sábado, 28 de março de 2015

GENEALOGIA DE JOVITA



(Chicoacoram Araújo)

Do lado da escarpa Oeste daquela serra, que ainda resplandece no firmamento, nasceu Nadi,
Índia Itacoatiara da grande Nação Tabajara do sertão de Piripiri,
Que, assim como a filha do pajé Araquém, tinha os cabelos negros como a asa do  Assum-preto,
E de tão longos, chegavam a cintura graciosa e faceto.

Nadi, mãe das mães, casou-se com o índio Itagiba, que tinha os braços fortes como pedra,
Que gerou Ubiratan, o índio do tacape forte, e Moema, uma doçura de mulher.
Ubiratan gerou Ubirajara, o senhor das lanças, chefe de sabedoria e medra.
E Moema gerou Ubirani, tenaz e cordial como um chanceler.

De Ubirani nasceu Porã, o mais belo dos filhos; Apuana, exímio corredor das matas, e Ubajara, dono das armas e senhor da guerra.
Porã gerou Potira, flor exuberante, e Apoema, aquele que pressentiu de longe o grande invasor da terra.
Potira gerou Taiguara, o liberto do julgo dos homens do além-mar.
Apoema gerou Moacir, que sofreu por ver seu povo perseguido pelo branco que chegou para lhes exterminar.

E Moacir gerou Araci, a última descendente puro sangue da valente tribo Itacoatiara, agora já dizimada.
Araci, aurora de uma nova geração, casou-se com o caboclo Manoel, que manejava gado de uma fazenda da região para sustentar sua amada.
 Araci teve muitos filhos e filhas, que tinham feições desformadas, mas conservavam a beleza primitiva dos gentios.
Maria, uma dessas filhas mestiças, gerou Jovita e outros filhos, que foram entregues a parentes logo após a morte prematura da mãe em decorrência de partos doentios.

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