segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Emporcalhando o Cenário




                                                         José Pedro Araújo

                Vez por outra faço minha caminhada, pela manhã, na Avenida Marechal Castelo Branco, aproveitando-me da hora menos quente do dia e, de quebra, da umidade relativa do ar mais elevada. Tenho que aplaudir a ideia da criação de parques ambientais nas margens do rio Poti, e os calçadões apropriados para quem gosta de por em dia um pouco da forma física perdida na ociosidade e na utilização dos equipamentos domésticos que vieram para facilitar a nossa vida, mas que nos alijaram também do esforço necessário à queima de calorias.

                O parque formado na margem esquerda do Poti, por exemplo, é muito agradável, sombreado por muitas árvores nativas replantadas para recomposição da vegetação suprimida na área de proteção permanente. Ficou uma coisa linda de se observar e agradável de usufruir. Uma caminhada de manhã já é algo muito prazeroso, e sob a sombra das árvores, aí já toma outro patamar, pois o contato com o luxuriante verde é tudo de bom. Quando me perguntam por que eu caminho no outro lado do rio, e não na Raul Lopes, lugar mais utilizado pelos moradores da zona leste, sempre respondo que prefiro aquele lado porque é mais calmo, ninguém me conhece, e por esse motivo ninguém me faz parar e interromper a caminhada. Mas, tenho outra razão: gosto de pensar quando estou caminhando. É nessas caminhadas que eu mentalizo a maioria dos textos que escrevo. Toda a história contada no meu e-book “Terra de Ninguém”, publicado na Amazon.com, foi gestada durante as minhas caminhadas. E uma parte da história foi ambientada na própria Marechal.

                Rousseau, o grande filósofo, músico, matemático e botânico, entre outras cositas mas,  já afirmava que adorava caminhar enquanto formava suas ideias. E não eram caminhadas pequenas como as que faço. Certa feita foi ele de Genebra, na Suíça, a Turim, na Itália, a pé. Fez também, em outra oportunidade, o trajeto de Genebra a Paris a pé. Este último trecho mede 540 km, não é pouca coisa para se fazer caminhando. E ele se deliciava observando a paisagem, o canto dos pássaros, dormindo ao relento e, como já vimos, amadurecendo o que depois passaria para o papel. É lógico que não sou um Rousseau, nem consegui pensar em muitas coisas úteis nas minhas caminhadas, apesar da paisagem exuberante que vejo enquanto palmilho a curta pista na qual transito algumas vezes por semana. Será que é por que o meu trajeto é pequeno, comparado com o do gênio franco-suíço? Bom, não respondam, eu mesmo faço isso: isso é tão improvável quanto a possibilidade de um dia chegar até a lua.

                Mas comecei este texto com um propósito e já me desgarrei por outro caminho, pegando o atalho confortável por onde transitou o incomparável Jean-Jacques, saindo de fininho da minha rota. Volto para dizer que a paisagem exuberante a que me referi acima, sofre com a ação de indivíduos inescrupulosos. Diariamente é jogado ali um monte de coisas que emporcalha o paraíso existente quase no centro da cidade. Sofás velhos, colchões imprestáveis, animais mortos, restos de construção, tudo é atirado ali, enfeando o ambiente luxuoso. E o pior é que, apesar de ficar ao lado de uma avenida muito utilizada por todos, ninguém vê nada ou se digna a fiscalizar aquele parque. Nem mesmo a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, instalada ali, consegue evitar que indivíduos porcos e culturalmente rebaixados joguem o lixo produzido ali. Há dias que a fedentina chega a impedir a caminhada.

                Dias atrás vi uma foto lamentável de Copacabana após a virada do ano: estava coberta de lixo. Tudo obra dos turistas que foram àquele santuário para festejar a virada do ano. Dai a dois dias, o Facebook, outro paraíso, dos que adoram postar tolices, publicou uma fotografia de Nova York após a virada do ano também:  Times Square estava repleta de lixo. Abaixo da foto, escreveram que era para apreciação daqueles que possuíam o complexo de vira-lata. E eu aqui com meus botões: bom, nesse mesmo período milhares de turistas brasileiros foram pra lá. Será que têm algo a ver com aquilo? Afinal, uma coisa não se pode negar: os americanos exercem com galhardia a sua cidadania. Podem falar do resto. Da limpeza de suas ruas e parques, do cuidado com o lixo que produzem, nunca.

         Que o poder público adote providências para conter esses mal-educados. Quem sabe até trazendo de volta a campanha do Sugismundinho!  Pra quem não se lembra, Sugismundinho era um garoto horroroso que ficou famoso, muitos anos atrás, em uma campanha estatal pela limpeza. Talvez caísse bem adotarem-se campanha igual a que agia contra os “bacanas” ( ou seriam os babacas?) que transformavam as praias do litoral piauiense em pistas de corrida de automóveis. Com o título de “Xô Macaco!”, atingiu diretamente aqueles que iam para o litoral apenas com o propósito de se mostrar, ou de mostrar a sua pouca educação. Ou será que foi o policiamento efetivo no local que obrou o milagre desejado? De qualquer forma, está dada a sugestão.
               

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Novas Fotografias para o Álbum da Cidade - Infraestrutura.

Começo das obras da Eletronorte(Foto by IBGE)
           A posição geográfica estratégica do município de Presidente Dutra tem lhe trazido bons frutos, no que pese esse tardio reconhecimento por parte das autoridades sediadas na capital. Já tive a oportunidade de afirmar no meu livro "Viajando do Curador a Presidente Dutra", que os sucessivos governos maranhenses se comportavam como meros administradores da capital do estado, esquecendo  o seu espetacular interior à sua própria sorte.Na página 265 do livro, registrei que "manteve-se este estado no mais absoluto ostracismo e isolamento por mais de trezentos anos, com nossos governantes administrando burocraticamente uma pequena fatia composta pela capital, pela ribeira próxima de alguns dos nossos rios, e por parte da baixada maranhense". 
         E a propósito disto, passamos muito tempo sem uma estrada de penetração que facilitasse a chegada até ao sertão. Exemplificando isso, afirmamos também que, somente em  1921 deu-se a inauguração da Estrada de Ferro que ligava a capital São Luis à Teresina, assim mesmo sem a ponte sobre o Estreito dos Mosquitos. A ponte que faria a ligação da Ilha de São Luis ao interior só ficaria ponte muito depois. 
          Presidente Dutra, situada no mais profundo sertão, ficou isolada por muitos anos, no que pese a sua privilegiada situação geográfica e as suas características próprias para a instalação de um centro de desenvolvimento regional. Nos anos oitenta a Chesf iniciou a construção da maior subestação elétrica do norte do Brasil, interligando a região ao restante do país. Foi, e ainda é, a maior obra pública já construída no município, tendo sido encampada pela Eletronorte em 1983.
          As duas fotografias mostram a imponência da obra: uma no seu início, e a outra com a sua construção já devidamente consolidada.


Fotografia do pórtico de entrada da Eletronorte em PK (2007).

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Poesia Cósmica




Elmar Carvalho
 Poeta, contista, cronista, historiador e membro da Academia Piauiense de Letras

Duas lágrimas
de pedra nos olhos de vidro
e uma tristeza infinita na
alma de cristal.
O pensamento
voando além do infinito
e o corpo inerte
querendo voar.
As amarguras contidas
no soluço recalcado,
que morre antes de
ser gerado.
A insatisfação
dos atos inúteis
em cada palavra
dita em vão.
A vontade imensa
de alcançar a
realização total
de não ter desejos.
E a vida prática
e a matemática
e a rima que surgiu
por mero acaso.
A matemática
me enlouquece:
por isto meu pensamento
salta de mais infinito
a menos infinito
e explora as amplidões
do universo, enquanto
meus olhos vidrados
fitam a álgebra
sem vê-la.
E a minha abstração
me leva ao infinito
que meu corpo
me nega.

sábado, 9 de janeiro de 2016

Terror no Ônibus da Estrela Dalva

Fotografia Ilustrativa


                                                       José Pedro Araújo


         Dando prosseguimento aos casos de tragédias que abalaram a população de Presidente Dutra, relataremos um caso que, pelo grau de violência utilizado, extrapolou a tudo o que se vira até então em matéria de brutalidade. Estou me referindo ao caso da morte de uma passageira em trânsito pela nossa cidade, caso que chocou a toda a população pela forma como o crime foi perpetrado.
            Recorrendo à minha memória, que já não anda muito em consonância comigo mesmo, passo a relatar o caso tal qual acredito que tenha ocorrido:
           Já era noite alta quando o empoeirado ônibus estacionou em frente ao Dormitório e Agência Estrela Dalva, no largo da Bomba. O motorista decidiu que dormiriam ali, seguindo viagem somente no outro dia muito cedo, em complemento a viagem até Barra do Corda. A estrada naquela época era muito ruim, cheia de buracos e atoleiros, e talvez por isto tenha o motorista, que procedia de São Luís, decidido pernoitar ali mesmo. Algumas pessoas desceram para jantar e dormir no próprio dormitório, que pertencia a um membro da família do dono da empresa, mas outros, talvez já sem dinheiro, decidiram que comeriam alguns biscoitos e depois dormiriam no ônibus mesmo. Entre esses, estava uma senhora que trazia consigo uma menina ainda pequena, além de um outro passageiro, homem ainda jovem, que em determinadas ocasiões durante a viagem aparentava estar muito nervoso.
    Quando a noite já ia muito adiantada, perto das doze horas, ouviu-se um tremendo alarido que vinha do interior do ônibus. As pessoas que ainda se encontrava acordadas foram tomadas por um tremendo estupor ao presenciar uma cena verdadeiramente dantesca que acabava de acontecer. A pobre mulher que havia decidido dormir no coletivo mesmo saiu correndo porta afora transformada em uma tocha humana. Emitindo um tremendo alarido, com as vestes completamente incendiadas, a infeliz criatura arremessou-se para fora e começou a se contorcer e atirou-se no solo, girando sobre si mesma na tentativa apagar o fogo que a consumia. Transformara-se em uma verdadeira bola de fogo. Logo algumas pessoas acorreram para ajudar a pobre infeliz, na tentativa de evitar que o fogo a consumisse inteiramente. E assim, sem outro instrumento mais eficaz para apagar incêndios, alguns lançavam areia sobre ela, enquanto que outras jogavam água, até que alguém mais experiente correu até ela com um cobertor de lã e a cobriu apagando o fogo instantaneamente. Com queimaduras de 1º e 2º graus por todo o corpo, a pobre infeliz foi hospitalizada. Mas, diante da gravidade das queimaduras que sofrera por todo o corpo, não durou muito tempo e veio a falecer. A filha, felizmente, não foi atingida pelas chamas e escapou com vida, mas fora acometida por violento trauma por ter presenciado a morte violenta da mãe.
    O executor da tragédia, logo identificado, fora o rapaz que também resolvera pernoitar no ônibus. Com um pequeno vidro de álcool nas mãos, sem nenhuma discussão, o louco acercou-se da pobre mulher que dormitava na poltrona, vencida pelo cansaço da longa viagem, lançou o líquido inflamável sobre ela e depois ateou fogo em suas vestes.
   Nunca se soube se se tratava de algum louco furioso, ou mesmo de alguém raivoso que tenha recebido alguma admoestação da vítima durante o período em que viajaram juntos. O fato é que se tratou de mais uma tragédia sem explicação aparente, que veio a acontecer em terras presidutrenses.
  Menos mal que o frio assassino foi logo identificado, preso e encaminhado para a penitenciária de Pedrinhas, em São Luís, de onde não se soube mais nem noticiais dele. O anônimo assassino contribuiu, contudo, para aumentar o nosso diário já cheio de tragédias que abalaram a nossa pequena comunidade. O crime cometido dentro do ônibus da Estrela Dalva, transformando-se este em um dos mais brutais que o nosso povo já ouviu falar.


terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Novas Fotos para o Álbum da Cidade - Economia

Armazém Porto Seguro (Foto Família José da Cruz Oliveira Torres)
           As duas fotografias que o Folhas Avulsas publica hoje foram gentilmente ofertadas por duas famílias tradicionais de Presidente Dutra. As famílias Torres e Soares, que faziam parte da elite econômica da cidade e foram responsáveis, juntamente com a família Sereno, somente para citar algumas, pela transformação do velho Curador em um polo Comercial importante na região central maranhense. 
          A primeira foto data do início dos anos sessenta, mostra o interior do armazém Porto Seguro, e nela aparecem algumas das personagens mais conhecidas da cidade, como o proprietário do empório, José da Cruz, o irmão Luiz Cruz, o empresário Gerson Sereno e o comerciante Sr. Luizinho, entre outros. 
          A economia da região naquela época estava calcada na agricultura e na pecuária, possuindo um comércio ainda incipiente, diferente dos dias de hoje, quando se fortaleceu e se transformou na principal atividade econômica da região. 




Fila de caminhões transportando algodão(Foto Família Salomão Soares)
          A segunda fotografia, também relativa aos anos sessenta, que vemos acima, registra um momento ímpar: o início da chegada do algodão nas fábricas de beneficiamento do produto em Codó. Segundo informações do Sr. Salomão Soares, neste primeiro dia entraram na cidade, em fila indiana, cerca de 250 caminhões carregados com algodão. Presidente Dutra despontava na época como um dos maiores centros produtores dessa pluma, juntamente com Dom Pedro e Tuntum. Aliás, anos antes, existiam na cidade muitas usinas para descaroçamento de algodão, quase todas movidas à tração animal, as chamadas bulandeiras. Por este tempo, instalou-se na cidade a primeira usina à vapor, localizada na esquina da rua Sebastião Gomes com a Travessa Nelson Sereno. A cotonicultura desapareceu da região em decorrência do colapso das fábricas de tecidos de Codó e São Luís.

sábado, 2 de janeiro de 2016

Um Presente Inesquecível

Capa do livro em homenagem aos 160 Anos de Teresina.


José Pedro Araújo
Estava certo dia desfrutando do meu estimado ócio em minha casa, quando recebo a ligação de um grande amigo, Chico Carlos, o nosso inventivo Acoram. Não foi o telefonema de um amigo qualquer, daqueles arranjados ao sabor das libações, em volta de uma mesa de bar. Mas de um tipo que se convencionou chamar de ”amigos de todas as horas”. Convidava-me a prefaciar um livro de sua autoria que, a bem da verdade, não sabia eu que ele estava a escrever. Fiquei, naturalmente, preocupado com o convite. Afinal, reside ai uma das muitas tarefas sobre as quais não me sinto pronto para desempenhar. E fiquei com aquilo em mente, preocupado, sem saber como pedir ao meu amigo que procurasse alguém mais capaz para desempenhar tal missão com competência e à altura do seu trabalho, que já intuía de boa qualidade. E fiquei assim, esperançoso que ele esquecesse o convite que me havia feito.  

Passados alguns dias, nem mais um contato. Eu, naturalmente, já estava confiante de que o meu desejo havia se concretizado. Chico Acoram havia chegado à conclusão de que a mim não cairia muito bem esse papel. Mas qual! Daí alguns dias, volta o Acoram a me ligar. Bom, meditei rapidamente, sempre há a possibilidade de ser uma ligação com um pedido de desculpas por ter esquecido o convite feito, mas que já encontrara outro prefaciador. Não aconteceu assim. Para meu desgosto. Ao invés disto, convoca-me para uma chegada até o seu local de trabalho quando me apresentaria a boneca do seu livro. Já que era assim, ponderei sem muita confiança, que assim fosse.

Chegando ao prédio da AGU(Advocacia Geral da União), local em que o velho cacique desempenha e esbanja a sua competência habitual, sou recebido por ele com a efusiva alegria de sempre, o que me deixou um pouco mais tranquilo, mesmo ainda estando com o semblante carregado, denotando preocupação. Resolvi embarcar na cordialidade e alegria com as quais habitualmente sou envolvido quando nos reencontramos, e isso me fez bem. Aos poucos fui me soltando ao ponto de deixar a preocupação de lado e entrar na brincadeira saudável do Acoram.   

Satisfeito com as novas instalações da Procuradoria Federal, fui conduzido por ele para um Tour de reconhecimento, passando inclusive pela cozinha, onde fui apresentado a uma simpática copeira, a moça do cafezinho, mas também pela sala do chefe, espaçoso escritório que contrastava em tudo com as velhas instalações da Procuradoria no tempo em que ainda ocupava um velho e acanhado prédio ao lado da Prefeitura Municipal de Teresina. A caminhada, as tiradas alegres do meu amigo e, sobretudo, as apresentações que foram acontecendo no trajeto, fizeram-me esquecer um pouco a razão do convite feito. Mas isso demorou pouco. Logo voltamos à sua sala e ele me recordou o porquê de estar ali. 

Depois de ir a um armário apanhar alguma coisa, ele depositou sobre a mesa um pacote robusto, que pelo barulho feito ao ser lançado sobre ela, pareceu-me bem volumoso e pesado. E de fato era. A essa altura a minha curiosidade já suplantara o receio, e eu já queria que ele abrisse o grande envelope e me apresentasse o que ele continha. Velho brincalhão, o Chico Acoram! Trapaceiro, no bom sentido. O que saiu do envelope foi um grande livro encadernado, capa dura, na cor verde, com a inscrição estampada em letras douradas: Teresina, 160 Anos!

Sorrindo com a peça pregada, contou-me que durante todo o ano de 2012 havia adquirido a edição de domingo do Jornal O Dia, com o propósito de obter o encarte que ele trazia sobre a história de Teresina. E me surpreendeu outra vez: aquele volume que eu tinha em mãos era meu. Algo inestimável e que me causou profundo contentamento. Preciso dizer ainda que o presente recebido ainda me tirou aquele peso das costas que eu carregava desde o dia daquela famigerada ligação telefônica que ele havia me feito. Duplo presente, eu diria.

Passei a manusear o volumoso exemplar que tinha nas mãos, enquanto a conversa se desenrolava alegremente, e pude perceber a riqueza que ele guardava. Tratava-se de um trabalho primoroso feito pelo professor e imortal Fonseca Neto, que assim homenageava a cidade de Teresina pela passagem do seu aniversário. As matérias traziam ainda fotografias e gravuras históricas que muito enriqueciam o hercúleo trabalho, tudo organizado, encadernado e protegido por uma bela capa mandada fazer pelo meu bom amigo Chico Acoram.

Tenho sido brindado com ótimos presentes ao longo da minha vida. Alguns deles, ainda conservo comigo, apegado que sou às coisas que mais prezo. Este, com certeza, foi um dos que mais me trouxe alegria. E também um sentimento contrário aos das traças: pretendo guardá-lo comigo até o fim.  

Pensei em fazer e publicar esta pequena resenha no meu blog neste período festivo em que é tão comum a troca de presentes entre as pessoas. E recorrendo à memória, procurei nela informações para saber se já havia ofertado algo ao amigo Chico Carlos. Não consegui descobrir nada, pois se já tiver lhe presenteado com algo deve ter sido coisa insignificante, pois não me lembro de nada. Ao passo que o que ele me presenteou jamais vai sair das minhas mãos enquanto vida eu tiver. E isso pela excelência do mimo, e pela importância do que ele contém para um rematado curioso sobre a história desta cidade que me acolheu tão carinhosamente, lugar que escolhi para passar os meus dias. Aqui pratiquei a coleta dos víveres necessários à minha sobrevivência, apanhei água na fonte para matar a minha sede, e juntei o material necessário para armar o meu barraco em lugar ideal para oferecer proteção à minha família contra as intempéries e os animais peçonhentos.

Sou grato à cidade, mas também aos amigos que aqui amealhei. Amigos como o Chico Acoram que me pregou a mais deliciosa das peças que já fizeram a mim nesses tempos que já se alongam.