segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Deus nos Acuda!



                                      
            Não poderia dar outro título que não este ao grito que nos sufoca a garganta nesse momento de extremo pavor que vivemos. Trato aqui da violência sem igual que têm se abatido sobre a população ordeira desta cidade, atemorizando pais de família e levando a dor e a impotência a muitos lares desta antigamente pacata capital. Emblemático, o texto poderia ser utilizado para pedir socorro em qualquer cidade deste país que parece caminhar a passos largos para o inexorável e retumbante fracasso, das maiores as menores. Tanto faz.
            Quem de nós se sente tranquilos hoje em dia quando um filho sai para encontrar os amigos na noite teresinense? Quem ainda tem a coragem de reunir os amigos em rodas de bate-papo nas calçadas, para a velha e amigável conversa do fim-de-dia? Afinal, quem pode se dar por tranquilo, se até mesmo nos velórios já estão assaltando? Se nos restaurantes, nos bares, nas igrejas, nos sítios fora da cidade, na porta da padaria, no interior das farmácias, em todos os lugares esses ousados criminosos estão a nos importunar apontando suas armas mortíferas!
Não existe quem esteja imune a tão avassaladora onda de violência. Outro dia fomos aterrorizados com a notícia do assassinato de um estudante de engenharia quando deixava a namorada na porta de sua casa. Os bestiais indivíduos que praticaram tão violento ato, pasmem, já são acusados de terem assassinado outras 08 pessoas! O pobre estudante foi a 9º vítima fatal a tombar frente à força mortal de suas armas cruéis.
Se não temos respostas para as perguntas acima, resta-nos perguntar então: Quem pode nos salvar de tamanho tsunami sangrento? Quem é o responsável direto por estes facínoras ainda andarem livres, leves e soltos pelas ruas, tirando a vida dos nossos impotentes jovens? É justo um indivíduo acusado de 5 assassinatos ser posto em liberdade sob a alegação de que ainda não foi condenado por nenhum dos seus crimes? Que te parece? Tecnicamente pode até ser réu primário, mas, o que ele é de fato é uma besta humana que deve ser afastada incontinente do nosso convívio.
Temos algumas autoridades interpretando frouxamente as leis deste país. Felizmente são apenas algumas. Eu diria, poucas mesmo. O maior contingente ainda é formado pelos paladinos da Lei, que estão a correr riscos de vida confrontando-se com os tenebrosos criminosos que a desafiam constantemente.
Seria o caso de dizermos que quem põe nas ruas esses aleijões sociais, também estão com suas mãos sujas de sangue? Que delas pinga sem parar o liquido vital de pobres vítimas inocentes e desarmadas?
Essa eu mesmo respondo. São, no mínimo, copartícipes da morte de uma infinidade de jovens que tombam todos os dias na poeira das ruas, na fase mais bonita da sua iniciante vida.
Tenho quatro filhos na “fase mais bela da vida”, e não tenho como evitar que saíam as ruas nas noites aterrorizantes de Teresina. Se não podem se divertir agora, mesmo um pouquinho que seja, quando poderão fazer isso? Mais tarde, quando a vida só lhes trará cobranças e responsabilidades, após terem constituído suas próprias famílias?
Felizmente ainda conseguimos mantê-los em casa em algumas noites quanto o terror nos assalta mais duramente. São jovens obedientes, que, mesmo aos 20 ou 24 anos, ainda atendem aos apelos dramáticos dos pais apavorados com a possibilidade de perdê-los para sempre. Eu e minha esposa não conseguimos dormir tranquilos enquanto não vamos ao quarto deles e constatamos que estão imersos em sono reparador dos descompromissados com as asperezas da vida. Ai então, ao voltar para a nossa cama, respondo à velha e surrada pergunta feita todas as noites por ela: Estão todos em casa? E diante da resposta afirmativa, ela conclui sempre da mesma forma também: Graças a Deus!
Aproveitando as poucas horas que nos restam da noite, caímos finalmente em sono profundo e reparador.
Somente Deus para nos proteger nesse momento. Não é pouco, tenham certeza. É Ele o maior guardião a quem recorremos nas horas de maior aflição. Mas, precisamos dos outros protetores aqui da terra; precisamos daqueles que são pagos com parte do dinheiro que ganhamos tão duramente. Precisamos que mostrem competência e responsabilidade nessa hora em que até mesmo suas famílias estão sujeitas ao ataque traiçoeiro de algum meliante.
Não é confortável a vida de um pai que já viu um dos filhos ser empurrado para dentro do pequeníssimo porta-malas do seu próprio carro, juntamente com a namorada, e sob a mira de revólveres empunhados por mãos nervosas e violentas. Já passei por essa experiência e nunca me senti mais desprotegido do que naquele momento.
Queremos nossa Teresina de volta, pacata e ordeira, como quando era possível sentarmos à porta das nossas casas para falarmos de como foi o nosso dia de trabalho. Ai diremos em uníssono: Boa Noite, Teresina! 

(Crônica redigida em dezembro de 2006 e que me parece mais atual do nunca).

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