quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

JE SUIS CHARLIE





                                                                                 





A intolerância é uma das coisas mais danosas a assolar o mundo moderno. Seja ela racial, religiosa, sexual, qualquer das suas forma. O mundo presenciou estarrecido os acontecimentos que vitimaram mais de doze membros do semanário Charlie Hebdo, além de mais cinco outras vítimas. A França, em especial, paga um alto preço pela sua conhecida tolerância com toda a sorte de pessoas que se dizem perseguidas em seus países de origem. No entorno da capital, Paris, autênticos guetos são formados com gente de todas as nacionalidades e que terminam por não serem bem incorporadas aos nativos. E, por conta disso, formam-se verdadeiros barris de pólvora que, vez por outra, ameaçam explodir. Em finais de março de 2013 estive em Paris a passeio e presenciei o que acontece hoje, sobretudo nos pontos de maior atração turística. Quando alguém é identificado como turista, logo uma verdadeira maré humana composta por africanos te cerca oferecendo todo tipo de quinquilharia. São pessoas, de um modo geral, de origem africana ou vindos dos países do leste, como os descendentes de ciganos, todos desempregados e sobrevivendo do que vendem pelas ruas ou mesmo de pequenos furtos.Nessa mesma viagem passei pelo constrangimento de ser atacado dentro do metrô em movimento. Como não havia lugar disponível para me sentar, fiquei em pé no centro do vagão segurando em uma barra de ferro. Nesse instante uma turma composta por cinco mocinhas ciganas me abordou e sem que eu percebesse subtraiu todo o meu dinheiro dos dois bolso da frente da minha calça jeans. Foi uma ação de profissionais. Mas, elas não contavam com a solidariedade de uma francesa que estava sentada na minha frente e que, ao perceber a ação das punguistas, levantou-se e segurando uma delas a fez jogar o dinheiro furtado no piso do vagão. Imediatamente verifiquei que a quantia que eu trazia no outro bolso também sumira. Nesse instante segurei a ladra que estava deste lado e a fiz devolver o que ela havia me furtado. Foi uma sorte. Pois logo depois o trem parou em um estação e as gatunas aproveitaram o ensejo para bater em retirada. Conto essa história para mostrar como a antes pacata cidade de Paris se encontra hoje. E diariamente acompanhamos o noticiário de que milhares de pessoas são apanhadas tentando entrar de forma clandestina em algum país europeu. Não vou discutir aqui se no passado a França colonialista depauperou os países africanos subtraindo parte considerável dos seus recursos naturais mais valiosos. O que aqui afirmo é que a maioria desses imigrantes não estão acostumados a viver em liberdade plena como acontece com o povo francês e que por falta de um profissão, terminam à margem dos principais empregos disponíveis. E isso faz com que se sintam à margem do processo de desenvolvimento do país que o acolheu, fazendo dele um insatisfeito, um revoltado. Essas pessoas são presas fáceis para os aliciadores de jovens para o tráfico de drogas ou mesmo para o terrorismo. A Europa vive hoje seus dias mais conturbados,com a insegurança pairando sobre uma comunidade que já foi exemplo de tranquilidade. O que aconteceu com as dezessete vítimas na semana que passou, segundo alguns analistas, é apenas um exemplo do que pode vir por ai. Agora, o fato mais importante que aconteceu nesses últimos dias foi a reação advinda da população francesa que não se intimidou e ocupou as principais ruas e avenidas de muitas cidades para protestar contra essa tentativa de cerceamento das liberdades de expressão, contra a intolerância, em fim. E isso mostra que o ato hostil e descabido praticado pelos terroristas foi um tiro no próprio pé. Ao tentarem impedir a circulação de um semanário com uma tiragem média de 60.000 exemplares, catapultou esse número, multiplicando-o várias vezes. O número do Charlie Hebdo que foi hoje para as ruas chegou a 3.000.000 de exemplares. E expirou rapidamente, sumindo logo das bancas. Que isso possa servir de lição para aqueles que tentam fazer da violência o seu principal meio de propaganda. Je Suis Charlie


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