segunda-feira, 28 de março de 2016

MEMÓRIAS BRINCADAS




Paulo Gustavo Alencar é Eng. Agrônomo, funcionário público federal e poeta cordelista.

Nos tempos das lamparinas
No mundo do meu sertão
Menino soltava pipa
 
Junto com a imaginação 
Fazia carro de lata 
Construía carretão 
Com duas rodas e forquilha 
Transportava a animação

Atirar de baladeira
Era prova de atenção
Coração de beija-flor
Aumentava a precisão
Um fuminho na buanga
Pro pai da mata acalmar
E a reza de São Bento
Pra cascavel espantar


Jogar bila nos buracos
No triângulo ou no bitel
Liga, sabão e palito
Juntos com um carretel
Viram peças de trator
Pra Toim ou pra Manel
Palma da mão na peteca
Manda ela lá pro céu


As carradas se formavam
Dos capuchos de algodão
Tal qual uma de verdade
Em cima de caminhão
Com algumas diferenças
O cabresto é a direção
Mola de zinco que é forte
De flandre não guenta não


“Roba” bandeira e bicheira
Correria e agitação
Se quiser uma calmaria
Vem pra adivinhação
Contos, causos e cordéis
Prende logo a atenção
Pra assustar os mufinos
Histórias de assombração


O cavalo era de pau
A galinha de pereiro
E o gado era de osso
Não precisava dinheiro
A moeda era de conto
Achava até no terreiro
Tudo virava brinquedo
Sem choro e sem berreiro


Nos riachos, nas barragens
“Cama” de ar era a bóia
Banhar de chuva, então
Pense numa coisa joia!
Felicidade era pura
Sem nenhuma paranoia
As memórias desse tempo
Os “zói” enche que se “móia”.


PG Alencar (20/03/2016)

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