razão das tensões políticas vividas desde os primórdios da
nossa história.
Consta que a presença da família
Léda no sul e centro sul do Maranhão se deu com a chegada do comerciante
português Antônio Rodrigues de Miranda Léda à região. Ao casar-se com a jovem
Leocádia, filha do comerciante paulista, radicado em Grajaú, Bento José Moreira,
gerou a grande família Léda que se espalhou pelo Maranhão, além de outros
estados brasileiros. Um dos filhos advindos dessa união foi Ana Léda, irmã do
famoso Leão Léda, maior líder político de Porto da Chapada(como se chamava na
época o município de Grajaú), chefe do partido liberal, que travou os maiores
embates já registrados no sul do Maranhão, episódios que ficaram conhecidos para
os historiadores como a “Questão do Grajaú”, ou a “Guerra do Léda”.
O sangue derramado nessas
escaramuças políticas encharcou o chão do sul maranhense e escreveu uma página
negra na nossa história. Entretanto, praticamente todos os historiadores marcam
posição ao lado dos Léda, atribuindo a violência ao poder discricionário dos
políticos assentados nos postos de comando na capital maranhense. Mas, isso é
outra história, e não é nosso propósito tratar aqui nesse texto.
Voltando ao nosso objetivo,
trataremos sobre Ana Léda, matriarca nascida no apagar das luzes do século XIX,
gerada da união de Antônio Léda com Leocádia Moreira. Ana casou-se com Laurindo
Pires de Araújo, e gerou numerosa família, entre estes, Antônio Pires Léda, pai
dos três irmãos que viriam, muito mais tarde, tomar assento na cadeira de prefeito
de nossa terra.
A região central do Maranhão, na
qual se situava o Curador, última fronteira desbravada pelos bandeirantes que
partiram de Pastos Bons para se estabelecer no sul e centro sul do estado, era
uma região de difícil acesso, protegida por inúmeras tribos guerreiras e por
uma floresta densa e, por isso mesmo, de difícil acesso. E essas dificuldades se
viam aumentadas de forma drástica pela ausência de um dreno fluvial, um rio
perene, que permitisse acessá-la com maior facilidade. Todos esses impedimentos
acobertavam uma região de solo fertilíssimo, com excelente índice pluviométrico,
e estrategicamente situada entre os rios Itapecuru e Mearim. Foi essa região de
terras excelentes, incultas e devolutas que atraiu os irmãos Léda.
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Ariston Léda |
Ariston Arruda Léda, o mais
velho, situou-se na região de abrangência do Curador, distante da sua sede,
Barra do Corda, mais de cem quilômetros. Não no maior povoado da região, o
Curador, mas escolheu para sua morada outra povoação, conhecida como Tuntum.
O sangue dos Léda que corria
pelas veias de Ariston, continha aditivos próprios da família, o que sempre empurrava
seus membros em direção à política partidária. E Ariston não se fez de rogado. Logo no
primeiro embate eleitoral no recém-criado município do Curador, em 19 janeiro
de 1948, apresentou o seu nome para concorrer naquele pleito contra Virgulino
Cirilo de Sousa, cidadão residente no povoado do Curador. Começava ali um dos
períodos mais conturbados da nossa história. Depois de uma campanha difícil, na
apuração dos votos dos 800 eleitores que compareceram às urnas, em pleito
presidido pelo juiz Raul Porciúncula, o resultado encontrado gerou profundo
debate, e os apontavam para uma vitória do adversário de Ariston. Deste modo, o
resultado final só foi conhecido depois de passar pelo crivo do Tribunal Regional
Eleitoral do Maranhão, que reconheceu Ariston Léda como vencedor. Não me cabe
aqui emitir juízo de valor sobre o resultado real daquele pleito, como também
dos outros que lhe sucederam. O que, naquele tempo reinava entre nós o
“vitorinismo”, nome atribuído ao espaço de tempo em que comandou a política
estadual o pernambucano Vitorino de Brito Freire.
Ariston Léda era um político
sagaz, articulado, e devotava a maior parte do seu tempo ao mister. Para isto,
era apoiado por forças poderosas em São Luís, a começar pelo seu cunhado, José
Martins Dourado, deputado estadual. E coube a ele instalação da estrutura física e administrativa
para viabilizar o funcionamento do novo município. Naqueles tempos as verbas
públicas destinadas aos municípios eram irrisórias, o que mostra o quão difícil
foi o início da caminhada. Como não se tinha ainda o Fundo de Participação dos
Municípios, o ICMS, ou mesmos os tais fundos constitucionais, os repasses do
SUS ou do Fundeb, entre eles, vivia-se à espera da boa vontade dos governadores
para se conseguir algum repasse de dinheiro. Paralelo a isto, Ariston ainda
lutava para criar um município novo, retirando do território do Curador, o seu
maior naco. Quase 70% do território passaria a fazer parte do novo município.
Mas, como afirma o historiador, professor e articulista do blog Bate Tuntum,
Jean Carlos Gonçalves, a propósito de um depoimento colhido de um cidadão que
vivenciou os problemas da época: “Enquanto os Serenos e os Gomes de Gouvêia
travavam o embate pelo controle do poder, Ariston contratou secretamente um
topógrafo em São Luís para percorrer e traçar as linhas limítrofes do mapa que
viria constituir no território de Tuntum”.
Ninguém reclamou, pelo que se saiba,
desta violência, menos ainda o prefeito de Presidente Dutra na época, que era
seu aliado. E o seguinte, seu irmão.
No pleito para eleger o seu
sucessor, a temperatura política aumentou ainda mais, ocasião em que foi eleito
o comerciante José de Freitas Barros, tendo como vice-prefeito o senhor Gerson
Sereno. E pela oposição concorria o agro-pecuarista Honorato Gomes de Gouvêia,
que abandonara o seu grupo político pouco antes. Ariston elegeu-se vereador e
assumiu a presidência da câmara municipal na sua segunda legislatura, e ainda elegeu-se
vereador mais uma vez, para a terceira legislatura da câmara. Mas, este mandato
ele deixou sem terminar, pois concorreu e ganhou as eleições municipais para
prefeito do novo município de Tuntum, desmembrado do Curador. O conturbado
período administrativo de Zeca Freitas vai ser relatado em outra crônica sobre
a família Sereno.
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Adilon Léda |
Adilon Arruda Léda foi o segundo
membro da família a tomar assento na cadeira de prefeito municipal do agora
município de Presidente Dutra. E o terceiro prefeito eleito por sufrágio
popular. Esse foi um período relativamente tranquilo para os moldes que a
política local ia tomando. E em sendo assim, Adir Léda, como era conhecido,
teve tempo para se dedicar mais à administração do município.
A construção de escolas,
especialmente nos povoados maiores, como Angical e São José dos Basílios foi
uma das metas alcançadas pelo prefeito, que ainda deixou para a posteridade uma
das suas obras mais importantes, o Açude Grande do Crioli do Joviniano. Essa
obra se revestiu de grande importância para aquela região já densamente
ocupada, mas que não tinha um só rio permanente, e que, por isso mesmo, padecia
de enorme falta do produto no período de estiagem.
Quando menino, visto que meu pai
tinha relações estreitas com aquele povoado, e possuía uma filial do seu
comércio ali, observei, sobretudo aos sábados, que uma quantidade imensa de
lavadeiras que se deslocavam em suas montarias dos inúmeros povoados
circundantes, para lavar a roupa da família no Açude Grande. A sua longa parede,
transformava-se num tapete de cores diversas, em razão das roupas estendidas
para quarar ou secar ao sol naqueles dias. Também nesse período teve início à
construção de Brasília, o que provocou grande êxodo de presidutrenses para lá.
Antenor Arruda Léda foi o
terceiro dos irmãos Léda a assumir os destinos do município querido. A família
já se encontrava em franco declínio político, e a política local já estava sob
o domínio do grupo de Valeriano Américo.
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Antenor Léda |
Antenor Léda foi eleito em uma
grande composição política firmada entre as facções situacionista e da
oposição. E foi esta a única vez em que isto aconteceu. Antenor, mostrando a
sua boa relação com os grupos que normalmente se digladiavam na política local,
foi candidato único e, naturalmente, eleito. Seu governo teve um período mais
curto, com vistas à adequação do novo calendário eleitoral.
Antenor era coletor estadual e
teve como vice-prefeito, o empresário Nelson Barros Falcão, primo deste escriba.
Foi também mais um dos irmãos Léda, o terceiro, a assumir os destinos do
município. Diferentemente das eleições anteriores, como só tínhamos um
candidato, foi naturalmente uma eleição tranquila, apenas para se cumprir
tabela.
Mas, mal começou a sua
administração, os problemas com o grupo dos Américo de Oliveira começaram a
aparecer, culminando com o rompimento pouco tempo depois. Como o prefeito
perdeu apoio de um grupo de vereadores, as escaramuças políticas voltaram ao
padrão anterior. Mesmo assim, no que pese a perda da paz para administrar o
município, Antenor Léda proporcionou a realização de grandes obras e viu surgir
no seu tempo de prefeito grandes ganhos para a região. Como a chegada do Banco
do Brasil e da agência do regional INPS, por exemplo.
Todavia, a sua administração
ficou marcada para sempre pela instalação de linhas telefônicas na cidade, e
pela implantação do novo sistema elétrico que cobria todo o dia, abolindo o
velho sistema com postes de madeira e o fornecimento de energia apenas durante
uma parte da noite. Atrevo-me a dizer que começou ali o florescimento do
comércio na região. Por conta disso, já era possível se ter uma geladeira
elétrica em casa, mudando também o velho hábito da se tomar água apenas
resfriada, coletada em potes de barro e jarras. O velho ferro de engomar a
carvão também foi esquecido. Começava um novo tempo para as famílias
presidutrenses.
sexta-feira, 17 de junho de 2016
Os Américo de Oliveira - Uma Nova Alternativa de Poder
José Pedro Araújo
No período intermediário, entre
os primórdios do Curador e os tempos mais recentes, contemporâneos, comandou
politicamente o município o grupo familiar dos Américo de Oliveira. Mas, mesmo
antes, quando os combates políticos começaram a se agigantar na escolha dos
mandatários do município, lá já tinha um deles. Originários do Piauí, mais precisamente da
região de São Raimundo Nonato, de um povoado hoje pertencente ao município de
Dom Inocêncio, esta família chegou às terras do Curador e fixou-se definitivamente
na região. Corria o ano de 1927, ou um pouquinho depois, quando não passávamos
de uma obscura Vila, posto que ainda pertencíamos territorialmente ao município de
Barra do Corda.
Acostumado à vida dura que levava
na sua terra natal, onde a falta de chuvas deixava o chão seco, esturricado, o
chefe do clã familiar, Vicente Américo de Oliveira, encontrou no novo
território todas as dificuldades de uma povoação que distava mais de cem quilômetros
da sua sede. Nada, contudo, que lhe fosse mais difícil do que viver no
semiárido piauiense. Sem estradas trafegáveis, a ligação com os demais
municípios era feita no lombo de animais naquele tempo, inclusive o transporte
de cargas. E foi essa profissão que o patriarca familiar adotou como forma de
vida, passando a labutar como tropeiro. Trabalhador incansável, enquanto se
recuperava das viagens longas e difíceis, o jovem pai de família explorava
paralelamente as terras da fazenda Lagoa Grande, adquirida quando chegou à
região, e aonde situou a imensa família.
Anos depois, com a instalação do
novo município em junho de 1944, o dinâmico, e já bem situado Vicente Américo, candidatou-se
às primeiras eleições legislativas do Curador. E teve êxito logo na primeira
tentativa, passando a fazer parte, portanto, da sua primeira bancada. Foi
vereador por sete mandatos consecutivos, encerrando a sua vida legislativa em
1972, já com idade bastante avançada. Enquanto isso, outro membro da família
dava início à carreira política: Valeriano Américo de Oliveira. E se manteria
ativo como uma das maiores lideranças políticas da região até os dias de hoje,
quando já passa dos 90 anos de idade. É sobre esse membro ilustre da família
que teceremos nossas considerações daqui para frente.

Com os ventos mudancistas que
sopraram sobre o município, quando a oposição elegeu o seu primeiro prefeito
depois de anos tentando, foi Valeriano Américo o candidato derrotado pelo
furação eleitoral Remy Soares. Mas, como já afirmei anteriormente, Valeriano é
um político habilidoso, estrategista dos mais competentes e por isso mesmo
conseguiu se manter ativo e influente por todos esses anos. Seguindo aquela
máxima que diz “se não te achas com força suficiente para derrotar o teu adversário,
alia-te a ele”, aliou-se aos antigos adversários para vencer as eleições
municipais de 1996. Sua esposa, Eleusina Carvalho de Oliveira, mulher ativa e
que exerceu forte influência nos dois mandatos eletivos do marido, compôs a
chapa oposicionista com o próprio Remy Soares, na condição de candidata a
vice-prefeita. Venceram o candidato da situação, Joaquim Nunes Figueiredo,
candidato apoiado pelo prefeito Jurandy Carvalho e por seu grupo político,
também conhecido como Arapuás.

Hoje, no que pese afirmar que
está aposentado da política, Valeriano Américo de Oliveira mantém-se no centro
das grandes decisões políticas no município. Seu grupo político na verdade
enfraqueceu, como é natural em política, em que o próprio tempo se encarrega de
debilitar uns e fortalecer outros, ocasião em que surgem novas lideranças para
ocupar os espaços deixados por aqueles que perderam forças. Recentemente, o
jornalista Celso Nogueira publicou uma fotografia do velho líder transitando
pelo Mercado Central da cidade, elegantemente vestido com um blazer bem
vistoso, conversando tranquilamente com os feirantes como se nada de melhor
tivesse para fazer. “Mais perguntando do que respondendo” como afirma o
jornalista. Ele, na verdade, estava exercitando o que mais gosta de fazer:
conversar com povão para sentir a temperatura política do momento. Ou seja, gosta
de beber na própria fonte, e sentir, ao ar livre, os rumos que o vento está
tomando.
Quando colhia material para o meu
livro sobre Presidente Dutra, estive por diversas vezes na sua casa à procura
de informações. Fui otimamente recebido, tratado daquele modo gentil com ele
costuma se dirigir às pessoas. E foi ele um dos meus maiores incentivadores e
informantes, fazendo-se presente, inclusive, no lançamento do livro na AABB.
Fazia anos que não me colocava frente a frente com essa águia política que é
Valeriano Américo de Oliveira. Gostei muito desse tete a tete, de sentir aqueles olhos calmos, perscrutadores, sobre
mim, por trás daqueles óculos pesados. Pelo que senti, ele consegue ver algo
que ninguém vê quando os fixa em alguém. Aprendeu, como ninguém, a investigar,
e desnudar, a alma humana com um simples olhar.
Hoje, Valeriano Américo de
Oliveira passa a maior parte do seu tempo em casa, em família, recebendo ainda muitas
visitas, a maioria para conversar sobre política ou para tratar de alguma causa
jurídica, pois ainda põe seus conhecimentos advocatícios em favor de algumas
pessoas, em geral, sem cobrar honorários. E nessas causas, sobressai-se o
defensor poderoso que sempre foi, advogado dos mais preparados, e duro na
defesa de seus constituintes.
Aos amigos que se baterão no
próximo pleito eleitoral que acontece antes que este ano tenha fim, um aviso:
prestem bem atenção em qual palanque o decano da política presidutrense estará
durante a campanha. O normal é que ele sempre esteja no palanque dos vencedores.
Maria Silvandira Coelho da Costa Américo de Oliveira, é hoje a representante do clã Américo de Oliveira, com eleições sucessivas à Câmara Municipal de Presidente Dutra desde 2004. Concorrendo sempre pelo PV sob o nome Silvia( um contraponto ao seu extenso nome de registro). É casada com o médico-cirurgião Gabriel Américo de Oliveira, ele um descendente direto de Vicente Américo, fundador do clã. É formada em Psicologia. Silvia tem sido eleita com votações consagradoras desde a sua primeira tentativa de ingresso na Câmara Municipal do município. Ocupa atualmente o cargo de 1º Secretária da mesa diretora para o biênio 2019/2020.
Maria Silvandira Coelho da Costa Américo de Oliveira, é hoje a representante do clã Américo de Oliveira, com eleições sucessivas à Câmara Municipal de Presidente Dutra desde 2004. Concorrendo sempre pelo PV sob o nome Silvia( um contraponto ao seu extenso nome de registro). É casada com o médico-cirurgião Gabriel Américo de Oliveira, ele um descendente direto de Vicente Américo, fundador do clã. É formada em Psicologia. Silvia tem sido eleita com votações consagradoras desde a sua primeira tentativa de ingresso na Câmara Municipal do município. Ocupa atualmente o cargo de 1º Secretária da mesa diretora para o biênio 2019/2020.
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