segunda-feira, 23 de março de 2015

O Massacre do Alto Alegre: A História de uma Fotografia


Índios em frente ao internato - Foto publicada em revista dias antes do massacre
 José Pedro Araújo

        Em Post anterior revivi, apenas de passagem, a história do terrível massacre ocorrido no povoado Alto Alegre, a época município de Barra do Corda, em que várias dezenas de pessoas foram trucidadas pelos índios Guajajara. E entre os mortos estavam alguns padres capuchinhos italianos, além de algumas freiras também. Como sempre acontece nas grandes tragédias, o acaso atuou de maneira preponderante no sentido de preservar a vida de alguém, ou mesmo a providência divina. Daí a importância da fotografia publicada hoje. Consta abaixo da foto, que o seu autor foi o padre Mattia de Ponterânica (Mathias de Bérgamo, como apresenta o crédito da foto). A foto também possui importância histórica por ser a segunda vez que é publicada. A primeira vez pela imprensa maranhense no ano de 1900.
       Frei Mattia residiu em Barra do Corda no ano de 1900 quando veio transferido de Canindé, no Ceará. E em princípios de 1901 o padre foi transferido mais uma vez. Dessa vez para a Colônia do Prata, no Rio Grande do Sul. Sua transferência se deu poucos dias antes do massacre que dizimaria a vida dos seus colegas e conterrâneos, o que o livrou de uma morte certa. 
       A fotografia acima mostra um grupo de índios Guajajara em pose defronte ao seminário de Alto Alegre e, possivelmente, João Caboré entre eles, uma vez que o indígena tinha estreita ligação com os religiosos antes de perpetrar o terrível banho de sangue. João Caboré, apenas para reavivar a memória, foi o mentor do terrível desastre. 
       Frei Mattia voltaria depois para o Canindé onde prestaria inestimáveis serviços naquela paróquia. A comunidade, em reconhecimento pelos serviços inestimáveis feitos pelo religioso, mandou erigir uma estátua em sua homenagem.
Padre Mattia (a esquerda) em viagem missionária pelo interior maranhense
 

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