![]() | ||||
Dentro do Coliseu
|
“A vida é o que fazemos
dela. As viagens são os viajantes. O que vemos, não é o que vemos, senão o que
somos.” (Fernando Pessoa).
T
|
rinta e um de março era o dia
reservado para visitar Nápoles e Capri. Faríamos o trajeto no nosso ônibus,
saindo às cinco horas da manhã, com volta prevista para as dez da noite. São
225 km de ida, e outro tanto para a volta. E mais quarenta quilômetros de
barco, por mar, até a ilha de Capri. Dizem que é uma viagem de encher os olhos
e deixar saudades. Mas, não fomos. Participamos ao nosso guia que estávamos
abrindo mão disso para ficarmos mais um dia em Roma. E não acredito que
tenhamos perdido nada, mesmo com a empolgação demonstrada pelos colegas de
excussão que embarcaram para a região da Campânia, quase no salto da bota.
Como não
tínhamos que acordar as quatro para viajar para o sul, levantamos as oito para
o café da manhã, restabelecidos dos cansaços do dia anterior. Depois fomos para
a estação do metrô que ficava próximo para embarcar para o centro histórico
mais uma vez. Benedita, Henrique e Ana, Jônatas e Wilana, Fernando e Lair,
Helena e eu, intuímos que um dia sem guia turístico a nos ditar o horário para
tudo, seria uma coisa muito legal. E não estávamos errados. Apesar de um
pequeno contratempo, que conto mais tarde, antes de terminar o texto que já se
aproxima do final.
Andamos menos
de quinhentos metros e já estávamos na estação do metrô (EUR Fermi) e
embarcamos em menos de dez minutos. Como o nosso vagão já se encontrava quase
lotado, terminei por ficar em pé, apoiando-me naquele ferro vertical que todos
os vagões contêm. Antes, com receio de ser atacado por alguma punguista - fomos
alertados pelo nosso guia de que elas eram muito comuns nos trens e nos lugares
com muita gente -, guardei a minha carteira porta-cédulas no bolso da frente da
calça jeans. Minha mulher até insistiu que eu usasse aquela bolsinha com
elástico que havíamos recebido para usar por dentro da calça. Mas eu relutei e
não fiz como ela me pediu. Estava confiado de que o bolso frontal da calça é um
lugar seguro, pois é difícil até mesmo para mim pôr a mão lá dentro para
retirar algo. Não para uma ladra experimentada, era o que não tardaria para
descobrir.
Ao meu lado,
também apoiada no ferro, ia uma jovem até vistosa, bem trajada, demonstrando
total tranquilidade. Pois não é que, em dado momento, quando o trem brecou para
parar na próxima estação, aproveitando-se ela daquele impulso para a frente, tentou
tirar a minha carteira. Senti um leve formigamento no meu bolso e de pronto
soltei uma das mãos e bati sobre ele. Dei com a mão da moça dentro já do meu
bolso. E ela, uma vez descoberta, aproveitou que o metrô havia parado, correu
rapidamente para fora dele, sumindo em meio à multidão.
O susto foi
grande, pois quase todo o meu dinheiro estava na carteira, além dos documentos
de identificação e dos cartões de créditos. Virei saco de pancada da minha
mulher e motivo de gozação dos companheiros de viagem. No ano seguinte, também
no metrô, só que em Paris, tive um problema maior. Essa história eu conto em
outra oportunidade.
O dia que
havia começado ruim para mim, terminou de uma forma exuberante. Descemos do
metrô na Estação Spagna, próximo à praça homônima. Aproveitamos para algumas
fotografias em suas belas escadarias e depois seguimos em frente. Como era o
nosso último dia na Itália, aproveitamos também para gastar os últimos euros e
fazer as comprinhas das lembranças da viagem. Posso apostar que as mulheres
gostaram demais dessa parte. Entramos em um sem número de belas butiques em uma
das avenidas mais modernas de Roma, a via Condotti. Nessa rua ficam lojas como
a Bulgari, Prada, Giogio Armani, Louis Vuiton, Hermés, Dior e Burberry, além de
tantas outras famosas grifes. Não entramos em nenhuma delas, é claro. Isso é
coisa para quem viaja de primeira classe. No máximo, paramos para um café em um
shopping muito luxuoso da região. Um cappuccino, na xicara grande, pelo qual se
paga quase o mesmo valor de um cafezinho em diminuta xicara, foi o nosso luxo
maior.
Paramos para almoçar
perto de duas horas em um Ristorante de uma viela estreita do centro, ocupando
uma das mesas postas na calçada. E aproveitamos para tomar uma cerveja naquelas
taças de quase litro. Por mim, não saia mais de lá. Mas, logo estávamos
novamente passeando pelas ruas do centro de Roma e fomos terminar novamente na
Piazza de Trevi, em frente a sua majestosa fonte. Foi um show de dia.
Inesquecível. Mas, estava na hora de voltar para o hotel. No dia seguinte
teríamos um longo percurso a percorrer na volta para casa.
CONCLUSÃO
P
|
osso afirmar, sem medo de errar,
que uma viagem naquelas condições e para os lugares aqui relatados, não tem
preço. E que ela ficará para sempre nas nossas memórias. Até já realizei outras
depois dela, para lugares tão bons quanto, mas, não consigo dizer por que, não teve
o mesmo charme, o mesmo apelo.
Nesta, andamos
pela metade das regiões da Itália, começando pelo Norte, rica região da
Lombardia, próximo à fronteira com a Suíça, seguimos pelo Vêneto, banhada pelo
Mar Adriático, atravessamos a região central da Emilia-Romagna para chegar à
bela Toscana. De lá, atravessamos a Úmbria até o nosso destino final, a região
do Lácio, bem próximo ao mar Tirreno.
Foi ou não foi
uma viagem de sonhos? Às vezes, peço a Deus que me conceda nova chance de
voltar a esses lugares. Sei perfeitamente que cada viagem tem a sua história.
Mas, seria um reencontro de velhos amigos queridos. E isso termina por ser bom.